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‘Nunca recebi favores’, afirma vice-presidente do TJ-AM

Desembargador Wilson Barroso se despediu da magistratura com discurso defendendo a ética e criticando o apadrinhamento 06/02/2013 às 08:00
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Wilson Barroso se despediu da magistratura depois de 40 anos de atividade
Mariana Lima ---

O vice-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), desembargador Wilson Barroso, se despediu nesta terça-feira (05) do cargo afirmando não ter recebido nenhum favor de terceiros em seus 40 anos de magistratura. O desembargador, que deixa o posto amanhã, quando completa 70 anos e, por isso tem que se aposentar compulsoriamente, disse que durante toda a sua vida pública levantou a bandeira da Justiça e da honestidade.

O pronunciamento do desembargador aconteceu nesta terça-feira durante a sessão do pleno do TJ-AM. A reunião, presidida por Wilson Barroso, teve duração de uma hora e meia e foi marcada por agradecimentos dos demais membros da corte ao colega que se aposentará. Dos nove processos incluídos na pauta de julgamento, apenas um foi votado pelos magistrados. A ausência dos relatores provocou.

No discurso de despedida, Barroso disse aos demais desembargadores  que se sentia honrado por se despedir do tribunal sem ter participado de trocas de favores. Em tom de crítica, o magistrado defendeu o posicionamento ético dos demais desembargadores da corte. “Eu nunca ganhei nenhuma passagem nem de canoa para atravessar o rio, oferecimento eu tive, mas os municípios que eu andava era tudo pobre, devendo os funcionários por seis, sete meses, como eu iria querer do prefeito alguma ajuda? (...) Nunca ninguém entrou no meu gabinete, quer como juiz do interior ou na capital como desembargador para pedir votos, para eu julgar em favor de fulano ou de cicrano ou para promoção de colegas juízes”, declarou o magistrado.

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Em entrevista para A CRITICA, Wilson Barroso condenou o apadrinhamento como forma de promoção profissional. O desembargador lembrou que assumiu esse posto por antiguidade e não por indicação, como a maioria de seus pares. “Anteriormente aqui na Justiça do Amazonas, pessoas alheias à magistratura queriam dar ordem aqui ao tribunal para que fulano fosse nomeado desembargador ou juiz. Por isso eu dancei três vezes e só virei (desembargador) por antiguidade, mas hoje eu digo que sempre fui feliz porque consegui chegar aqui e dei conta do meu recado” afirmou Barroso.

O posicionamento de Barroso está em sintonia com o discurso do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Em seus dois meses à frente do STF, Barbosa tem pedido aos magistrados que prezem pela ética e pela independência, sem depender de favores em especial dos poderes Legislativo e Executivo.

Bom exemplo à nova geração

O vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJ-AM), desembargador Wilson Barroso, pediu que os demais magistrados deem bom exemplo à nova geração de juízes e desembargadores.

“Eu não tenho nenhum filho empregado aqui na justiça, nunca direcionei a Justiça ao meu favor, e sim servi à Justiça do meu Estado (...). Deverão vir aí as novas gerações e cabe a nós dar bons exemplos disso”, disse durante o discurso de agradecimento.

Dos 19 magistrados presentes, somente a desembargadora Maria das Graças Figueiredo não se pronunciou alegando que preferia agradecer ao colega de corte hoje.

Participaram das homenagens a Wilson Barroso, ontem, o presidente do TJ-AM, Ari Moutinho, e os desembargadores Djalma Martins, João Simões, Carla Maria Reis, Wellington José, Jorge Manoel Lins, Maria do Socorro Guedes, Paulo César Lima, Rafael Simões e Sabino Marques.

Eleição marcada para o dia 19

A escolha do novo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) acontecerá na próxima sessão do pleno, marcada para acontecer no dia 19. A informação é do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ari Moutinho.

Segundo Ari Moutinho, a lei determina que a definição do nome do novo desembargador ocorra imediatamente, na sessão posterior ser constatado a vaga de magistrado.

De acordo com a assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça, ainda não há definição de quem irá ocupar a vaga a ser aberta com a  aposentadoria do desembargador Wilson Barroso. Caso se concretize a escolha do cargo pelo caráter da antiguidade, o próximo a assumir a posição será o juiz Lafayete Vieira Júnior.  Para a sessão pós-Carnaval está prevista a eleição para a escolha do novo vice-presidente do Tribunal de Justiça.

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