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Nuvem de fumaça pode voltar a encobrir Manaus até o fim de outubro, preveem especialistas

Cientistas e poder público confirmaram que fumaça densa é consequência de incêndios florestais e poluição combinada ao tempo seco e falta de ventos e chuva 01/10/2015 às 16:55
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Fumaça proveniente de queimadas invadiu a cidade de Manaus
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

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Manaus amanheceu encoberta por uma extensa e densa nuvem de fumaça oriunda de queimadas urbanas, incêndios florestais e poluição, combinados com tempo seco, altas temperaturas e ausência de ventos e chuvas, típica nesta época do ano, segundo especialistas e o próprio poder público. E esse fenômeno pode se repetir nos próximos dias até o final de outubro.

Segundo ambientalistas, mesmo que haja chuva, isso não conseguirá evitar os incêdios criminosos nem, consequentemente, novas nuvens de fumaça.  “Tem previsões esporádicas de chuva, mas elas são esparsas e pontuais e não vão pegar todas as áreas nem conseguir conter o que está acontecendo”, explicou o geógrafo e ecólogo Carlos Durigan, diretor da WCS Brasil e que dirige um projeto de conservação de fauna.

De acordo com o especialista, só ao longo dos próximos meses de novembro e dezembro, quando começam o período chuvoso na região amazônica, é que isso poderá mudar. “Em alguns dias e semanas isso pode acontecer mais vezes. O tempo está muito seco e estamos iniciando outubro. Nossa salvação é a chegada do inverno (período chuvoso), e isso vai demorar”, ressaltou Durigan.

Fuligem e poeira

A agrônoma Muriel Saragoussi, que dirige um programa científico sobre reações da atmosfera e da biosfera no Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), explicou que o que ocorreu em Manaus nesta quinta-feira (1°) foi uma nuvem de fumaça formada principalmente por poeira e fuligem das queimadas urbanas e incêndios florestais.


Nuvem de fumaça encobriu a superfície da cidade

“Se nós tivéssemos uma cidade menos desmatada e se as pessoas cuidassem de evitar as queimadas, isso seria evitado. Temos também uma cidade com muitos carros e um sistema de transporte coletivo deficitário. O grosso da poluição tem a ver com a poluição de automóveis. Além dessas queimadas”, explicou Saragoussi.

O geógrafo e ecólogo Carlos Durigan concorda com Muriel Saragoussi. Segundo ele, os incêndios florestais e queimadas são, na maioria, causadas por famílias agricultoras ou invasores de terras que precisam “limpar” terrenos para uso, também de forma acidental ou para queima de lixo. Mas devido ao forte calor e tempo seco tais incêndios ganham proporções maiores. 

“Temos uma profusão disseminada de queimadas no estado todo. Claro que isso não é exclusivo do Amazonas”, disse. Entretanto, segundo Carlos Durigan, só os incêndios não causariam a nuvem de fumaça em Manaus. “Em geral essa fumaça não toma grandes proporções, mas como a gente tem um verão mais extremo esse ano, isso acontece”.

Origem

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) confirmou que a nuvem de fumaça é oriunda de grandes queimadas ocorridas no Amazonas e em estados vizinhos, acrescentada pela falta de ventos atmosféricos e baixas temperaturas durante a última noite em Manaus, o que fez o ar ficar “pesado”.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Antônio Ademir Stroski, também confirmou que a falta de ventos e chuvas contribuiu para a aparição da nuvem de fumaça. “Hoje de manhã tínhamos ventos muito calmos e a fumaça das queimadas sobre Manaus tinha um problema de dispersão, sem a formação de chuva”, disse.

“Pela direção do vento, a fumaça pode ter vindo da região do Careiro, Iranduba, além de pequenos focos de queimadas que as pessoas fazem dentro do perímetro urbano, incendiando lixo e outros resíduos. E isso vai se acumulando”, completou Stroski. Segundo ele, vários órgãos em conjunto trabalharão para combater os incêndios.

Incêndio e queimada

A diferença entre incêndio florestal e queimada é explicada pelo tenente Janderson, do Corpo de Bombeiros. “Incêndio florestal quando pegam fogo regiões de vegetação mais abundante, com árvores de grande porte, como reservas, e o combate às chamas é mais complicado. A queimada é fogo tomando vegetação rasteira, sem árvores grandes”, disse.

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