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Manaus
Obstáculos pelo caminho

O difícil exercício de caminhar pelas calçadas de Manaus

Onde não há carros estacionaods de forma irregular ou invasão do passeio por comércios, buracos, degraus e pedras são obstáculos 27/06/2013 às 07:41
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Após perder a perna esquerda em um acidente, o c abo da Polícia Militar, Washington Luiz, caminha com dificuldade por entre os inúmeros obstáculos nas calçadas
Jéssica Vasconcelos Manaus

A calçada é para o pedestre, mas em Manaus é quase impossível andar sobre elas. Quando não são os veículos estacionados de forma irregular ou bancas de camelôs e expositores montados sobre as calçadas, desníveis, buracos e degraus viram obstáculos para quem tenta caminhar em qualquer bairro da capital.

Não é preciso andar muito para se deparar com um desses obstáculos, que diante da falta de investimentos vêm se multiplicando, inclusive, nas principais avenidas da cidade. O resultado dessa falta de cuidado com as calçadas de Manaus não poderia ser outro que não as topadas, tombos e acidentes provocados por degraus, desníveis e até buracos no espaço onde o pedestre deveria ter livre para caminhar.

São inúmeros os casos de acidentes nas calçadas, mas os que mais sofrem são os idosos, crianças, gestantes e deficientes físicos. O cabo da Polícia Militar Washington Luiz, 42, que há dois anos utiliza prótese após perder uma das pernas um acidente de trabalho, relata  que o simples ato de caminhar se transformou em um sacrifício aqui em Manaus. “Quando tinha minhas duas pernas, eu não tinha noção do quanto era difícil andar pelas calçadas. Eu uso bengala e sempre tropeço em pedras ou outros obstáculos”, contou.

Valnise Bezerra, 73, conta que já perdeu a conta de quantas vezes caiu ao caminhar pelas calçadas de Manaus. Para a idosa, os “altos e baixos” das calçadas provocaram o acidente. Além disso, ela aponta os veículos, que estacionam irregularmente sobre as calçados, como outro problema que obriga os pedestres, entre eles idosos e portadores de deficiência, a ter que desviar deles, andando pela rua.

Disputa de espaço

Apesar de Manaus ter uma legislação que determina uma medida mínima de 1,50 metro de calçada livre de obstáculos para os pedestres, na prática essa regra não é seguida e o que se encontra, em toda a cidade, são pedestres dividindo espaço com bancas de camelôs e expositores de lojas. O problema, agravado pela falta de uma fiscalização permanente por parte do poder público, piora ainda mais a avaliação já negativa da infraestrutura das calçadas em Manaus.

Em 2012, pesquisa realizada pela Organização Não Governamental (ONG) Mobilize Brasil - movimento em prol da mobilidade sustentável - deu nota 3,60 para as calçadas de Manaus. A nota ficou muito abaixo dos 8 pontos classificados como ideais no quesito qualidade. O estudo avaliou 102 calçadas de 12 importantes cidades do País e Manaus teve a pior avaliação.

Idosos são os que sofrem mais

Um estudo realizado pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP) estima que, para cada três idosos de 65 anos, pelo menos um já sofreu algum tipo de queda. A partir dos 80 anos de idade, a pesquisa revela que 40% dos idosos sofrem mais de uma queda a cada ano.

A aposentada Doralice Saraiva, 69, já fraturou o joelho ao cair, depois de tropeçar em um ferro que estava implantado de forma irregular na calçada. “Tentei me proteger para não machucar muito, mas acabei fraturando o joelho, o que me deixou sem andar durante um tempo”, contou a idosa.

Segundo o Gerente de Fisioterapia da Fundação Dr. Thomas, Ober Cabral, o tempo de reação de um idoso é 30% mais lento que o de um jovem, em caso de acidentes.  Isso dificulta o caminhar do idoso, que muitas vezes precisa desviar de obstáculos como degraus e buracos nas calçadas, ou mesmo andar pela rua, em meio aos veículos.

Entre as principais fraturas  causadas pelas quedas nos idosos estão as fraturas do fêmur, bacia e punho, pois no momento da queda as pessoas costumam usar os braços para se proteger.

 

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