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Manaus
DIA DAS MULHERES

O grito: grupo de mulheres luta por conscientização sobre casos de violência

No Dia Internacional da Mulher, em frente à delegacia especializada, protesto com manequins expõe a alta taxa de crimes e a ausência de apoio 08/03/2018 às 12:54
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Manequins carregam crimes grifados em vermelho em protesto (Foto: Jair Araújo)
Isabella Pina Manaus

Eu, mulher, já sofri violência. Você, talvez. Outras tantas, sim. Para especificar e dar devidas proporções: a estatística diz que a cada quatro minutos, uma mulher é agredida no Amazonas. Com estes números, chegamos a incríveis 125.432 vítimas só no último ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas. Com números em mãos e o desejo de ampliar a consciência alheia, o grupo “O Grito das Meninas” foi às ruas neste Dia das Mulheres (8 de março) deixar recado claro e bem dado.

Por diversas áreas da cidade o grupo, composto por mulheres de idades variadas, espalhou o protesto que levanta a bandeira e chama atenção para a alta taxa de violência contra a mulher. As “meninas” fizeram questão de colocar, logo em frente à Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM), manequins de mulheres, pintados de pretos, carregando no peito – grafados de vermelho - os títulos: “estupro”, “feminicído”, “agressão verbal”, “espancamento” e outros recorrentes casos.

Quem fazia a “guarda” dos manequins eram ambulantes que transitavam pela área vendendo rosas no semáforo. Transeuntes paravam, davam uma olhada ou outra, aceitavam – às vezes - um panfleto informativo e se afastavam. Jucelem Ramos, especializada em violência contra mulher e uma das líderes do projeto fala sobre a proposta, apostas e análises do cenário atual.

“Nós somos um grupo que se reuniu e teve a idéia de “dar voz” à luta com o uso das bonecas, neste protesto pré-planejado. Daí o projeto foi crescendo. Somos 10 mulheres, juntas há três meses. Por quê? É muito difícil fazer essa conscientização sozinha, com uma única voz, ainda mais quando se trabalha com mulheres traumatizadas. Faltam iniciativas públicas que garantam a segurança (antes, durante e após uma agressão). Quando mergulhamos nos números, descobrimos que a delegacia da mulher não tem capacidade de atender todas as vítimas. E estas são uma gota no oceano da violência” analisa Dr. Ju, como é chamada pelas amigas.

Outra integrante do grupo vai além e expõe sua própria experiência, ainda apontando a falha na segurança que o Estado oferece às vítimas de agressão: “eu já fui espancada e fiquei com medo de ir à delegacia. Por que ir é assinar atestado de morte. Nós, mulheres, sabemos disso. Você vai, volta para casa, sem proteção ou acompanhamento policial e, quando chega, o marido vai para cima. Essa história não é só minha”.

O protesto e mobilização de conscientização do grupo “Grito das Meninas” se espalha por toda a Manaus neste Dia Internacional da Mulher. Além da Delegacia, no Parque 10, Zona Centro-Sul da cidade, Arena da Amazônia, 

Compensa, Grande Circular e o Fórum Henoch Reis recebem as bonecas protestantes.

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