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Manaus
DESRESPEITO

Jacira Reis sem limites: o lugar onde ninguém tira o pé do acelerador

Veículos trafegam em alta velocidade na via principal do conj. Kíssia e muitos não respeitam sequer a faixa de pedestres. Não há qualquer fiscalização no local 09/06/2018 às 10:14
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Cruz de madeira foi colocada no local da morte de Luzinete Cardoso, atropelada na faixa de pedestre. Fotos: Euzivaldo Queiroz
Silane Souza Manaus (AM)

Uma cruz em frente a uma faixa de pedestres no canteiro central da avenida Jacira Reis, no conjunto Kíssia, Zona Centro-Oeste de Manaus, revela um problema que há anos preocupa moradores e outras pessoas que trabalham por ali: excesso de velocidade dos carros que transitam na via, o que têm provocado acidentes com frequência no local. No último dia 11, por volta de 18h30, uma empregada doméstica de 50 anos morreu ao ser atropelada na faixa de pedestres. A cruz foi colocada no ponto trágico do acidente.

Moradores  dizem que a comunidade sempre pediu providências do Instituto de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans), mas nada foi feito. O órgão, inclusive, ignorou os pedidos de esclarecimentos feitos pela reportagem e não deu qualquer resposta. 

A caixa Liliane de Almeida Bentes, 36, disse que dias antes do acidente fatal, ela e o esposo quase foram atropelados na mesma região. Conforme ela, os condutores trafegam em alta velocidade e não respeitam a faixa. Os acidentes por conta disso são comuns. “Não há nenhum redutor de velocidade então os carros e as motos vêm com tudo. Quase toda tarde tem acidente. Quando uns veículos param, outros não param e o acidente acontece. É um perigo para os pedestres”, destacou.

Liliane Bentes escapou de ser atropelada: ‘uns veículos param, outros não param

O segurança Ricardo dos Santos Carvalho, 39, disse que só a faixa de pedestre não inibe os condutores. O ideal seria haver lombadas ou semáforos ao longo da via. “Como não tem obstáculos, os veículos vem em alta velocidade e quando chegam à faixa não conseguem parar. Foi o que aconteceu no dia 11 de maio. Alguns carros pararam para a senhora atravessar a rua, mas uma moto não parou e a atingiu. Ela morreu na hora. Foi muito triste. O pior é que os acidentes estão sendo constantes”.

O analista de engenharia Heraclito Carvalho, 39, criticou as faixas de pedestres que não têm semáforos. Conforme ele, algumas pessoas acabam não visualizando todos os veículos e quando um para na faixa elas acreditam que todos vão parar também e isso muitas vezes não acontece. “O risco maior é para os idosos que têm a percepção mais lenta”, apontou. “Aqui e acolá a gente ouve o barulho e quando olha ver a pessoa no chão ou veículos colididos porque o de trás não conseguiu parar a tempo”. 

Para Ricardo dos Santos, o ideal seria haver lombadas ou semáforos ao longo da via

O médico aposentado Menabarreto Segadilha França disse que há algum tempo os moradores da Jacira Reis pedem ao Manaustrans solução para o problema da alta velocidade na via, mas até agora não tiverem resposta. “Já nos disseram que aqui não poderia ter quebra-mola ou semáforo, mas colocaram um sinal em frente ao TCE (Tribunal de Contas do Estado), e baseado na justificativa que nos deram lá também não poderia ter nada. Como instalaram lá e aqui não?”, questionou.

Trágica véspera de Dia das Mães
A vítima do acidente ocorrido no dia 11 de maio na rua Jacira Reis foi Luzinete Honorato Cardoso, 50. De acordo com testemunhas, ela tinha saído do trabalho e estava indo com a filha a um salão. A ida ao centro de beleza era um presente  de Dia das Mães.

Carros estacionados obstruem calçadas

Outro problema apontado pelos moradores da  Jacira Reis, no conjunto Kíssia, Zona Centro-Oeste , são os carros estacionados em cima da calçada. De acordo com eles, isso acontece com frequência ao longo da via e atrapalha o trânsito de pedestres no local, além de colocar os pedestres em risco ao terem que passar pela pista de veículos.  

Pedestres também são obrigados a fazer verdadeiros ‘malabarismos’ para desviar de carros estacionados nas calçadas

A reportagem entrou em contato com o Instituto de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) para saber se o órgão tomaria alguma providência a respeito do assunto, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também não houve respostas acerca da reclamação dos moradores sobre a alta velocidade registrada na via, e a reivindicação de instalação de redutores de velocidade.

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