Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
Manaus

O perigo vem do alto: Sem regras definidas, papagaios com cerol continuam sendo perigosos

Sem fiscalização nem regulamentação da lei que proíbe uso de cerol e linha chilena nos papagaios, ou pipas, brincadeira vira uma ameaça 



1.jpg Linhas de cerol, utilizada em papagaios durante "disputas aéreas", representam risco a quem transita por perto dos brincantes
10/05/2015 às 19:04

Sancionada em março deste ano, a Lei 1.968 proíbe a venda de cerol e linha chilena, utilizadas para a brincadeira de empinar pipa, popularmente chamado  em Manaus de “papagaio”. Entretanto, a prática oferece sérios riscos de acidentes, tanto pelo fato de não existir um órgão fiscalizador que coíba a comercialização dos materiais cortantes, quanto pela falta de regulamentação da medida pela Prefeitura.

O assunto foi discutido na última semana em audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM). De autoria do vereador Francisco Jornada (PDT), a lei prevê a proibição da venda, armazenamento, transporte e distribuição de cerol (mistura de cola e vidro moído) da linha chilena de óxido de alumínio e silício ou de qualquer material cortante utilizado para empinar/soltar pipas.

De acordo com o vereador, o objetivo da lei não é impedir a brincadeira de papagaio, mas sim organizar a prática na capital. “Essa audiência pública é para opinarmos muita coisa. Há muitas pessoas que vivem disso e passa de pai para filho. Queremos que essas pessoas entrem na formalidade”, disse.

Segundo Jornada, o projeto tramita há dois anos na Câmara, e só agora ocorre uma manifestação por parte da Casa por conta da medida ter sido sancionada pelo prefeito Artur Neto. Para ele, o debate merece atenção, principalmente por conta da falta de segurança, a qual envolve tanto os adeptos quanto outras pessoas. “É bom e quem ganha com isso é a sociedade. Nós vamos regulamentar as áreas onde as pessoas poderão brincar com segurança”.


Questionado se a medida não irá afetar a identidade cultural da brincadeira, Jornada diz que o costume será “quebrado”. “Se todo mundo disser que está acostumado com isso ou aquilo, nós nunca vamos organizar Manaus”, declarou o vereador.

Perigo

Há dois anos, o autônomo Arlindo Almeida, 41, foi vítima das linhas cortantes encontradas em espaços abertos da capital. Conforme ele conta, o acidente ocorreu na avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste, e deixou uma cicatriz no calcanhar direito. Os movimentos do pé só foram retomados após fisioterapia.

“Estava com meu filho sentado quando a linha engatou no ônibus. Tentei afastar a linha para não pegar no meu filho, foi quando ela cortou no limite do osso. Sabe quando uma serra corta um pedaço de carne? Foi assim”, disse ele.

O autônomo  afirma que nunca soltou papagaio e correu o risco de ter uma artéria atingida. Sobre a implementação de espaços destinados à brincadeira, Arlindo afirma que é a favor. “O que eu acho é que deveria ter isso mermo, um local específico para essas pessoas. Esse acidente aconteceu comigo, mas poderia acontecer com uma criança”, alertou.  


Oito áreas poderão ser ‘pipódromos’

Oito áreas de Manaus poderão servir como espaço para o público soltar pipas. Segundo Jornada, a discussão em torno dos pipódromos foi iniciada pelo vereador Gilmar Nascimento, em 2013, mas a ideia de criar um espaço em cada zona da cidade não saiu do papel ao longo destes dois anos.

Na capital, várias áreas são conhecidas como pontos de pipa e podem ser oficialmente “batizadas” de pipódromos, entre elas estão o Prosamim do bairro Cachoeirinha, a área próximo ao Sambódromo, na avenida do Samba, e o campo do Braga Mendes, na Zona Leste. Conforme a Lei 1.968, o uso de cerol e linha chilena será permitido nos espaços que forem estabelecidos pelo Poder Público Municipal.

Falta de fiscalização

Apesar da lei ter sido sancionada com aplicação de multas de uma a 20  Unidades Fiscais do Município de Manaus (UFMs), ainda não existe um órgão responsável pela fiscalização em Manaus. A secretaria deverá ser conhecida após a regulamentação da Lei pela Prefeitura, assim como os custos envolvendo a adequação dos “pipódromos”.


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