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'O sistema de transporte coletivo de Manaus é uma bomba-relógio', diz superintendente da SMTU

Pedro Carvalho informou que o projeto do Plano de Mobilidade ainda não está pronto, mas que ele será apresentado à sociedade até o fim do mês de março 24/02/2015 às 20:59
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“Qualquer momento pode parar tudo”, afirmou Carvalho
Luciano Falbo Manaus (AM)

“O sistema de transporte coletivo de Manaus é uma bomba-relógio”. A afirmação, do titular da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, foi dada nesta terça-feira (24) durante audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) para discutir a construção do Plano de Mobilidade Urbana de Manaus. “Qualquer momento pode parar tudo”, afirmou Carvalho.

A 48 dias do prazo final para que o plano seja aprovado sem o risco de que as verbas federais destinadas ao setor sejam bloqueadas, o superintendente Pedro Carvalho informou que o escopo do projeto ainda não foi finalizado, e que ele será apresentado à sociedade até o fim do mês de março.

A consolidação dos planos de mobilidade até o dia 14 de abril é uma das exigências da lei federal 12.587/2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana, para que os municípios acima de 500 mil habitantes não tenham os repasses federais destinados ao setor suspensos.

Entretanto, Pedro Carvalho disse que a construção do plano municipal pode ultrapassar de um a dois meses do prazo sem qualquer prejuízo. Isso porque  quando o plano for aprovado, com todos os requisitos necessários, as verbas serão liberadas.

“Se atrasar um ou dois meses, é  melhor porque teremos um bom plano, bem discutido com a sociedade. Estão falando que não está tendo discussão, mas a fase das audiências ainda nem começou. É claro que faremos audiências. E em todas as zonas da cidade. Depois, a Câmara Municipal também fará suas  discussões”, disse Pedro.

A audiência contou com a participação de 80 pessoas e  foi marcada por críticas de membros da sociedade civil à forma de elaboração do plano, sem discussão social. Pedro Carvalho foi questionado sobre várias questões referentes à mobilidade em Manaus. Ele respondeu aos questionamentos e disse que são necessárias audiências mais específicas sobre cada tema.

Em meio as respostas, o superintendente da SMTU declarou que o sistema de transporte coletivo de Manaus é uma “bomba-relógio”. Questionado pela reportagem ao fim da audiência sobre a declaração, ele disse: “Qualquer dia para uma empresa... e aí?”.  Segundo Pedro Carvalho, há empresas no sistema com dívidas “impagáveis”.

Ele ainda contrapôs a tese, amplamente difundida, de que um bom sistema de transporte público desestimularia o uso do carro particular. “Eu nunca disse que você deixa o seu automóvel para andar de ônibus. Até porque onde existem os melhores sistemas de transportes tem o automóvel. Tem pessoas que nunca vão migrar para ônibus. A desculpa de que, se o sistema de transporte melhorar, as pessoas vão começar a andar. Isso é papo”, disse. “A concepção de melhorar não é para a pessoa deixar o automóvel, mas para melhorar a vida de quem já anda de coletivo”, acrescentou.

Plano nacional

Pedro Carvalho defendeu um  plano nacional de transporte como solução efetiva para a questão da mobilidade no Brasil. “O nosso sistema está vencido, não tem capacidade na hora do rush. O principal problema é a falta de infraestrutura viária”, comentou.

Para ele, se não houver uma mudança significativa na redistribuição de recursos para a mobilidade “vamos ficar rodando igual cachorro querendo pegar o rabo”. “Falta uma política nacional para um dos maiores problemas do Brasil”, criticou.

O gestor citou a faixa azul exclusiva para ônibus como um exemplo da dificuldade de se implantar projetos de mobilidade na cidade. “Apenas 12% das pessoas aqui andam de carro. A maioria, 56%, anda de ônibus. Fizemos isso pensando na maioria que já enfrenta muitas dificuldades”, disse.


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