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Manaus
REVISTA

OAB-AM afirma ter sido impedida de acompanhar vistoria no Compaj

“Então não deveriam ter chamado. A OAB não é mera homologadora e chanceladora”, disse membro. Explosões foram ouvidas durante revista 06/03/2017 às 10:44 - Atualizado em 06/03/2017 às 11:15
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Presos foram retirados das celas para a revista ser feita de maneira completa (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Vinicius Leal Manaus (AM)

Membros da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM) denunciaram na manhã desta segunda-feira (6) que foram impedidos de acompanhar a vistoria realizada pelas Forças Armadas e pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no Km 8 da rodovia BR-174. Órgãos militares fazem varredura dentro da unidade prisional desde o início da manhã à procura de materiais ilícitos e eventuais rotas de fuga.

“A OAB não é mera homologadora e chanceladora de revista do Exército. Se a OAB não pode entrar para visualizar e fiscalizar o que está acontecendo, você não espera que a OAB fique até o final aguardando apenas para assinar um documento e dizer que tudo aconteceu na mais perfeita paz”, afirmou o ouvidor-geral da OAB Amazonas Glen Wilde do Lago Freitas, que também é membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB Brasil.

Segundo Glen Wilde, a OAB foi convocada para a vistoria, mas foi impedida de entrar. “Fomos convocados ontem à noite para que acompanhássemos a revista. Então às 4h da manhã chegamos lá. Todos adentraram, mas quando fui entrar falaram que eu não podia. Mandaram eu falar com o general e esperei. Falei o que estava acontecendo e ele disse que mudaram as coisas. Então não deveriam ter chamado a OAB”, afirmou o ouvidor-geral da OAB-AM.

De acordo com Glen, no momento em que estavam no pátio interno do Compaj foram ouvidas três explosões e três ambulâncias chegaram com a sirene ligada. “Não sei o que aconteceu e nem o que vai acontecer. A OAB nacional foi comunicada e eles estão horrorizados. Vamos emitir uma nota de repúdio”, disse o ouvidor-geral do órgão.

A ação anterior das Forças Armadas junto à SSP-AM dentro de um presídio de Manaus aconteceu no dia 31 de janeiro deste ano, na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, a primeira desde o massacre de detentos no Compaj. Na ocasião, a OAB foi permitida participar da vistoria, mas a Defensoria Pública do Estado não. “Lá na Vidal eu entrei e fiscalizei tudo. Por que agora foi diferente?” questionou Glen Wilde.

A reportagem entrou em contato com as Forças Armadas através da assessoria de imprensa do Comando Militar da Amazônia (CMA). Em resposta, o órgão afirmou estar empenhado em cumprir a missão de revistar a unidade prisional, mas que a denúncia seria levada às autoridades militares e que, caso fosse comprovada, tomariam medidas cabíveis. O CMA prometeu emitir uma nota sobre o caso.

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