Terça-feira, 18 de Junho de 2019
PRESSÃO

OAB sugere afastamento de Moro de Ministério após vazamento de conversas

Medida seria para que as investigações do caso “ocorram sem qualquer suspeita”. Além dele, Conselho da OAB recomenda que procuradores da força-tarefa da Lava Jato também deixem seus cargos públicos



Moro-696x459_A6C8D924-E8F5-41FF-8D4A-DFEF09198A5A.jpg Foto: Reprodução/Internet
10/06/2019 às 18:09

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Colégio de Presidentes de Seccionais, por deliberação unânime, recomendaram nesta segunda-feira (10) que o ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Sergio Moro, e membros da força-tarefa da Lava Jato peçam afastamento de seus cargos públicos após o vazamento, por meio do site The Intercept, de trechos de mensagens atribuídas a eles que desempenharam papel na operação fundamental na operação que resultou na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em nota, a OAB explica que a medida é para que as “investigações ocorram sem qualquer suspeita”. A entidade também se diz preocupada que os aparelhos celulares das autoridades envolvidas no caso tenham, supostamente, sidos hackeados, pois gera “grave risco à segurança institucional, quanto pelo conteúdo das conversas veiculadas, que ameaçam caros alicerces do Estado Democrático de Direito”.

A OAB também acredita que é preciso ter prudência na análise do caso. E que é preciso ter acesso à íntegra dos documentos para que, somente após o devido processo legal, seja formado juízo definitivo de valor. O Conselho reafirma que a gravidade dos fatos publicados demanda “investigação plena, imparcial e isenta, na medida em que envolvem membros do Ministério Público Federal, ex-membro do Poder Judiciário e a possível relação de promiscuidade na condução de ações penais no âmbito da operação Lava Jato”.

Por fim, a OAB afirma que não se furtará em tomar todas as medidas cabíveis para o regular esclarecimento dos fatos, especialmente junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), Procuradoria-Geral da República (PGR), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ), reafirmando, por fim, sua confiança nas instituições públicas.

Mais matérias devem surgir

Nesse domingo (9) em sua conta no Twitter, o editor e fundador do The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, que também assina as matérias publicadas sobre as conversas imputadas aos membros da força-tarefa e a Moro, afirmou que o arquivo fornecido por sua fonte “é um dos maiores da história do jornalismo”.  “Ele contém segredos explosivos em chats, áudios, vídeos, fotos e documentos sobre Deltan Dallagnol [coordenador da força-tarefa], Sergio Moro e muitas facções poderosas. Nossas reportagens acabaram de começar”, garante Greenwald.

Na capital amazonense  

Durante participação hoje na reunião do Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária (Consej), em Manaus, Moro demonstrou irritação com as perguntas referentes ao vazamento dos diálogos entre ele e o procurador Dallagnol.

“O que houve foi uma ação criminosa de invasão de celulares de procuradores. O diálogo entre juiz, polícia e procuradores é absolutamente normal. Não há crime nisso. Agora, eu não vim ao Amazonas para falar disso”, disse para, logo em seguida, se retirar da coletiva de imprensa.

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