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Obesidade afeta 300 mil pessoas no AM e associação oferece tratamento em Manaus

Com 500 associados, a Associação dos Obesos do Amazonas (Assoam) reúne diversos especialistas para combater doença. Segundo presidente da associação, Manaus é a quarta capital com maior número de obesos do Brasil 24/01/2015 às 14:44
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Associação reúne obesos que buscam tratamento contra a doença
OSWALDO NETO Manaus (AM)

“Não é uma questão estética, é porque infelizmente eu vivo num mundo em que, do tamanho que eu estou, não consigo fazer certas coisas que uma pessoa magra faz”. A estudante Emanuele de Oliveira, 27, faz parte de um grupo de 300 mil amazonenses que sofrem do mal que atinge metade da população brasileira: a obesidade. Apesar disso, ela encontrou na Associação dos Obesos do Amazonas (Assoam) um grande estímulo para enfrentar cada obstáculo criado tanto pela sociedade, quanto pelas suas próprias limitações físicas.

Criada há dois anos na avenida Japurá, Centro, a Assoam possui hoje aproximadamente 500 associados que buscam tratamento contra a obesidade. O acompanhamento de muitos, como o de Emanuele, é feito diariamente por profissionais como nutricionistas, educadores físicos e psicólogos. A estudante conta que participa da associação há dois anos e já perdeu mais de 30 kg. Ela afirma que chegou a pesar 160 kg e passou por vários problemas pelo seu “estereótipo”.

“Já fui dispensada de uma função de telemarketing, que é só atender telefone, porque eu estava gorda. As pessoas ficavam desmerecendo tudo o que já fiz e passei bastante tempo desempregada. O peso conta na hora de conseguir um emprego, a pessoa sempre inventa mil desculpas pra não deixar ficar”, diz ela, que atualmente faz um curso de Técnica em Edificações. “Depois que entrei pra Assoam me sinto muito melhor. Eu aprendi que ninguém vai estudar no meu lugar e me sustentar, só depende de mim. O tratamento me ajudou a ter mais mobilidade e energia”, disse.

Emanuele Oliveira, 27, diz que obesos têm mais dificuldades para conseguir emprego (Foto: Antônio Menezes)

Outra pessoa que também ganhou confiança ao entrar para a associação foi a cantora Aracy Miranda, 45. Após sofrer devido uma desilusão amorosa, Aracy conta que descontou na comida o trauma pela separação. “O meu ex-marido me trocou por uma mulher mais magra e passei por um processo difícil na época, aí me deixei engordar bastante. O fim disso foi ouvir que eu não poderia mais cantar porque não aguentaria duas horas de show. A Assoam foi um meio de entrar e tirar tudo o que aconteceu de ruim na minha vida. Já emagreci quatro quilos e me sinto mais bonita”, desabafou.

De acordo com presidente, André Frota, o foco da Assoam está extremamente ligado com a mudança no estilo de vida. Segundo ele, a busca pela saúde e a autoaceitação são os dois pilares que compõem o objetivo do projeto. “Quando a gente chega a pesar 300 quilos, tudo o que você tem como filosofia de vida é mudado. A felicidade está nas coisas simples de se realizar”.

Prevenção

Segundo o presidente da Assoam, entre as conquistas da associação para combater a obesidade no Estado está a atenção primária da rede municipal de Saúde. “A competência do município pode resolver 80% dos problemas dentro da área da saúde. Uma cirurgia bariátrica custa em torno de 35 mil reais, multiplique isso por 300.000 obesos. Manaus é a quarta capital com maior número de obesos”, diz Frota.

Outra luta da associação se refere à construção de um Centro de Convivência do Obeso, além da implantação de atividades funcionais em todos os espaços de sociabilidade. “Precisamos tratar no fator gerador do problema, pois a obesidade é a doença da sociedade contemporânea. Ela aumenta casos de câncer, diabetes e hipertensão”, argumentou.

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