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Manaus
SAÚDE

Obesidade coloca Manaus em primeiro lugar no ranking nacional entre as capitais

Segundo pesquisa da Vigitel divulgada pelo Ministério da Saúde, 23,8% dos habitantes da capital amazonense são obesos 01/07/2018 às 09:35
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Fotos: Reprodução
Mayrlla Motta Manaus (AM)

Se preocupar com o peso não é só questão de estética, é saúde. Os habitantes da capital amazonense devem ficar ainda mais atentos quanto a isso. O alerta vem da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Segundo os dados, 57,6% dos manauaras estão com excesso de peso e 23,8% obesos. Com o levantamento, Manaus fica em 1º lugar no ranking com mais obesos entre as capitais brasileiras. Em seguida vem Macapá (23,6%), Campo Grande (23,4%), Cuiabá (22,7%), Porto Velho (22,4%) e Recife (21%). 

De acordo com a nutricionista e educadora física Flávia Ignez, uma pessoa é considerada obesa quando o índice de massa corporal (IMC) está acima de 30 e com sobrepeso acima de 25. O cálculo é feito com base no peso e altura da pessoa. “Hoje em dia o IMC é utilizado como forma de comparar saúde de populações. A obesidade e o sobrepeso indicados pelo IMC são fatores de risco para hipertensão arterial, diabetes melittus (tipo 2), doença arterial coronariana e entre outras patologias”, afirma a especialista. 

As causas da obesidade são complexas e envolvem diversos fatores como estilo de vida, ambiente e fatores emocionais, segundo explica a médica endocrinologista pediátrica Jackeline Galdino. Ela destaca que um pequeno número de casos se deve a outras causas como doenças endócrinas e síndromes genéticas. A médica faz um alerta não só para a obesidade adulta, mas a infantil que pode começar ainda no útero. 

“Estamos mais sedentários, mais inseguros por medo da violência, consumindo mais alimentos prontos e ultra processados e nossas crianças passando mais tempo em frente à TV, computador e tablet. Há evidências que a obesidade infantil tem, muitas vezes, origem no ambiente intra-uterino adverso, com o consequente atraso do crescimento fetal ocasionando, portanto, acúmulo de gordura e desenvolvimento de complicações relacionadas à obesidade”, explica. 

Como diversos fatores externos e internos influenciam na obesidade, a nutricionista Flávia Ignez, opina que no caso de Manaus ela não considera ser cultural a falta de bons hábitos alimentares, os fazendo ser culpados pelo crescente número de casos de obesidade. “Na nossa região temos muitas frutas e legumes ricos em fibras, nossos peixes são nutritivos, nosso açaí cheio de antocianinas (pigmento). Mas as pessoas deixaram de comer feijão e o trocaram por fast-food, comidas rápidas e práticas, enfim, acredito que esse aumento da obesidade e sobrepeso não foi por nossa cultura ou por nossos hábitos e sim pelo excesso de calorias vazias e falta de atividade física”, pondera a nutricionista.

Para mudar esse quadro a especialista propõe uma mudança no estilo de vida (MEV), que segundo ela é bem mais eficiente do que dieta. “Com o MEV, provavelmente teremos uma perda de gordura como consequência. Sem a manutenção de uma dieta saudável e balanceada, uma rotina de exercícios, a perda de peso tende a não ser sustentável”, acrescenta.

Para a médica Jackeline nesse processo é essencial a participação de uma equipe multiprofissional para resultados positivos. “ A restrição alimentar deve ser aplicada preferencialmente por um profissional, associada ao aumento da atividade física. Podem-se utilizar outras estratégias, tais como tratamento medicamentoso (para maiores de 10 anos de idade) ou cirurgia bariátrica para adolescentes (a partir de 16 anos) e adultos, quando a obesidade se apresentar em graus mais graves e se associar a comorbidades importantes”, finaliza  a endocrinologista pediátrica.

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