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Manaus
TRANSTORNO

Obra da Prefeitura irrita moradores do entorno do igarapé do Passarinho

Há seis meses que moradores da área localizada na avenida Marginal Esquerda, na Zona Norte, sofrem com resíduos de obra pública 27/06/2017 às 21:12
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As calçadas estão quebradas, impedindo muitas pessoas de caminharem no local. Foto: Gilson Mello
acritica.com Manaus (AM)

Há pelo menos seis meses uma “neblina” de areia faz parte da rotina dos moradores do entorno do igarapé do Passarinho, localizado na avenida Marginal Esquerda, Zona Norte, segundo denúncia da própria comunidade. O cenário é promovido por  obras realizadas por equipes da Secretaria Municipal de infraestrutura (Seminf) no curso d’água amazônico.

Areia para todo lado, calçadas quebradas e árvores retiradas são resultado do trabalho das equipes. O mais grave, segundo os moradores, é que vários sacos de areia retirada do igarapé têm sido comercializada pelos trabalhadores da secretaria. “Várias vezes vimos os funcionários desta obra recebendo dinheiro. Inclusive alguns moradores do próprio conjunto  compraram sacos de areia com eles. Acredito que nem a prefeitura saiba disso”, destaca o frentista Maurício Silva de Souza, 46.

A dona de casa Cibele Belém Geraldo, 43, mora em frente ao igarapé, no conjunto habitacional Passarinho, construído pela  Superintendência de Habilitação do Amazonas (Suhab). De acordo com ela, a areia entra na  casa dela  prejudicando tanto a saúde do marido – paciente oncológico – quanto do filho especial, que é traqueostomizado. “Perguntei para eles o que estavam fazendo e só respondem que estão tirando o lixo do igarapé, mas não se vê nada ficar limpo, depois de todo este tempo. Questionei se iriam consertar as calçadas e a resposta foi que não sabiam”, relatou.

Atitude diferenciada

Marido de Cibele, o operador de empilhadeira Ângelo José Rocha dos Santos, 45, comenta que é comum todo ano a equipe da Secretaria ir a área limpar o igarapé, contudo, neste ano isto não é o que está sendo feito.

“Eles começaram a cavar pelo igarapé e deixando vários buracos, destruindo até mesmo o rip-rap que havia sido construído no local. São mais de dez caminhões quase todo dia. Esta poeira, além de ser contaminada, tem dado falta de ar em mim e no filho”, critica.

Conforme Santos, o local é uma área verde e a própria prefeitura havia plantado árvores ao redor do igarapé. Não à toa, o pintor Odvaldo dos Santos, 50, vive brigando com os funcionários do local para manter uma mangueira que tentam a todo custo derrubar. Com residência também localizada em frente ao pequeno rio, ele diz que já teve dois ataques do coração devido o estresse em virtude da obra.

A Seminf foi questionada sobre as atitudes da equipe. Em nota, a secretaria disse apenas que está realizando tanto limpeza no Igarapé do Passarinho quanto a implantação de 140 metros de rip-rap em um trecho localizado na avenida Arquiteto José Henrique Bento Rodrigues, no bairro Monte das Oliveiras, zona Norte. O órgão informou que está fazendo um estudo topográfico da área para concluir o trabalho.

“O objetivo do serviço é captar a água das chuvas, realizando o escoamento adequado e evitando assim alagamentos e deslizamentos na área, além de garantir a melhor acessibilidade dos moradores que residem no entorno do igarapé. No local já foi feita a implantação do muro de arrimo com uma altura de três metros de rip-rap, a contenção do leito do igarapé, a limpeza dos bueiros e a desobstrução das galerias pluviais que estavam completamente entupidas com lixo doméstico”, diz o texto.

Asfalto precário

A situação das ruas do conjunto habitacional Passarinho também é um ‘pesadelo’ para os moradores. Segundo eles, um mutirão chegou a ser feito no bairro pela Secretaria Municipal de Infraestrutura, mas o asfaltamento não foi concluído.

De acordo com Ângelo, foi o caso da rua onde mora. Sua casa fica na esquina da avenida Marginal Esquerda e da rua 02. “No papel, eles falaram que iriam asfaltar várias ruas do bairro, inclusive a de onde moro. Só que além de enrolarem para asfaltar, fizeram um péssimo serviço e não concluíram a rua toda. Eles deixaram um buraco na frente de nossas casas”, detalha.

O operador de empilhadeira diz que os moradores enviaram um documento para o Distrito de Obras e não tiveram nenhum retorno.

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