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Obra do Hospital do Sangue da FHemoam segue em ritmo lento devido à escassez de recursos

O Hemoam é referência no tratamento de doenças do sangue no Brasil há 33, mas não garante internações em UTIs, cirurgias nem realizações de exames complexos. Com o hospital, a perspectiva é de que os atendimentos dobrem e os serviços passem a ser realizados na própria unidade 04/12/2015 às 20:08
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O Hospital do Sangue era para ficar pronto em um ano meio,mas no atual ritmo de liberação do recursos o tempo estimado praticamente dobrou, diz Fraijii
luana carvalho Manaus (AM)

A obra do Hospital do Sangue da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) está “andando a passos de formiga”, lamenta o diretor-presidente do órgão, Nelson Fraiji. “Com essa crise, o fluxo de recursos reduziu-se. Provavelmente este hospital, que poderia ser inaugurado em um ano e meio, vai ser entregue em três anos”, estima.

Fraiji foi procurado  para comentar as manifestações de mães de pacientes que fazem tratamento no Hemoam. Elas notaram que houve uma redução de recursos para a fundação, interferindo, principalmente, na estrutura do prédio. “Estou muito frustrado com essa perspectiva e vou lutar para que a sociedade amazonense ajude o Estado a resolver essa situação, injetando ânimo”, declarou Nelson.

No dia 29 de abril deste ano, durante a cerimônia de posse de Nelson Fraiji, o governador José Melo (PROS) declarou que os recursos para a construção do hospital estavam assegurados e que mais de R$ 97 milhões seriam investidos na ampliação da capacidade de estrutura e tecnologia do hemocentro. Quase oito meses depois, pacientes denunciam que muitas vezes falta remédio na farmácia.

“Meu filho precisa da ‘sulfa’ toda segunda, quarta e sexta, duas vezes ao dia. Todos os pacientes que fazem tratamento de leucemia dependem deste remédio. O médico prescreve uma receita com quatro frascos, mas muitas vezes a gente só recebe dois. Esse ano já precisei comprar o medicamento duas vezes”, revela uma mãe de um paciente, que não quis divulgar o nome.

Hospital é solução

O Hemoam é referência no tratamento de doenças do sangue no Brasil há 33 anos. No entanto, não garante internações em unidades de terapia intensiva, cirurgias, e realizações de exames complexos, que atualmente são demandados para a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o hospital, a perspectiva é de que os atendimentos dobrem e os serviços passem a ser realizados na própria unidade de saúde.

O problema da superlotação, da falta de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), equipamentos ideais para a realização de exames, entre outros serviços, também seriam resolvidos com a conclusão da obra do hospital.

O anseio parte principalmente dos pacientes. Uma mãe de uma criança que está em tratamento e que também preferiu não ter o nome divulgado, teme pela saúde do filho cada vez que ele precisa se deslocar para outro hospital.

“A gente precisa manter as crianças mais sadias possível. Pois se meu filho pegar uma gripe ou uma virose, corre o risco de virar uma pneumonia rapidamente e ele precisa ser tratado em outros hospitais com pacientes que carregam todo tipo de infecção. É um risco muito grande”, desabafa.

Demanda bem além da oferta

“Todos sabem que a receita do Estado caiu, estamos fazendo malabarismo pra dar conta de manter o serviço e a prioridade é manter todas as atividades fins da instituição”, declarou Nelson Fraiji.

De acordo com o médico, a demanda para atendimento tem crescido intensamente. Atualmente, a fundação conta com 22 leitos de internação. No entanto, muitas vezes, é preciso internar 40 pessoas.

Ao todo, aproximadamente dois mil pacientes com doenças oncohematológicas, linfomas, hemofílicos, entre outros tipos de patologias,  fazem acompanhamento contínuo no Hemoam. Além destes, a fundação tem uma média de mil atendimentos todos os meses, sem contar com os quase 5 mil doadores mensal.

Faltou alimento

Nos dias 5 e 6 de novembro, os acompanhantes dos pacientes que fazem tratamento na Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) não receberam refeições. As mães chegam a passar mais de cinco dias na unidade, enquanto os filhos fazem a quimioterapia. A informação que elas tiveram é de que a distribuição de alimentos agora é limitada.

Nelson Fraiji informou que o problema realmente aconteceu. Segundo ele, a fundação estava passando por uma reestruturação na administração e agora o número de refeições será limitado.


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