Terça-feira, 21 de Maio de 2019
REVITALIZAÇÃO

Obra na praça Adalberto Valle deve ser concluída em 240 dias, diz Prefeitura

O Implurb explica que o que está começando agora na praça é o restauro do “Pavilhão Universal”, que será desmontado da praça Tenreiro Aranha e será remontado na Adalberto Vale



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A obra da construtora Biapó é orçada em R$ 1 milhão. Foto: Jair Araújo
04/05/2019 às 14:20

Localizada na avenida Floriano Peixoto, bem no coração do Centro Histórico de Manaus, a praça Adalberto Valle nem sempre teve uma trajetória, digamos, charmosa.  Por muito tempo foi uma parada de ônibus, com lanches, grande fluxo de pessoas e até  “batedores de carteira”. Em 2015, o projeto de requalificação da praça foi aprovado a fim de devolver ao lugar aquele ar de “belle époque”. Segundo a Prefeitura, a obra é considerada concluída desde dezembro de 2018, com a revitalização e reforma de toda a praça, paisagismo e requalificação urbana. No entanto, a presença de um minicontêiner, montes de areia e ripas com fitas indicam o contrário.

O Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) explica que o que está começando agora na praça é o restauro do “Pavilhão Universal”, que será desmontado da praça Tenreiro Aranha (do outro lado da avenida) e será remontado na Adalberto Vale. A ideia é transformar o pavilhão em um Centro de Atendimento ao Cliente.

A nova fase da obra está prevista para ser concluída em 240 dias. O custo será de mais de R$ 1 milhão com recursos do Programa PAC Cidades Históricas, do governo federal. A empreitada será assumida pela Construtora Biapó, empresa goiana especialista em restauração de obras históricas. Os trabalhos iniciaram no mês passado.

Por outro lado, a notícia da retomada das obras na praça Adalberto Valle foi recebida com descrença pelos comerciantes da área. Motivos eles têm de sobra. Principalmente porque o vai e vem de interrupção e retomada das obras da praça, que vem se arrastando desde agosto de 2017, já causou prejuízos imensuráveis aos estabelecimentos comercias da região.

Os tapumes, que durante muitos meses cercaram a obra, por exemplo, praticamente esconderam os estabelecimentos próximos à praça. O que restou durante muito tempo foi um corredor estreito de calçada na rua Marquês de Santa Cruz, que facilitava ainda mais a ação de assaltantes a qualquer hora do dia. Os constantes delitos fizeram com que o movimento de clientes nas lojas despencasse.

O gerente de uma loja de roupas, Omar Ismail, testemunhou a transformação da praça de lugar efervescente a uma área praticamente desértica. “Por conta dos tapumes, muitos clientes fiéis achavam que tínhamos fechado as portas. Pra piorar, qualquer área isolada vira alvo fácil de assaltos. Desde que tiraram o cerco,  estamos reconquistando os clientes aos poucos”, disse ele que trabalha com a família no local desde 1992.

Há seis anos ganhando a vida na capital, o proprietário de uma loja de variedades, Zhiguan Guan, concorda. “Minha loja tinha muito mais clientes quando havia uma parada de ônibus nessa praça. Quando anunciaram a reforma nos deram um prazo de oito meses, que não foi cumprido. Os muitos assaltos que aconteceram com esses meses de atraso espantaram muitos clientes’’, contou.

Homenagem a fundador de hotel

 A praça Adalberto Valle é uma homenagem ao fundador do antigo Hotel Amazonas, que já foi um dos prédios mais badalados da cidade. A praça integra as obras do PAC Cidades Históricas.

Segurança preocupa

O que mais chama a atenção na praça semipronta é o tradicional bar “O Jangadeiro”, patrimônio cultural imaterial do Amazonas desde 2015 pelos seus 78 anos de história.  Por trás do balcão, Jordana Vila Cova, que atualmente administra o bar com o marido, Rafael Vila Cova, nos conta que o estabelecimento já foi assaltado duas vezes esse ano.

“A gente quase não tem segurança nenhuma nessa praça. Os assaltos acontecem o tempo todo. Mesmo tirando aquele tapume, o nosso faturamento não melhorou porque as pessoas têm medo de vir pra essa região da cidade por medo de serem assaltadas e ninguém pode fazer nada”, lamenta ela. “A gente mal consegue pagar os funcionários. Tivemos que reduzir ainda mais o quadro”.

Sobre o restauro que está ocorrendo na praça Adalberto Valle, Jordana é cética. “Vão isolar a praça de novo, né. A única coisa que nos falaram é que o projeto original estava errado e que vão corrigir. Disseram que em quatro meses entregam ela pronta, mas duvido muito”, disse com um ar de cansaço.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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