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Manaus
INFRAESTRUTURA

Obras da Prefeitura nos bairros Flores e Parque das Nações ficam na promessa

No bairro de Flores, por exemplo, a rua Rio Amazonas nunca foi pavimentada, não tem calçadas e a vegetação está alta onde deveria ser passagem de veículos 02/11/2018 às 02:18
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Há seis meses, A Crítica contou a história da rua que, mesmo estando na área central da cidade, nunca foi asfaltada. Foto: Winnetou Almeida - 31/out/2018
Álik Menezes Manaus (AM)

Diversos bairros da capital amazonense têm problemas de infraestrutura, como ruas esburacadas, esgotos sem tampa ou entupidos, causando transtornos diários. Isso é uma realidade bem conhecida, mas torna-se ainda mais incômoda quando a prefeitura, após a exposição dos problemas, promete resolver e tudo fica só na promessa. Nesses casos, os moradores se dizem duplamente desrespeitados.

A rua Rio Amazonas, localizada no conjunto Beija-Flor 1, no bairro de Flores, por exemplo, nunca foi pavimentada, não tem calçadas, mas tem de sobra vegetação alta onde deveria ser passagem de veículos. A situação persiste apesar de inúmeras reclamações e denúncias dos moradores junto à prefeitura. Em março, A Crítica noticiou o sofrimento desses moradores. Eles relataram casos diários de assaltos facilitados pela precariedade da rua, além do risco de doenças e dificuldade para acessar as próprias casas.

Na época, a prefeitura se limitou a informar, por meio de nota, que estava realizando obras no bairro vizinho, o Parque das Nações, e que, logo após, atenderia a demanda dos moradores da rua Rio Amazonas. Na última quarta-feira, equipe de A Crítica voltou ao local e ouviu relatos indignados dos moradores.

A dona de casa Lindalva Santos, de 46, que há quase 20 anos convive com o problema disse que o caso já foi denunciado várias vezes, mas as demandas nunca foram atendidas. “Eles nunca aparecem aqui e ainda tem a ousadia de dizer que, no mapeamento deles, a rua está asfaltada, mas como assim? Veja! Aqui nem rua existe, quando chove isso aqui vira um pântano. Nós estamos sofrendo e eles não estão nem preocupados com a nossa situação”, lamentou.

Outra moradora, que pediu para não ser identificada, disse que assaltos são frequentes no bairro porque criminosos se aproveitam da estrutura precária da rua para fugir da polícia ou se esconder antes ou após praticar crimes. “Aqui é uma rota de fuga. Eles assaltam lá no início e se escondem lá dentro do mato ou entram no terreno da universidade. Nós temos dificuldade até para receber compras porque não conseguem entrar aqui”, disse.

Sem tampa ou entupidos

No bairro Parque das Nações, os moradores das ruas Inglaterra e Venezuela também perderam as contas de quantas vezes denunciaram a situação dos bueiros sem tampa ou entupidos. O caso também foi denunciado por A Crítica há um ano, mas até agora não foi solucionado.

“Tem risco de alguém cair aí dentro e morrer, morrer! Você entende que é grave? Mas para a prefeitura não tem importância, se tivesse ela já tinha mandado resolver”, disse a dona de casa Carla dos Santos, de 39 anos.  Até ontem, os bueiros permaneciam sem tampa.

Falta de tampa em bueiros é um risco reconhecido

Em outubro de 2016, a Seminf firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no Ministério Público estadual (MP-AM), se comprometendo, no período de 120 dias, a tampar 1.537 bueiros existentes na cidade, após três mortes de crianças que caíram em bueiros sem tampa.  Apesar do compromisso, ainda há muitos bueiros sem tampas na cidade.

‘Rua está no cronograma de novembro’

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que, em relação à situação do Beija-Flor, executou serviços em melhorias viárias  em várias ruas no conjunto, “porém muitas dessas vias possuem residências sem rede de esgoto ou sumidouros e os canos das casas jogam água diretamente para a rua, o que prejudica o trabalho realizado”.  A Seminf informou ainda que a rua citada está na programação de infraestrutura total programada para a primeira quinzena de novembro.

Já no Parque das Nações, a Seminf ressaltou que continua trabalhando e todas as vias serão atendidas. A rua Argentina, principal corredor de ônibus da comunidade, já foi recapeada e a rua Áustria, por onde passa um Igarapé, recebeu serviços de desassoreamento, trabalho que solucionou antigos problemas de alagações. A nota não cita a situação específica dos bueiros sem tampa.

A pasta destacou que trabalhado de forma intensiva para atender os mais de 16 mil logradouros da cidade. Mais de 45 quilômetros de novo asfalto já foram aplicados em corredores do transporte público e mais de duas mil novas tampas de bueiros já foram implantadas.

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