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Oficial condenado por tráfico quase foi nomeado comandante do Policiamento Regional Oeste

O Secretário de Segurança Pública, Paulo Roberto Vital disse que a nomeação de Arce para comandar o CPR Oeste foi um equívoco, que apesar de ter caráter administrativo, requer um pouco de operacionalidade 05/09/2013 às 08:14
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Felipe Arce foi condenado também por liderar grupo de extermínio em Manaus
Joana Queiroz Manaus

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) suspendeu no final da tarde desta quarta (4) os efeitos da nomeação do tenente-coronel Felipe Arce Rio Branco para o Comando de Policiamento Regional (CPR) Oeste. A decisão foi tomada em menos de 24 horas após a nomeação.

O anúncio foi feito por meio de uma nova portaria publicada nesta quarta (4), informando também que ainda não há decisão judicial ou administrativa que determine o afastamento de Arce dos quadros da corporação, por isso o mesmo foi colocado em uma função administrativa no Comando-Geral.

O Secretário de Segurança Pública, Paulo Roberto Vital disse que a nomeação de Arce para comandar o CPR Oeste foi um equívoco, que apesar de ter caráter administrativo, requer um pouco de operacionalidade. Para que o tenente-coronel não fique recebendo sem trabalhar, ele foi nomeado ontem para ser o adjunto do Departamento da Tecnologia da Informação, atividade meramente administrativa.

Na manhã desta quarta (4) o subcomandante geral Moisés Cardoso justificou a nomeação do tenente-coronel dizendo que Arce foi condenado e está cumprido pena, mas está na ativa e nos últimos meses vive pelos corredores do Comando Geral sem fazer nada e recebendo o salário de tenente-coronel que é de R$ 11 a R$ 10 mil e como é uma função que Arce está a altura, foi melhor colocá-lo nessa atividade. Segundo Cardoso, o tenente-coronel ia desempenhar a função sob a coordenação do coronel Romel Paulo, que é o diretor do Comando de Policiamento do Interior (CPI).

Arce permanece na corporação por conta de uma liminar. Ele foi submetido a conselho de justificação que, em 30 de março de 2010, decidiu pela demissão, mas o tenente-coronel recorreu da decisão do conselho e está aguardando decisão da Justiça.

O tenente-coronel Felipe Arce foi condenado, em novembro de 2009 a 10 anos de prisão pelo crime de associação para o tráfico, juntamente como Raphael Wallace Souza, o filho do ex-deputado estadual Wallace Souza. De acordo com as investigações, Arce comandava um grupo de extermínio formado por policiais militares que trabalhavam com ele quando chefiava o Departamento de Inteligência (DI) da Polícia Militar do Estado.

Repercussão imediata na Assembleia
A nomeação de Arce para comandar o CPR Oeste gerou indignação. “É o criminoso combatendo o crime”, assim classificou o promotor de Justiça e coordenador Centro de Combate ao crime Organizado (Caocrimo), Fábio Monteiro. Arce iria comandar o policiamento de 21 municípios da Zona Oeste do Amazonas, a maioria localizada na calha do Solimões conhecida como corredor do tráfico de droga.

A indignação não foi só de Monteiro, mas de membros de outros segmentos também. O deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) disse em seu pronunciamento na sessão de ontem no plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas que: “Quem nomeia para um cargo de confiança alguém acusado de tráfico de drogas, grupo de extermínio, falsificação de documento do INSS, ou é um covarde ou da mesma laia”.

Fábio Monteiro - promotor de justiça e presidente do Caocrimo

“Essa nomeação do tenente-coronel Felipe Arce é uma afronta à Constituição Federal e à sociedade. O Arce é réu em vários processos e, em lugar algum se coloca um réu para combater crimes, continua principalmente quando o mesmo responde processos por extorsões, grupo de extermínio e tráfico de droga. Isso é responsabilidade do comandante da instituição e dessa forma ele está contribuindo para a sensação de insegurança na população. Pessoas com ficha corrida semelhante a dele não podem exercer comando”.

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