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Manaus
TRADIÇÃO

Oitentona, Kamélia chega no sábado (5) para abrir o Carnaval amazonense deste ano

No próximo dia 5, véspera de Dia de Reis, a tradicional boneca Kamélia desembarca às 21h06 na cidade para abrir, oficialmente, a temporada carnavalesca no Amazonas 02/01/2019 às 21:07 - Atualizado em 03/01/2019 às 09:12
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A chegada da Kamélia é uma tradição há décadas na cidade de Manaus, abrindo oficialmente o Carnaval amazonense / Foto: Arquivo A Crítica
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Oitentona, mas com todo o pique, sempre faceira e com o gás que lhe são pecualiares. É assim que no próximo sábado, véspera de Dia de Reis, a tradicional boneca Kamélia chega à cidade para abrir, oficialmente, a temporada carnavalesca no Amazonas.

Neste ano a programação inicia a partir de 19h no parque aquático do Olímpico, a casa da Kamélia, e que fica localizado na avenida Constantino Nery. A boneca mais famosa e símbolo do Carnaval amazonense desembarca às 21h06 no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, recebe as chaves da cidade e de lá, em carreata, segue para o clube, onde será recepcionada por seus fãs e o público amante do Carnaval.

Entre as atrações confirmadas estão uma banda de metais, o grupo Demônios da Tazmania e a bateria da escola de samba Vitória Régia (que neste ano traz como enredo “Tinta nas veias, a verdade nas mãos: na crítica de Calderaro ‘70 Anos’ a voz de uma nação”, em uma homenagem ao jornal A CRÍTICA e a seu fundador, o jornalista Umberto Calderaro).

“Queremos relembrar o Carnaval mesmo de antigamente, com banda e bateria tocando manchinhas e samba-enredos. Já até tivemos o auge do axé, que todo ano tocava aqui na chegada da Kamélia, mas hoje o povo é carente de marchinhas e samba-enredo, que é, realmente, o Carnaval tradicional. A Kamélia é o velho e o novo; o velho, mantendo a tradição dos bailes de salão, e o novo é para aqueles que querem conhecer a nossa história”, destacou Almerinho Botelho, presidente do Conselho Diretor do Olímpico Clube e da Grêmio Recreativo Escola de Samba Império da Kamélia.

O modelo da roupa com o qual a famosa boneca vai desfilar é mantido em segredo, mas a cor já está definida: será branco. “A roupa é branca, e está pronta desde o último dia 28. Está lindo, investimos muito no vestido dela para que a Kamélia se apresente bem melhor”, destaca o dirigente.

Misticismo e expectativa

O horário da chegada – 21h06 – não é por acaso, sendo envolto em misticismo: somados, os números resultam no 9, número do orixá Ogum, entidade cultuada na Umbanda e que é protetor regente da Kamélia (ano passado foi Xangô).

“Nossa expectativa é muito boa, e nós vemos isso pelos próprios comentários que as pessoas fazem pela Internet, que é a maior ferramenta de publicidade, pela receptividade delas, que querem brincar o Carnaval assim. Muitos falam que que participaram de festas no Olímpico. A Kamélia transcendeu, e não é mais a Kamélia do Olímpico, do Almério. Temos que chamar a sociedade para prestigiar o único símbiolo vivo do nosso Carnaval, e se o Olímpico desistir da Kamélia, acabam as raízes do Carnaval antigo. Faço um apelo para que as pessoas prestigiem a história do nosso Carnaval”, disse Almerinho.

 

A chegada da Kamélia conta com o apoio cultural da Prefeitura Municipal de Manaus.

Escola não desfile este ano

A exemplo dos últimos anos, a escola de samba Império da Kamélia, agremiação do grupo B do Carnaval amazonense, não vai desfilar este ano. O motivo são as dificuldades financeiras e a necessidade de uma melhor organização dos regulamentos que regem as agremiações de acesso, disse Almerinho Botelho. “Enquanto não tivermos um Carnaval que vale a pena disputar, e sem conchavos, ficaremos de fora. Há uma briga constante e isso não faz parte da nossa história de Carnaval, que é a brincadeira. Os próprios patrocinadores ficam com receio de fazer isso (apoiar)”, disse ele.

Boneca foi criada em 1938, mas 1º baile foi em 1940 em casa na Praça da Saudade

A Kamélia entrou para a história do Carnaval amazonense em dezembro de 1938, quando a boneca negra, na época com apenas 75 centímetros de altura, comprada por quatro mil réis nas Lojas 4.400 e trajada à moda baiana, arrastava multidões pelas principais ruas da cidade, pendurada no galho de uma ingazeira. O flautista Benedito Lacerda foi o seu grande inspirador com a música “Jardineira”, mas a ideia para a sua criação partiu do ex-diretor do Olimpico, Cândido Jeremias Cumaru, mais conhecido como Kandu.

“A Kamélia apareceu em dezembro de 1938, mas o seu primeiro baile ocorreu em 1940, numa casa alugada na Praça da Saudade”, informa Almerinho Botelho.

A boneca é responsável pelo inicio do Carnaval de Manaus desde 1955, quando o então prefeito Walter Rayol ordenou que a chave da cidade fosse entregue à ela. Já em 1958, o folclórico prefeito Gilberto Mestrinho (que nesta época ainda nem era chamado de “Boto Navegador”), passou a entregar a chave pessoalmente em uma solenidade anual de abertura. Em 2013, o prefeito Arthur Neto sancionou a lei municipal, de autoria do então vereador e músico Arlindo Jr., que oficializou a solenidade da chegada da boneca como abertura oficial do carnaval da capital amazonense.

A Kamélia foi reconhecida em 2015 como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amazonas, em lei de autoria do então deputado estadual e hoje federal Bosco Saraiva.

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Almerinho Botelho, presidente do Conselho Diretor do Olímpico Clube e da Grêmio Recreativo Escola de Samba Império da Kamélia

Sábado, as comunidades do samba e do Carnaval vão comprovar que a premonição feita na letra da música “Jardineira”, de Benedito Lacerda, não foi concretizada, se fizermos alusão à nossa boneca Kamélia, do Clube dos Cinco Aros, pois quem acabou morrendo, aqui em Manaus, foi a Jardineira, do Clube Internacional, de saudoso memória, causando tristeza devido ao fim dos encontros realizados entre as duas bonecas, no Boulevard Amazonas.

A comunidade do Carnaval perdeu, Manaus perdeu, a cultura popular de nossa cidade está desaparecendo, para infelicidade de todos nós, amazonenses.

Sábado, chega em Manaus a boneca Kamélia, fazendo 80 anos desde a sua primeira aparição, no tradicional Bar Avenida, ainda com apenas 75 centímetros, casa comercial que funcionava na esquina da avenida Eduardo Ribeiro com a rua Saldanha Marinho, no Centro Histórico de Manaus, durante uma ceia de confraternização dos fundadores do Olímpico Clube, em dezembro de 1938, criada sob a inspiração da famosa marchinha “Jardineira”, de Benedito Lacerda.

Hoje, verdadeiramente, podemos afirmar que a história da nossa boneca, eleita para fazer a abertura oficial do Carnaval de Manaus e considerada Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Amazonas, representa, como símbolo maior e único vivo, a mais notável e rica história do cultural do nosso Carnaval manauara.

Kandú criou-a, o Olímpico projetou-a, e o povo consagrou-a. Vamos prestigiar esse evento, vamos prestigiar nossa história, vamos prestigiar o nosso Carnaval. Salve o Reinado de Momo, salve a Kamélia, salve o Carnaval. Até sábado.

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