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Oito alunos da mesma escola são aprovados em 1º lugar para cursos da Ufam

Para os alunos, a fórmula da aprovação pode ser a soma do conteúdo e exercícios ministrados em sala de aula aliados ao apoio da família. Confira os segredos dos estudantes para o resultado expressivo 17/02/2018 às 02:31 - Atualizado em 17/02/2018 às 10:32
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Foto: Gilson Melo
Danilo Alves Manaus (AM)

Oito adolescentes nada parecidos, mas que possuem coisas em comum: eles têm quase a mesma idade e se formaram na mesma instituição de ensino. E as semelhanças não param por aí. Em janeiro deste ano todos eles passaram em primeiro lugar em vestibulares da rede pública estadual e federal do Amazonas.  

Para esses alunos, a fórmula da aprovação pode ser a soma do conteúdo e exercícios ministrados em sala de aula aliados ao apoio da família. No caso de Gabriel Victor Fernandes, 20, primeiro lugar em Medicina no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Amazonas no ano passado, a escola em que estudou no ensino médio, o Centro Educacional Adalberto Valle (Ceav), teve papel importante para ele alcançar essa vaga.

“Na verdade me formei em 2014,  quando passei em Medicina em uma faculdade do Rio de Janeiro. Não deu certo e voltei para arriscar Ufam. Se não fosse a base de conhecimento que eu tive na minha escola, responder as perguntas mais básicas seriam difíceis”, comentou ele.

A estudante Maíra Salem Filó, 18, passou 2017 inteiro sob pressão. Tudo porque há alguns anos a irmã mais velha de Maíra conquistou o primeiro lugar em Medicina e Direito em universidades  públicas. Após se dedicar a uma intensa rotina de estudos, praticar redação e interpretação de texto, ela conseguiu obter o primeiro lugar no curso de Direito na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

“Minha irmã estudou no mesmo lugar que eu e tivemos os mesmos professores. Pude perceber que nós duas tivemos educações parecidas, inclusive com estudo. Mas fiquei surpresa quando consegui o primeiro lugar”, afirmou Maíra. 

O primeiro lugar em Engenharia Civil na Ufam também é de um aluno no Ceav. Mas Arthur Gabriel Cardoso, 17, só decidiu o que queria fazer na metade do ano passado. O pai dele também é engenheiro civil e a mãe sempre esteve perto ajudando o filho a fazer as tarefas de casa, além de auxiliar nos exercícios diários de todas as disciplinas.

“Minha mãe é daquelas que senta com você na mesa da sala e começa a revisar todo o material contigo. Eu fiquei surpreso quando soube que  era o primeiro lugar. O choro dos meus pais foi inevitável e, claro, o meu também”, lembrou.

Outro estudante que também chegou ao topo na lista dos aprovados em um vestibular de uma universidade pública foi Matthew Garcês, 18. O rapaz sempre quis estudar Arquitetura e Urbanismo, apesar da família dele sugerir Medicina. Segundo ele, os simulados feitos na escola  foram essenciais para ele melhorar o aproveitamento no vestibular.

“São provas bem parecidas com o Enem  e foi com isso que eu pude aprender mais  sobre interpretação de questões. No entanto, confesso que não imaginava ficar em primeiro lugar”, explicou.

Novos desafios

As histórias de Beatriz Lima dos Santos, Iago Barreiros, Ricardo Guedes Filho, ambos de 18 anos, e Maria Beatriz Freire,17, também se cruzam. Eles conquistaram o primeiro lugar no vestibular e ainda pretendem buscar novos desafios. 

Beatriz, primeiro lugar em Ciências Biológicas na Ufam, por exemplo, quer ser veterinária, por isso vai cursar em uma falcudade particular já que as públicas não possuem o curso. Já Ricardo, primeiro lugar em Engenharia Mecânica,  e Iago, na primeira colocação em Jornalismo na Ufam, vão continuar estudando e ainda pensam em ser primeiros colocados em outros certames, para outros cursos.

“A maioria de nós fez a prova tranquila. A escola nos deixou preparados e apesar de não ter sido a minha primeira escolha, sempre vou saber que fui primeiro lugar em uma universidade pública”, comentou Igor.

Média de corte é mais alta

A média da nota de corte para o Enem é de 560 pontos, dependendo do curso escolhido pelo candidato. Para medicina na Ufam, a nota sobe para 774,87. Gabriel Victor Fernandes, o primeiro lugar no curso no exame do ano passado,  fez 800,39 pontos, 12 a mais que o segundo colocado. As aulas na Ufam começam em março.

Conhecimento não basta, diz educadora

De acordo com a corrdenadora de ensino médio do Centro Educacional Adalberto Valle, Rubya Campos, o bom profissional no mercado de trabalho precisa ter, além de conteúdo, comportamento adequado e atitudes éticas.  Segundo ela, alguns desses valores são ensinados na sala de aula, no entanto a parceria entre família e escola continua sendo a fórmula mágica para o sucesso do aluno.

“Aqui no Ceav nós ensinamos que a vida vai além do vestibular. Cerca de 60% dos empregadores contram o funcionário por conta da inteligência e quase 100% demitem devido ao comportamento irregular”, disse Rubya Campos.

O professor do Ceav Marçal Leal, que acompanhou todos os estudantes durante a preparação para o vestibular, disse que além do conteúdo programático e  dos simulados, a escola também oferece a oportunidade para que o aluno se engaje em projetos que beneficiem a população.

“A robótica desperta o prazer de conhecer, compreender, descobrir, construir, reconstruir, além da curiosidade para inventar, envolvendo o processo de imaginar, raciocinar e criar. As aulas de robótica colocam em prática conceitos matemáticos e físicos de modo a desenvolver o raciocínio lógico, por meio de projetos e competições”, afirmou o professor.

Qual o segredo para conquistar bons resultados?

“Como eu descobri o que eu queria fazer apenas no meio do ano passado, não tive muito tempo para me aperfeiçoar em exatas, mas sempre tive ajuda da família nos meus estudos”. -  Arthur Gabriel Cardoso, 17,  primeiro lugar em Engenharia Civil na Ufam.

“Infelizmente, apesar do conhecimento obtido com a ajuda da escola, algumas universidades públicas não dispõem de cursos  na área de Veterinária, que é meu grande sonho”. - Beatriz Lima dos Santos, 18 primeiro lugar em Ciências Biológicas na Ufam.

“Eu mantive a calma e foquei em interpretação de texto. Hoje em dia, as provas necessitam de uma análise textual e muitos candidatos esquecem disso. Fiquei surpresa quando consegui o primeiro lugar”. - Maíra Salem Filó, 18,  primeiro lugar em direito na Ufam.

“Quero ser diretora de cinema. Como aqui não há opções, quero aproveitar para conseguir todos os créditos possíveis e assim conseguir uma vaga em uma universadade fora”. - Maria Beatriz Freire, 17 primeiro lugar em Teatro na UEA e Artes Visuais na Ufam. 

“Eu não tenho muita afinidade com a disciplina que eu escolhi, mas sei que o resultado é importante. Vou me esforçar ainda mais para conseguir o que eu quero e continuar estudando.” - Ricardo Guedes Filho, 18, primeiro lugar em Engenharia Mecânica na Ufam.

“Eu aproveitei muitos assuntos que a escola já tinha ministrado para responder questões, principalmente de química e física. Humanas era o meu fraco, por isso estudei e consegui.” - Gabriel Victor Fernandes, 20, primeiro lugar em Medicina Geral na Ufam.

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