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Manaus
VIOLÊNCIA

Oito em cada dez denúncias de estupro de menores em Manaus são verídicas

Zona Norte da capital é a região com maior número de casos, segundo a delegada Joyce Coelho, titular da Depca 19/05/2018 às 08:46 - Atualizado em 19/05/2018 às 10:08
Show depca
Foto: Jander Robson
Danilo Alves Manaus (AM)

A cada dez denúncias de estupro em menores de idade registradas diariamente na Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), oito são apuradas pela equipe de investigação como verídicas. A titular da Depca, Joyce Coelho, informou que a maioria das vítimas são meninas entre 7 e 11 anos. Os dados foram divulgados durante o evento da Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), em alusão ao dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, ocorrido nessa sexta-feira (18) na Praça do Congresso, no Centro de Manaus.

A delegada explicou que a Zona Norte é o local onde se concentra o maior número de casos. “Em segundo lugar fica a Zona Leste de Manaus. O atendimento à criança é feito no lugar que a vítima se sentir mais confortável para falar. A maioria das denúncias são realizadas na delegacia, porém, nossa equipe visita quando a vítima está no abrigo ou até em hospitais, pois é preciso realizar o exame comprobatório imediatamente para que, em seguida, encaminhemos a criança à rede de proteção de Estado”, afirmou.

Além de Joyce Coelho, o evento contou com depoimento de frentes sociais e representantes da Seas. A titular da pasta, Auxiliadora Abrantes, contou que está sendo realizado um trabalho de divulgação na capital e interior do Estado. Cerca de 60 municípios do Amazonas foram apresentados ao projeto.

“É importante lembrar que todos nós temos o compromisso de enfrentar a violência contra nossas crianças e adolescentes, com ações tanto do poder público municipal, estadual e federal, quanto a sociedade civil e os movimentos sociais. Todos temos o papel de cuidar, proteger e defender nossas crianças e adolescentes. A Seas tem realizado ações de promoção que fazem o enfrentamento ao problema e ainda oferece capacitação aos municípios para atuarem no atendimento às vítimas destes crimes”, frisou.


Detalhe da peça “A Jaula”, ontem na Praça do Congresso, durante evento de conscientização contra o abuso. Foto: Evandro Seixas

Graça Sales, secretaria executiva estadual do comitê de enfrentamento de abuso sexual a crianças e adolescente, repassou o número de 123 jovens, de 7 a 15 anos, que estão abrigados na capital. Ela explicou que as denúncias na capital tem aumentado nos últimos três anos, principalmente de membros da comunidade em que a vítima convive.

“Em 2017 foram 520 casos confirmados de crianças atendidas e boa parte foram denúncias de vizinhos. A família também é participativa, mas sempre é a pessoa que a criança tem mais receio de contar”, disse.

O evento também contou com apresentações musicais e de teatro, com destaque para a peça “A Jaula”, que retratou o assunto de forma polêmica.

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