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Ônibus com documentação irregular deixam passageiros antes do Porto da Ceasa

Para escapar das vistorias e apreensões da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os ônibus dos sistema de transporte público estão fazendo o retorno antes da barreira policial 19/11/2013 às 08:41
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Pelo menos seis coletivos ficaram apreendidos no posto da Polícia Rodoviária Federal nas últimas quatro semanas
Mônica Prestes Manaus, AM

Ônibus do sistema de transporte público estão interrompendo a rota e deixando os passageiros no meio do caminho para fugir da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na rodovia BR-319, Zona Sul de Manaus. A prática, que passou a ser adotada nas últimas semanas, é motivada pela documentação irregular dos veículos, segundo relatos de usuários e motoristas.

Durante todo o dia, ônibus de linhas que deveriam seguir até o porto da Ceasa, na Zona Sul, deixam os passageiros em uma parada de ônibus e fazem retorno a alguns metros da barreira da PRF na rodovia BR-319. A quem tem o porto da Ceasa como destino, resta andar o restante do caminho, aproximadamente um quilômetro. 

Caminhada que pode ser cansativa com o sol forte, sacola de compras e um bebê de um ano nos braços, conta a dona de casa Tânia Maria de Sales Sales, 33. “A gente paga pra ficar no porto, mas o ônibus não pode passar na barreira porque não tem documento, é um absurdo. Tenho um bebê de um ano e minha ex-cunhada tem um filho de dois anos e temos que andar tudo isso com eles no colo, com chuva ou sol”, relatou.

Na semana passada, a reportagem flagrou ônibus fazendo o retorno antes da barreira da PRF, obrigando os passageiros a descer e seguir viagem a pé ou esperar, na parada, por outro veículo que pudesse passar pela barreira policial. Um dos passageiros era o vendedor Francisco Souza Lima, 38, que decidiu esperar por outro ônibus para chegar ao destino, por conta do sol forte das 11h30. “Vim no 355 e tive que ficar no meio do caminho porque o ônibus não podia passar pela barreira da PRF. Ainda precisei esperar mais dois ônibus, porque o 418 que veio em seguida também retornou antes”, reclamou o vendedor.

Francisco, que trabalha em uma banca de lanches na parada de ônibus da Ceasa, conta que vários ônibus de diferentes linhas estão interrompendo a rota antes da barreira da PRF. “É o dia inteiro. Desde que prenderam uns ônibus que estavam com o documento atrasado eles começaram a fazer isso”, disse.

‘Cumprindo ordens’

Segundo um funcionário de uma empresa de transporte, que preferiu não se identificar por medo de represálias, os motoristas estão seguindo orientações de superiores para evitar a fiscalização da PRF em veículos com a documentação irregular. A medida foi adotada, de acordo com ele, após a apreensão de ônibus com os documentos irregulares na barreira da PRF. “A ordem é pra não deixar prender o ônibus”, relatou.

De acordo com uma cobradora, que também pediu para não ser identificada, são poucos os ônibus novos adquiridos pelas empresas que foram destinados às linhas que passam por aquela parte da cidade e, por isso, os problemas na documentação dos veículos dessas linhas são mais frequentes que em outras. “Eles (empresários) não querem colocar os ônibus novos para aquelas linhas por causa dos buracos no Distrito, que quebram os carros. Aí sobram só os velhos e muitos estão com documento atrasado”, relatou.

PRF observa ‘sem poder fazer nada’

De dentro do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os policiais observam a manobra feita pelos motoristas de ônibus para escapar da fiscalização, prática que, segundo eles, é frequente. “A gente sabe que eles estão fazendo isso porque vemos os ônibus retornando e aquele grupo de passageiros descendo a rua a pé, mas não podemos fazer nada. Eles estão fora da nossa área”, disse o policial rodoviário federal R.Lemos, que revelou que a medida passou a ser adotada depois das apreensões de veículos irregulares.

Só nas últimas quatro semanas foram aprendidos entre seis e dez ônibus com algum tipo de irregularidade, informou ele. “As apreensões acontecem não por falta de pagamento de IPVA, pois os ônibus são isentos desse imposto. A irregularidade está na falta de pagamento do seguro obrigatório DPVAT e das taxas do Detran”, disse.

De acordo com R. Lemos, todos os ônibus apreendidos por problemas na documentação já tiveram a situação regularizada junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e foram liberados.  Atualmente só permanecem no local três ônibus, sendo que dois pertencem ao consórcio Transmanaus, que antecedeu o atual responsável pelo transporte público de Manaus.

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