Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020
DISTRITO INDUSTRIAL

Ônibus irregulares encurtam rota e geram transtornos para quem vai ao Porto da Ceasa

Após apreensão de ônibus com documentação em atraso pela Polícia Rodoviária Federal, empresas deixam usuários no meio do caminho



215.JPG Além de não terem sido avisados sobre a mudança, usuários reclamam de terminal improvisado e da demora dos coletivos. Foto: Aguilar Abecassis
31/01/2017 às 11:29

A implantação de um terminal improvisado na rotatória entre a avenida Abiurana e BR-319, no bairro Mauazinho, na Zona Leste, está tirando a paciência dos moradores do local. O problema é que, como a  maioria dos coletivos que atendem a área está com o  licenciamento atrasado, os veículos irregulares evitam passar pelo posto de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para não serem apreendidos e o usuário acaba tendo dificuldades para chegar até o Porto da Ceasa.

Desde a última sexta-feira, quando sete veículos de linhas diferentes foram apreendidos pela PRF, as empresas “adotaram” um sistema diferenciado para atender a demanda. As linhas convencionais  param na “Bola da Gilete”, os passageiros descem, mas são obrigados a esperar uma linha alternativa (Interbairros) lotar para seguir viagem até o Porto da Ceasa ou fazer o trajeto oposto (Ceasa-Bola da Gilete).  A demora pode ultrapassar os 20 minutos em trajeto que pode ser feito em menos de 8 minutos.



“Tem quatro dias que estamos nessa situação. Os ônibus não descem para a Ceasa por causa da fiscalização e quem sofre são os usuários”, reclamou  a recepcionista Ayurany Vila Lobos, 37. Ela é venezuelana e relatou ter ficado confusa com a mudança. “Eu moro na Vila da Felicidade e fomos pegos de surpresa por essa mudança, principalmente porque os ônibus estão demorando mais tempo que o de costume para passar”, afirmou ela, que trabalha no Centro.

O vigilante Antônio Marques, 40, também reclamou da inexistência de infraestrutura da nova parada de ônibus. “Não tem cobertura. Então a gente fica no sol ou na chuva esperando um bom tempo para o ônibus passar. Eu tive que sair mais cedo de casa hoje (ontem) e ainda vou chegar atrasado no meu trabalho”, contou.

Caminhada

O comerciante Edvaldo Santos, 42, também relatou que quem não aguenta esperar o interbairros seguir até a Ceasa, opta em seguir o trajeto a pé, ao longo da rodovia. “Eu acho um absurdo a gente pagar uma passagem mais cara e esses ônibus estarem em situação irregular. Todos os dias centenas de pessoas  atravessam o rio e precisam ir para outros pontos da cidade, mas sem ônibus fica difícil. Por isso que tem gente que acaba indo andando até a bola ou vêm de lá para cá, para não ficar esperando”, desabafou ele.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) confirmou  que o problema vem ocorrendo, mas não deu  um prazo para que o problema seja solucionado. A única medida tomada até agora foi a de disponibilizar uma linha alimentadora para levar os passageiros da Bola da Gilete até a Ceasa gratuitamente.

‘Iremos verificar’

 Em nota, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU)  informou que irá verificar as implicações contratuais em relação à obrigatoriedade de pagamento do Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), já que até 2015 as empresas eram isentas, e reforçou que as vistorias nos ônibus do transporte coletivo são feitas de forma periódica, nas garagens das empresas ou em casos de denúncias. De acordo com a PRF, as fiscalizações na BR-319 são feitas regularmente e os veículos irregulares,  além de apreendidos, foram multados por cometerem infração gravíssima.

Problema é antigo na Zona Leste

Os problemas com os ônibus em situação irregular no Mauazinho são antigos.  Em 2014, vários veículos do transporte coletivo chegaram a ser apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) por não apresentarem o devido licenciamento anual, que é exibido para qualquer veículo conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Atualmente, as linhas 013, 418, 122, 355, 213, 215 e 713 atendem os usuários na região, mas todos os veículos estão apresentando a mesma irregularidade.

De acordo com a PRF, alguns dos ônibus apreendidos na semana passada estão com os licenciamentos atrasados desde 2015.

A infração é considerada gravíssima e rende multa de R$ 293,47, conforme o CTB.


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