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Manaus
DISTRITO INDUSTRIAL

Ônibus irregulares encurtam rota e geram transtornos para quem vai ao Porto da Ceasa

Após apreensão de ônibus com documentação em atraso pela Polícia Rodoviária Federal, empresas deixam usuários no meio do caminho 31/01/2017 às 11:29 - Atualizado em 31/01/2017 às 13:55
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Além de não terem sido avisados sobre a mudança, usuários reclamam de terminal improvisado e da demora dos coletivos. Foto: Aguilar Abecassis
Kelly Melo Manaus

A implantação de um terminal improvisado na rotatória entre a avenida Abiurana e BR-319, no bairro Mauazinho, na Zona Leste, está tirando a paciência dos moradores do local. O problema é que, como a  maioria dos coletivos que atendem a área está com o  licenciamento atrasado, os veículos irregulares evitam passar pelo posto de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para não serem apreendidos e o usuário acaba tendo dificuldades para chegar até o Porto da Ceasa.

Desde a última sexta-feira, quando sete veículos de linhas diferentes foram apreendidos pela PRF, as empresas “adotaram” um sistema diferenciado para atender a demanda. As linhas convencionais  param na “Bola da Gilete”, os passageiros descem, mas são obrigados a esperar uma linha alternativa (Interbairros) lotar para seguir viagem até o Porto da Ceasa ou fazer o trajeto oposto (Ceasa-Bola da Gilete).  A demora pode ultrapassar os 20 minutos em trajeto que pode ser feito em menos de 8 minutos.

“Tem quatro dias que estamos nessa situação. Os ônibus não descem para a Ceasa por causa da fiscalização e quem sofre são os usuários”, reclamou  a recepcionista Ayurany Vila Lobos, 37. Ela é venezuelana e relatou ter ficado confusa com a mudança. “Eu moro na Vila da Felicidade e fomos pegos de surpresa por essa mudança, principalmente porque os ônibus estão demorando mais tempo que o de costume para passar”, afirmou ela, que trabalha no Centro.

O vigilante Antônio Marques, 40, também reclamou da inexistência de infraestrutura da nova parada de ônibus. “Não tem cobertura. Então a gente fica no sol ou na chuva esperando um bom tempo para o ônibus passar. Eu tive que sair mais cedo de casa hoje (ontem) e ainda vou chegar atrasado no meu trabalho”, contou.

Caminhada

O comerciante Edvaldo Santos, 42, também relatou que quem não aguenta esperar o interbairros seguir até a Ceasa, opta em seguir o trajeto a pé, ao longo da rodovia. “Eu acho um absurdo a gente pagar uma passagem mais cara e esses ônibus estarem em situação irregular. Todos os dias centenas de pessoas  atravessam o rio e precisam ir para outros pontos da cidade, mas sem ônibus fica difícil. Por isso que tem gente que acaba indo andando até a bola ou vêm de lá para cá, para não ficar esperando”, desabafou ele.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) confirmou  que o problema vem ocorrendo, mas não deu  um prazo para que o problema seja solucionado. A única medida tomada até agora foi a de disponibilizar uma linha alimentadora para levar os passageiros da Bola da Gilete até a Ceasa gratuitamente.

‘Iremos verificar’

 Em nota, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU)  informou que irá verificar as implicações contratuais em relação à obrigatoriedade de pagamento do Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), já que até 2015 as empresas eram isentas, e reforçou que as vistorias nos ônibus do transporte coletivo são feitas de forma periódica, nas garagens das empresas ou em casos de denúncias. De acordo com a PRF, as fiscalizações na BR-319 são feitas regularmente e os veículos irregulares,  além de apreendidos, foram multados por cometerem infração gravíssima.

Problema é antigo na Zona Leste

Os problemas com os ônibus em situação irregular no Mauazinho são antigos.  Em 2014, vários veículos do transporte coletivo chegaram a ser apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) por não apresentarem o devido licenciamento anual, que é exibido para qualquer veículo conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Atualmente, as linhas 013, 418, 122, 355, 213, 215 e 713 atendem os usuários na região, mas todos os veículos estão apresentando a mesma irregularidade.

De acordo com a PRF, alguns dos ônibus apreendidos na semana passada estão com os licenciamentos atrasados desde 2015.

A infração é considerada gravíssima e rende multa de R$ 293,47, conforme o CTB.

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