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Manaus
TRECHO DO MEIO

Ônibus espera quatro dias para conseguir vencer lamaçal em trecho da BR-319

Veículo com 24 passageiros vindo de Humaitá teve de esperar todo esse tempo pelo socorro da empresa contratada pelo Dnit para fazer a recuperação deste trecho da via, que, em meio à lama, está intrafegável 16/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 16/05/2017 às 09:43
Show 319
Lama impediu a passagem do ônibus e viagem seguiu em outro veículo (Fotos: Jean Santiago/Freelancer)
Silane Souza Manaus (AM)

O trecho entre as comunidades Igapó-Açú e Realidade, na rodovia BR-319, que ligar Manaus (AM) a Porto Velho (RO), está praticamente intrafegável por causa das precárias condições da estrada. Na última semana, um ônibus de uma empresa de transporte de passageiros de Humaitá não conseguiu passar e seguir viagem para a capital. Foram quase quatro dias tentando. Ao final, os passageiros tiveram que ser resgatados por outro veículo e o ônibus retornou para Humaitá.

A extensão em questão faz parte do famoso “trecho do meio”, localizado entre os quilômetros 250 e 655, que ainda aguarda licença ambiental para ser asfaltado. De acordo com o fotógrafo Jean Santiago, a área é conhecida hoje como “piscinão de lama” porque são em torno de 100 a 200 quilômetros só de lamaçal. “O atoleiro é tão grande que nem dois tratores puxando o ônibus deu jeito. Ficamos quase quatro dias tentando e não conseguimos passar com o ônibus”, contou.

Conforme Santiago, o ônibus da Siqueira Tur saiu na última terça-feira de Humaitá com destino a Manaus. A previsão era chegar na capital amazonense na quarta-feira, mas os passageiros só cheraram no domingo. Ele destacou que a empresa Tescon Engenharia, contratada pelo Governo Federal para fazer a manutenção naquele trecho, demorou a prestar auxílio e quando foi em socorro não o fez como deveria. “O engenheiro praticamente mandou a gente se virar”, afirmou.

O ônibus trazia em torno de 24 passageiros entre adultos, crianças e idosos, de acordo com Jean Santiago. Todos dormiram dentro do veículo no primeiro dia que não conseguiram passar pelo lamaçal, nos demais, eles foram levados para uma pousada a 12 quilômetros de distância. “Em nenhum momento faltou água e comida. A empresa dona do ônibus nos atendeu muito bem e quando viu que o ônibus não passaria pelo piscinão de lama nos mandou em outro para Manaus”, destacou.

Para o presidente da Associação dos Amigos e Defensores da BR-319: Um Direito Nosso, André Marsílio, a situação pela qual essas pessoas passaram demonstra que das três empresas que prestam serviço no “trecho do meio”, uma delas está prestando um desserviço. “Apenas esse trecho onde a Tescon faz a manutenção está assim. Nos outros não está tão precário desta forma. Vamos entrar com documento no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) e MPF (Ministério Público Federal) para retirar essa empresa”, disse.

A reportagem entrou em contato com o Dnit acerca das precárias condições do trecho da rodovia BR-319 mantido pela Tescon, mas até o fechamento desta edição não houve retorno. O órgão também não se manifestou sobre o processo de licenciamento do “meião”.

Percurso ainda não pode ser retomado

O ônibus da Siqueira Tur que não conseguiu passar pelo trecho entre as comunidades Igapó-Açú e Realidade, na rodovia BR-319, voltou ontem para Humaitá, de acordo com o proprietário da empresa, Luiz Siqueira. Conforme ele, a viagem era de reconhecimento justamente para saber como estava à situação da estrada. “Em 2016, mesmo com todas as dificuldades não paramos as viagens, mas este ano, a situação ficou precária e desde março não fazíamos nenhuma viagem”, contou.

Siqueira afirmou que a viagem mostrou que elas ainda não podem ser retomadas pela empresa devido às péssimas condições desse trecho que fica no “meião”. Ele revelou que fará outra viagem de reconhecimento no próximo dia 10 de junho e destacou que não pensa nos prejuízos. O importante é não deixar a rodovia ficar no esquecimento. “Precisamos lembrar que essa estrada existe e precisa ser asfaltada, se nós pararmos isso não vai acontecer. Temos que continuar lutando”, declarou.

Sem infraestrutura

A rodovia em si, quase não possui sinalização. Faltam placas informativas das quilometragens e de quais regras do trânsito precisam ser seguida. A estrada não possui nenhuma sinalização na pista, não se sabe qual é o meio ou as laterais. Na curvas, quase a metade de uma parte da rodovia não existe mais.

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