Domingo, 20 de Outubro de 2019
Centro Seguro 3

Operação 'Centro Seguro 3' fecha bares e fiscaliza hoteis na área central de Manaus

Bares foram fechados e pessoas presas durante ação policial realizada próxima ao terminal da igreja Matriz, no centro de Manaus



1.jpg No Bar do Leite policiais encontraram uma série de irregularidades e trouxinhas de drogas prontas para serem comercializadas para os frequentadores da noite
28/09/2013 às 08:06

A terceira etapa da operação Centro Seguro realizada por volta das 16h de sexta-feira(27), resultou na prisão de duas pessoas por tráfico de drogas e no fechamento de seis bares da região próxima ao terminal da Igreja Matriz. Outras três pessoas foram levadas à seccional Sul da Polícia Civil, onde foi montada a central de flagrantes, para prestar esclarecimentos. Até o fechamento desta edição, a polícia não confirmou a presença de menores de idade no local. Nenhum hotel foi fechado.

A investigação durou aproximadamente dois meses  e envolveu mais de 100 homens das polícias civil e militar para o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão contra o tráfico de drogas e prostituição. Outros 16 órgãos municipais, entre eles a Secretaria Municipal Extraordinária para Requalificação do Centro (Semex), integraram a ação que tem como objetivo a revitalização da região.



Os alvos foram identificados pela inteligência da polícia civil nas ruas Frei José dos Inocentes, Henrique Antony, Itamaracá, Tamandaré e Visconde de Mauá. Segundo a polícia, 15 equipes estavam em ação simultânea no Centro e a operação deveria entrar pela noite e madrugada de hoje.

No entanto, a concentração ocorreu na rua Visconde de Mauá. No Bar da Cida foram encontradas aproximadamente 119 trouxinhas de cocaína. Cídia Marques dos Santos, 43 foi presa em flagrante. No Bar do Leite outras 45 trouxinhas de cocaína foram apreendidas. O proprietário, Raimundo Leite da Silva, 55, foi preso. Os estabelecimentos foram lacrados. No Bar do Leite foi apreendido uma quantidade de dinheiro não revelada. O proprietário anotava em código, identificando os papelotes como “cigarro, red bull”, entre outros, todos pelo valor de R$ 10.

Tv a cabo, luz, água  e internet

“O problema é que deixaram isso aqui assim por muito tempo e agora só isso não vai resolver. Foi assim com aquela invasão: demoraram mais de três meses para fechar”. As palavras são do prestador de serviços, Sebastião Ramos de Oliveira, 45, que frequenta a rua Visconde de Mauá há mais de 20 anos. Assim como ele, outras mulheres que fazem programa no local assistiam a ação pacificamente.

Funcionários das concessionárias de energia e água “aproveitaram” para verificar a existência de gatos. Uma empresa de TV a cabo e Internet também. “Normalmente não entramos aqui para isso, somente com escolta policial”, informou um funcionário da Eletrobras Amazonas Energia que pediu para não ter o nome revelado.

O conselheiro tutelar Clodoaldo Santos disse que não costuma fazer abordagens no local por ser uma “área vermelha”. “É a região mais problemática da cidade porque abriga migrantes de outros bairros de Manaus”, disse.

Vulnerabilidade  social

A vendedora de roupas Vera Lúcia dos Santos, 44, tem uma loja de roupas em uma galeria próximo à rua Visconde de Mauá. Segundo ela, é comum ver mulheres com os filhos ainda em fase de amamentação fazendo programa e se drogando no local. “A gente vê que algumas dão cachaça para crianças pequenas”.

Na mesma rua está a comunidade Católica Nova Aliança, que busca evangelizar dependentes químicos e moradores de rua, além de fazer o trabalho de mediação para retirada de documentos e atendimento médico. Trabalhando há mais de 10 anos no local, um das funcionárias que pediu para não ter o nome revelado, disse que é comum ver bebês de colo, principalmente durante os finais de semana, em meio ao ambiente de drogas e prostituição. “A gente não sabe por que o conselho tutelar não vem aqui”. Do alto da experiência adquirida no local, ela acredita que apenas o trabalho de evangelização “não dá conta do recado”. “É bom que tenha essa operação, assim dá uma amenizada, mas tem que fazer isso sempre. Ouvimos até alguns dizendo que já sabiam que a operação ia acontecer”.


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