Quarta-feira, 22 de Maio de 2019
COMBATE

Operações policiais no AM aumentarão nos próximos meses, diz secretário

Desde o início do ano, a SSP-AM intensificou as operações em Manaus e no interior do Estado, mas segundo o secretário Louismar Bonates, as atividades serão reforçadas



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O titular da SSP-AM concedeu entrevista exclusiva para RCC nesta sexta. Foto: Euzivaldo Queiroz
10/05/2019 às 18:26

O número de operações policiais no Amazonas deve aumentar ainda mais nos próximos meses. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (10), durante entrevista exclusiva com o titular da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), Louismar Bonates. Nessa quinta-feira (9), a Polícia Civil deflagrou mais outra operação e prendeu uma organização criminosa envolvida em homicídios e tráfico de drogas em Manaus.

O secretário de segurança do Amazonas afirmou que as polícias têm "atacado" nas operações os crimes violentos, como roubos, homicídios, tráfico de drogas e feminicídios. "Essas operações estão sendo feitas, após recebimento de denúncias das comunidades. Nós entendemos que o combate ao grande tráfico precisa ser feito com a retirada das drogas, porque precisamos quebrar a parte financeira dos grupos criminosos organizados. Este ano, apreendemos mais de 3 toneladas de drogas e atingimos uma média maior do que foi alcançada no ano passado", explicou.

Segundo o secretário, por conta das várias operações realizadas na capital e no Estado, o policial do Amazonas tem ficado mais cansado. No entanto, Bonates destaca que as operações devem ser intensificadas. "Existe um desgaste maior da polícia, porque além do trabalho normal que o policial tem por meio das suas escolas de serviço, em um determinado dia do mês ou da semana, ele tem que acordar uma ou duas horas da manhã para começar a trabalhar de madrugada. Então, o desgaste físico e psicológico é maior do nosso homem, mas ele sabe que é necessário para a gente ter paz lá na frente. Vamos aumentar ainda mais as operações. É um trabalho de formiguinha, você tira o maior na hierarquia da organização criminosa, e o segundo vira líder, aí ficamos correndo atrás", comentou Bonates.

Mapeamento de armas

Durante a entrevista, o secretário ainda aproveitou para defender o projeto de premiar, com valores entre R$ 300 a R$ 1 mil, policiais militares que apreenderem armas de fogo ilegais no Amazonas. O governador Wilson Lima (PSC) encaminhou no dia 29 de abril uma mensagem governamental para a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) pedindo a aprovação do projeto de lei.

"Só com pequenas mudanças que fizemos no 'modus operandi' da polícia, já conseguimos dobrar do ano passado para cá, a quantidade de armas apreendidas. A partir do momento que isso for feito como prêmio, o policial poderá se encontrar cansado, mas ele vai se esforçar para ter essa recompensa. A quantidade de abordagens a veículos com cidadãos suspeitos que tenham armas será muito maior. A gente tirando essas armas de circulação, vamos baixar o número de homicídios", opinou o secretário.

Bonates também fez um mapeamento das armas mais utilizadas nos crimes no Estado. Segundo ele, os criminosos preferem utilizar armas curtas, como pistola e revólver. "Estas são as mais utilizadas, mas espingardas, fuzis e metralhadoras também são. Claro, essas últimas com uma quantidade menor, mas com o poder de fogo maior, então oferece mais perigo", explicou.

Rocam Moto

Anunciado no mês de fevereiro pela SSP-AM, o batalhão de policiamento ostensivo em motocicletas, denominado como Rocam Moto, ainda não começou a atuar em Manaus. Segundo o secretário, a demora no projeto se deu por conta do processo licitatório. O prazo para que as atividades começem a ser realizadas é entre dois ou três meses, no máximo. 

"Fizemos uma licitação da moto, fardamento, equipamento de proteção e rádio. Como foi tudo junto, deu vazia em alguns itens e nós precisamos desmembrar, mas nós já fechamos a moto. Uma empresa foi vencedora, e outras duas entraram com recurso, por isso a demora. Não posso precisar uma data, porque o processo licitatório me atrasou. Acredito que entre dois ou três meses já estaremos com o Rocam Moto em atividade", destacou.

Bonates disse que a Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM) já iniciou o treinamento das equipes que farão parte do batalhão. A turma do Rocam Moto será formada por pilotos profissionais da polícia.

"Estamos pegando profissionais que são batedores ou trabalham em escolta, para que a gente consiga ter uma qualidade melhor no trabalho que será desenvolvido. Eles não vão aprender a pilotar, eles já são pilotos profissionais. Agora, é só adequar para esse novo tipo de serviço", completou.

Crimes contra a mulher

Com a proximidade do Dia das Mães, o secretário também destacou que crimes contra a mulher dependem da "educação dos seres humanos". "Mesmo não tendo como impedir, estamos fazendo um trabalho de conscientização para a população. Estamos prendendo e levando o inquérito com muita celeridade para que o cidadão que cometeu esse crime, saiba que a resposta foi imediata", disse.

Segundo a SSP-AM, os números de violência contra mulher só crescem, no Amazonas. Só nos três primeiros meses de 2019, 1.970 inquéritos desse tipo de crime foram instaurados. Número que supera os registros no mesmo período de 2018 e 2017.

"Se o cidadão quer bater na mulher, mas sabe que pode ir para cadeira mesmo, a probabilidade dele cometer esse crime é bem menor. Devemos fazer também trabalho de conscientização nas comunidades, centros comunitários e escolas, orientando as crianças para quando elas verem os seus pais brigando, pedirem apoio da polícia. Aqui no Amazonas disparou crimes de feminicídio. É algo que nos preocupa", afirmou o secretário.

Integração

Entre os dias 20 e 25 de Março, Manaus recebe o Seminário-Técnico Interestadual de Abordagem a Embarcações, no Centro de Convenções Vasco Vasques, localizado na Zona Centro-Sul de Manaus. O evento contará com a participação de policiais militares, civis, federais e integrantes da Forças Armadas.

"O nosso maior problema com as drogas é na fronteira. Temos mais de 3 mil quilômetros de fronteira molhada e precisamos fazer um trabalho de fechamento dessa fronteira com o sistema de segurança. Como essas ações são nas águas, precisamos nos conhecer. Fazendo esse seminário para troca de ensinamentos, teremos policiais de diferentes polícias conhecendo como cada um trabalha", finalizou Bonates.

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Repórter de A Crítica

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