Sábado, 06 de Junho de 2020
DEFESA DA CIÊNCIA

Órgãos de ciência emitem notas de repúdio contra ameaças a pesquisadores do AM

Ao menos 70 profissionais de instituições como Fundação de Medicina Tropical, UEA, USP e Fiocruz sofreram ataques e ameaças nas redes sociais durante a semana devido ao estudo com a cloroquina feito no Amazonas



foto03cul-102-ciencia-d25_6771A4E9-AE5E-41D2-A821-01DAE1A476E2.jpg Foto: Reprodução/Internet
18/04/2020 às 18:58

Ao menos cinco instituições de pesquisa e ciência do Amazonas e do Brasil emitiram notas de repúdio contra ataques que 70 profissionais que conduzem o estudo com a cloroquina no Amazonas vêm sofrendo durante a semana. Os ataques, geralmente feitos por meio de redes sociais, começaram após a publicação do estudo CloroCovid-19, que concluiu que dosagens altas da cloroquina, como as usadas por chineses, causam riscos cardíacos a pacientes graves.

As investigações sobre os ataques contra os pesquisadores estão sendo conduzidas pela polícia do Amazonas.



Por meio de seu portal institucional, a Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) destacou a necessidade de proteger a integridade e a vida dos pesquisadores brasileiros.

“A Sociedade Brasileira de Virologia vem a público repudiar qualquer ameaça de morte a pesquisadores devido aos resultados de seus estudos. O exercício cientifico visa notificar e dar amplo acesso aos resultados obtidos, idealmente sem conflito de interesses. Além disso, segundo o código penal, intimidar alguém impondo-lhe temor de sofrer mal injusto e grave é crime de ameaça”, pontuou a publicação.

Ainda conforme a nota, a SBV destacou que os pacientes que morreram no decorrer do estudo estavam em estado muito grave devido a Covid-19, vindo a falecer por conta da doença, o que ocorreu dentro da média mundial. A afirmação é uma contraposição a suposição que ativistas políticos que lideraram os ataques levantaram, dizendo que todos os 11 pacientes no decorrer do estudo teriam como motivo dos óbitos a alta dosagem. Acontece que, segundo o próprio estudo, nem todos os 11 pacientes que vieram a óbito usaram a alta dose do medicamento.

“Consequentemente, uma onda de reações de natureza ideológica, a partir de pessoas que provavelmente não leram o estudo na íntegra, motivou manifestações violentas de cunho pessoal ao pesquisador principal, sua família e sua equipe, o que tem desviado a atenção e o foco do trabalho realizado aqui durante a pandemia”, continuou a nota da SBV, que concluiu:

“A polícia militar do Estado do Amazonas está vigilante e garantindo a segurança imediata de todos. Pacientes e seus familiares estão com medo do que pode ter acontecido na pesquisa, apesar da equipe estar em constante contato com todos os participantes e seus familiares, com o objetivo de orientar e confortar pessoas que já passaram por imenso trauma”.

Fiocruz

Também por meio do seu site institucional, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também se juntou aos repúdios e considerou como inaceitáveis os ataques aos pesquisadores.

“Estudos como esse são parte do esforço da ciência na busca por medicamentos e terapêuticas que possam contribuir para superar as incertezas da pandemia de Covid-19. A pesquisa CloroCovid-19 permanece em andamento e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep)”, disse a nota da fundação, que pontuou apoiar incondicionalmente o seu corpo de pesquisadores.

“A Fundação apoia incondicionalmente seu corpo de pesquisadores, que estão absolutamente comprometidos com a ciência e com a busca de soluções para o enfrentamento dessa pandemia, e reafirma seu compromisso com a missão de produzir, disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira”.

UEA

Se juntando aos repúdios, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) destacou que os ataques são provenientes de má interpretação dos estudos e explicou que o estudo, antes do seu início, foi aprovado por órgãos de ética em pesquisa e medicina.

“A UEA enfatiza que a ausência da capacidade de interpretação por parte dos agressores vem gerando diversas reações violentas a todos os pesquisadores do estudo, o que prejudica a execução da boa ciência, pois desviam o foco dos pesquisadores para situações desconfortáveis e injustas como as que se apresentam. É importante ressaltar que todo estudo cientifico antes do seu início é aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa em uma instância colegiada, deliberativa e permanente do Sistema Único de Saúde (SUS). Todos os participantes dos ensaios clínicos, ou seus responsáveis, assinam termos de responsabilidade e estão cientes dos riscos”, disse a nota da instituição.

SBMT

Em inglês, também no seu site, a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) pontuou o risco de vida que os pesquisadores participantes do estudo estão sofrendo para encontrar um medicamento eficaz contra o novo coronavírus.

“É inaceitável que os pesquisadores brasileiros que colocam suas vidas em risco para encontrar uma resolução para essa doença sofram com ataques cheios de sofismos vazios derivados de ideologias políticas, sem nenhum apoio na realidade ou sob evidências científicas”, disse a instituição.

Fapeam

Ao reconhecer o trabalho dos pesquisadores que realizam o estudo, a Fundação de Amparo a Pesquisa do Amazonas (Fapeam) destacou a necessidade de prudência com o trabalho realizado.

“O momento requer prudência e respeito ao trabalho dos profissionais que se dedicam intensamente ao desenvolvimento de pesquisas no âmbito da saúde pública no combate à Covid-19, seja no aprimoramento de processos e produtos, seja na condução de análises de diagnósticos ou seja na assistência aos pacientes para a mitigação e resolutividade dos graves problemas oriundos dessa doença”.

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