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Órgãos municipais afirmam que 'máfia do lixo' será investigada

Afirmação foi feita em audiência pública realizada nesta sexta-feira (13), que teve por objetivo cobrar providências sobre o descarte ilegal de lixo na cidade 02/06/2015 às 12:37
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Montanha de lixo acumulada no ramal do Nelson, no bairro Puraquequara, na Zona Leste, foi denunciada pelo A CRÍTICA
Lívia Anselmo Manaus (AM)

Manaus tem uma “máfia do lixo” que dá lucro a empresários enganando empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). A afirmação, do vereador e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Everaldo Farias, foi tema de uma audiência pública na manhã desta sexta-feira (13), após denúncia 

A comissão disse ter identificado três áreas que estão sendo utilizadas para o aterro de lixo industrial. Inclusive o que funciona em área verde, na Zona Leste, denunciado pelo A CRÍTICA no último dia 1º de março.

Dos órgãos convidados, apenas o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) não teve representantes na audiência. O objetivo da audiência pública, segundo Everaldo, foi cobrar dos órgãos ambientais o fechamento dessas áreas utilizadas ilegalmente.

Everaldo destacou que a maior preocupação da comissão é identificar quem são os empresários que estão agindo contra o meio ambiente. “O lixo de uma fábrica é muito pior do que o lixo doméstico. Para citar um exemplo, podemos falar que substâncias químicas que, no geral, estão presentes nesse tipo de lixo, contaminam o solo e água por mais de 100 anos”, ressaltou. 

Paulo Farias, titular da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), disse que os três pontos identificados estão na Zona Leste - dois deles ficam na estrada do Puraquequara e um no ramal do Brasileirinho, no bairro João Paulo. “Está havendo um desvio de comportamento por parte de algumas empresas que operam os resíduos. Elas cobram dos seus clientes como se estivessem dando um destino adequado ao lixo, em uma área licenciada. No entanto, na prática, e por intermédio de outros agentes, têm usado um destino clandestino. Isso não é correto e por isso estamos trabalhando nessa investigação”, informou.

Segundo Paulo, além da poluição ao meio ambiente, as empresas também desestruturam todo o sistema de coleta e manejo de resíduos, uma vez que adotam práticas comerciais predatórias, impedindo que novas prestadoras desse serviço se estabeleçam no mercado.

Competências

Ao final, o encaminhamento é de que a comissão e os órgãos municipais serão os responsáveis por identificar e notificar os responsáveis. Além disso, as empresas do PIM serão cobradas pelo cuidado com as prestadoras de do serviço de descarte do lixo. “Nós queremos saber quem são essas pessoas e com o consentimento de quem elas estão agindo”, disse Everaldo, ao levantar a suspeita de que há facilitação de funcionários dos poderes públicos e que isso também será investigado. 

Paulo e Everaldo não entraram em detalhes sobre os lucros que as lixeiras clandestinas estão gerando aos empresários que agem ilegalmente, no entanto, ambos declaram saber que os valores são altos. “Nós não temos números fechados e por isso não podemos afirmar e dar certeza, mas nós sabemos que há muito dinheiro envolvido”, ressaltou.

O encontro contou com a participação de representantes do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Semulsp, Delegacia Especializada em Meio Ambiente (DEMA), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável (SDS); Vara Especializada do Meio Ambiente e Questões Agrárias (VEMAQA), entre outros órgãos ligados ao assunto.

Aterros ilegais

No início do março, o A CRÍTICA mostrou que duas áreas da estão sendo utilizada irregularmente. Em nota, o Ipaam informou que realiza o monitoramento das lixeiras viciadas por imagens de satélite e por ações de fiscalização nas áreas do Distrito Industrial 1 e 2 e Puraquequara, que são áreas da competência do Ipaam, inclusive já tendo aplicado penalidades, conforme noticiado por este jornal.

A assessoria de imprensa do órgão explicou ainda que a impossibilidade de comparecimento à  audiência não significa que o órgão esteja indiferente à questão e que já foi definido um conjunto de procedimentos que serão executados, mas que não podem ser divulgados sob pena de comprometerem os resultados.

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