Publicidade
Manaus
Manaus

Origem do tiro que matou policial em operação será divulgada em dez dias pela Polícia Civil do AM

O policial Edson Cota foi alvejado por um disparo de uma pistola PT 40, de uso restrito da polícia, durante uma operação. A suspeita é que o disparo tenha vindo de um agente policial colega durante a ação 23/10/2013 às 21:08
Show 1
As imagens foram registradas pela equipe de reportagem da TV A Crítica
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

As imagens que registraram a morte do policial Edson Cota Willot, 45, morto durante ação para captura de homens suspeitos de roubo na manhã dessa segunda (22), serão analisadas pela Polícia Civil do Amazonas para descobrir a origem do disparo que atingiu o agente. Cota foi alvejado por um tiro de uma pistola PT 40, de uso restrito da polícia, possivelmente disparado por outro policial durante a ação.

Uma equipe da TV A Crítica acompanhou a operação deflagrada pelos policiais da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd) e registrou toda a ação. As imagens não mostram os suspeitos, que estavam sobre uma motocicleta, atirando contra o agente policial nem sequer empunhando alguma arma, mas sim eles olhando para o lado contrário à posição de Cota e caindo no chão após perder o controle do veículo.

O delegado geral de Polícia Civil, Josué Rocha, informou durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (23) que será criada uma comissão para trabalhar nas investigações sobre a morte de Cota, comissão que será presidida pelo diretor de polícia metropolitana, delegado Emerson Negreiros, e por mais dois delegados. O inquérito sobre o caso deverá ser concluído pela comissão no prazo de dez dias.

Segundo Rocha, além do trabalho da comissão, as imagens registradas pela TV A Crítica passarão por perícia e será feito um exame balístico nas quatro armas utilizadas pelos policiais e na arma que estava com os dois suspeitos. Um exame residográfico também será feito nas mãos dos suspeitos que conduziam a motocicleta.

“Eu não posso emitir nenhum juízo de valor. Uma coisa é você achar, outra coisa é a prova técnica. As imagens podem dar várias conotações e no momento em que houve a abordagem, nós ouvimos disparos vindos dos lados tanto dos bandidos quanto de policiais. Isso só será concluído através da perícia”, declarou o delegado geral.

Operação

A ação policial foi comandada pelo titular da Derfd, delegado Orlando Amaral, e tinha o objetivo de prender homens suspeitos de envolvimento em roubos do tipo “saidinha de banco”. Houve perseguição dos suspeitos e, durante troca de tiros, o policial acabou sendo atingido.

"A gente sabe que em uma missão de perseguição de bandidos, onde a adrenalina está em alta, a coisa pode fugir do controle rapidamente. Isso a gente admite, ele (Orlando Amaral) também admite. Porém dizer que não estava preparado para operação, ele não vai dizer isso. Até porque, preparado ele está”, disse Josué Rocha.

Repercussão nas redes

Nas redes sociais, alguns comentários feitos por leigos e até por militares, levantam a hipótese de um possível “fogo amigo” durante a morte de Edson Cota, isto é, a possibilidade do investigador ter sido atingido por tiro de arma de fogo disparado por um colega da equipe.

Colete balístico

O policial morto não usava colete à prova de balas durante a ação. Segundo o delegado geral, a doutrina da instituição determina que durante as operações os agentes estejam vestindo coletes balísticos, porém Edson Cota teria optado por não utilizá-lo. Josué Rocha negou que o policial tenha deixado de usar o equipamento para concedê-lo à jornalista da TV A Crítica. “Ele (delegado Orlando Amaral) foi taxativo em dizer que isso jamais ocorreu”, disse.

O secretário de Segurança Pública, coronel Paulo Roberto Vital informou que todos os policiais, militares e civis, receberam o kit individual de segurança. “Nossos policiais estão bem equipados e todos eles receberam os kits contendo armamento, coletes, cassetete, lanterna, entre outros. Se o policial não estava utilizando o equipamento, é outra questão que precisa ser vista posteriormente”, declarou.

“Houve uma fatalidade, jamais nós planejamos uma operação pensando numa baixa como esta. Teremos dez dias para a conclusão do inquérito. Nossa polícia está aparelhada para fazer os exames. Se tiver sido um erro operacional, as medidas serão tomadas, evidentemente medidas administrativas”, finalizou Josué Rocha.

Coberturas jornalísticas

Uma portaria foi assinada pelo delegado geral Josué Rocha proibindo a participação da imprensa em operações policiais. Clique nesse o link para assistir o vídeo que registrou o momento da morte do policial Edson Cota.

*Com informações do repórter Adriano Silva

Publicidade
Publicidade