Publicidade
Manaus
ABANDONADOS

Orla de Manaus é 'cemitério de embarcações' que concentram riscos a navegação

Além de poluir o meio ambiente,embarcações abandonadas na orla também oferecem risco à navegação e a população, visto que com a cheia a maioria das carcaças fica invisível 26/03/2016 às 15:20 - Atualizado em 06/04/2016 às 19:21
Silane Souza Manaus (AM)

Jet ski, lancha, barco, balsa, rebocador e até navio são abandonados numa espécie de “cemitério de embarcação” encontrado em diversos pontos da orla de Manaus. Além de poluir o meio ambiente, eles também oferecem risco à navegação e a população, visto que com a cheia a maioria das carcaças fica invisível. O pior de tudo é que não há ações efetivas da Capitania, do Município e do Estado para evitar que haja tantas embarcações abandonadas no que deveria ser o principal cartão postal da cidade.

No Educandos, na Zona Sul, balsas estão com o casco e o convés comidos pela ferrugem, um navio-fantasma está abandonado há quase meio século e vários esqueletos de barcos de médio e pequeno porte apodrecem ao longo das praias Ponta Branca e Amarelinho, assim como em áreas da Panair e do igarapé que leva o nome do bairro. Para quem mora naquela região, o perigo é enorme, especialmente para as crianças que costumam, mesmo em meio à poluição, tomar banho de rio.

Além disso, os entulhos trazem séries consequências para o meio ambiente e, principalmente para o rio Negro, um dos mais importantes da região. Esses efeitos ainda impactam direito na vida da população. “É uma poluição ambiental muito grande que torna o espaço desagradável de se conviver. O lixo traz doenças e ainda subtrai uma área que poderia ser usada para lazer e socialização dos moradores, mas nós a perdemos para a sujeira”, relata o integrante da Comissão Reviva o Educandos, Gil Eanes.

Na Marina do Davi, bairro Ponta Negra, Zona Oeste, também são encontradas muitas embarcações de médio e pequeno porte se deteriorando as margens do igarapé Tarumã-Açu. O fato revolta o canoeiro Nildo Teles. Para ele, a partir do momento que um barco deixa de navegar ele deveria ser descartado em local específico e não abandonado em qualquer lugar da orla da cidade, mas para isso é preciso ter uma fiscalização rigorosa.

“Como não existe um parqueamento para barcos velhos, como o Detran tem para carro, e nem quem oriente os proprietários a dar um destino correto às embarcações que não prestam mais, eles se prevalecem disso para abandoná-los na margem do rio. Só que o barco é um veículo documentado pela Capitania, esta deveria fazer fiscalização constante para punir essas pessoas. Mas isso não acontece”, afirmou Nildo.

Essas regiões não são exceções, são apenas dois exemplos do que ocorre na orla de Manaus de Oeste a Leste. A reportagem entrou em contato com órgãos de meio ambiente do município e do Estado, porém todos informaram que a atribuição de fiscalizar, punir ou retirar as carcaças da margem do rio Negro em Manaus não lhes compete.   

O Comando do 9º Distrito Naval, por sua vez, informou que compete à Capitania Fluvial Amazônia Ocidental (CFAOC) a retirada de tráfego das embarcações que não oferecem condições seguras à navegação. “A CFAOC emite uma Portaria direcionada ao proprietário da embarcação para conhecimento, a quem caberá retirá-la de tráfego”, disse em nota.

E destacou que caso a embarcação continue trafegando e seja abordada por uma equipe de Inspeção Naval da CFAOC, o responsável pagará multas e o condutor poderá ter a suspensão de sua habilitação, por estar comprometendo a segurança da navegação e pondo em risco a salvaguarda da vida humana.

O Comando salientou ainda que o local onde as embarcações são levadas compete ao proprietário da embarcação. Caso a embarcação esteja abandonada, o responsável poderá sofrer penalidades previstas por Órgãos Ambientais.

Personagem: Gil Eanis
Instituto de Cidadania e Desenvolvimento Social do Bairro de Educandos (ICDS-BE)

Comissão Reviva o Educandos

A praia da Ponta Branca está totalmente poluída e degradada. Virou um depósito de sucata de embarcação, um verdadeiro lixeiro a céu aberto. Tem balsa, barco, tonel, cilindro de oxigênio, resto de madeira e de ferro. Parte desse lixo é trago pela força da água do igarapé, outra é jogada pelos próprios moradores e ainda tem aquela produzida pelos operadores navais que constroem e fazem manutenção de embarcação. Tudo é jogado aqui. Na verdade a praia e o rio Negro é o sanitário de todo esse pessoal que vive nessa área. Ninguém respeita o meio ambiente, nem o morador e nem o poder público. Então, toda poluição é resultado da ação danosa do homem, das indústrias e da omissão do poder público.

Personagem: Nildo Teles

Canoeiro da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi (Coop Acamdaf)

Tem muitos barcos abandonados na Marina do Davi. O maior problema é a poluição visual que essas carcaças causam para a população e para o turista que passa por aqui. Quando o rio enche a água atinge essas embarcações, mas não atrapalha a nossa navegação porque a gente costuma navegar no leito do rio e também conhece bem onde elas estão abandonadas. Além disso, elas ficam a margem do rio, longe do leito. Quando o rio seca aí elas tornam a aparecer, algumas peças que se desprendem podem causar acidentes, mas isso aí é relativo.

Publicidade
Publicidade