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Manaus
Diferença transportes

Os contrastes entre os ônibus convencionais e os que fazem transporte interestadual no Amazonas

Enquanto os que vão para outros Estados têm poltrona reclinável, os que circulam por Manaus cobram caro pelo que não oferecem 26/06/2013 às 07:50
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Nos ônibus interestaduais e intermunicipais, passageiros viajam em poltronas reclináveis e com ar-condicionado
Florêncio Mesquita Manaus

O usuário do transporte coletivo de Manaus, além de pagar a tarifa mais cara do País ainda paga o valor mais alto por um transporte sem qualidade por quilômetro rodado. A população que utiliza o transporte e, muitas vezes, viaja em pé, com o ônibus lotado, e no calor, paga mais caro por quilômetro rodado que o passageiro com destino a Boa Vista, em Roraima, por exemplo. O detalhe é que nos ônibus que vão para fora de Manaus os usuários viajam em poltronas reclináveis, sem enfrentar lotação, além de terem ambiente climatizado com condicionadores de ar e até banheiro. O mesmo acontece em viagens de Manaus para outros municípios do Estado, tais como, Rio Preto da Eva, Manacapuru, Presidente Figueiredo e Itacoatiara.

A viagem de Manaus para Boa Vista custa R$ 119,30, num percurso de 782 quilômetros, sendo que o usuário paga R$ 0,15 centavos por quilômetro. Na comparação com Manaus, que tem a tarifa de

R$ 2,90, o usuário paga R$ 0,29 por um percurso de 10 quilômetros. O custo por quilômetro em Manaus é quase o dobro que a mesma distância para Boa Vista. A diferença está não só no valor mais caro por quilômetro em Manaus, mas no conforto e qualidade que deixam a desejar na comparação com o transporte interestadual e intermunicipal.

Para Itacoatiara, até o Km 262, o usuário paga R$ 37,69, o que corresponde a R$ 0,14 por quilômetro. Da Zona Norte para o Sul de Manaus, em 40 quilômetros, o usuário paga R$ 0,9. Uma viagem para Rio Preto da Eva, até o Km 76, tem o custo de R$ 11,36, o que significa R$ 0,14 por quilômetro.

Na última semana A CRÍTICA mostrou que Manaus é a capital com a tarifa do transporte coletivo mais cara da Brasil porque a população precisa trabalhar 16,7 minutos por dia para pagar o atual valor de R$ 2,90, enquanto no Distrito Federal, em Brasília, que tem a menor tarifa do País, de R$ 1,50, o cidadão consegue custear o valor com 4,9 minutos de trabalho.

Descaso


Para o deputado estadual José Ricardo (PT), a tarifa de Manaus tem um valor alto para o serviço oferecido e não condiz com a qualidade do transporte. Ele é economista e por 23 anos foi consultor econômico e acredita que o custo da tarifa por quilômetro rodado, aliado à má qualidade do transporte, é um descaso com a população. Para ele, o cálculo do valor da tarifa sobre a distância por quilômetro só comprova que a população está refém de um transporte sem qualidade. “A comparação dos valores com as viagens para outro Estado mostra realmente que a população em Manaus paga mais caro por um transporte sem conforto. Para outras localidades o quilômetro rodado ainda é mais barato para o usuário e tem conforto, coisa que a população em Manaus não tem”, disse o deputado.

Governo discute redução

O governador do Amazonas, Omar Aziz, declarou nessa terça-feira(25) que é possível reduzir a tarifa de R$ 2,90 do transporte coletivo na capital. Apesar de não citar números da possível redução ou como ela acontecerá, Omar disse há uma reunião que se reunirá com o prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB) para discuti a redução da passagem.

As declarações foram feitas em Parintins, a 325 quilômetros de Manaus, durante a vistoria do novo bumbódromo onde será realizado o 48º Festival Folclórico da Ilha Tupinambarana, nos próximos dias 28, 29 e 30.

De acordo com o governador, a reunião com o Artur está pré-agendada. No encontro, Omar e Artur discutirão as medidas que podem tornar a redução uma realidade e também devem apontar o novo valor. “Acredito que é possivel sim reduzir o valor da passagem”, disse o governador, disse.

Tarifa deveria ser R$ 2,70

A tarifa do transporte coletivo que o usuário de Manaus deveria pagar atualmente é de R$ 2,70. O valor, segundo o deputado José Ricardo, corresponde às medidas de desoneração adotadas pelo Governo Federal que permitem os municípios uma redução de R$ 0,20 nas tarifas de ônibus, além dos R$ 0,05 que são cobrados a mais no transporte público em Manaus. Os

R$ 0,05 deveriam ser usados na melhoria e modernização do sistema de  transporte que inclui uma licitação de R$ 90 milhões para a implantação do Sistema Inteligente de Gestão Integrada do Transporte (Sigit), que não foram feitos.

No cálculo para a tarifa de R$ 2,70 também está incluída, a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que zerou os impostos para os combustíveis. A diminuição do Cide fez com o preço do óleo diesel utilizado pelos ônibus se tornasse um item a menos na planilha de custos para elevar ou manter alta a tarifa do transporte coletivo.

José Ricardo explicou que, a exemplo de outras capitais, a Prefeitura de Manaus reduziu a tarifa de R$ 3 para 2,90, se embasando na redução do PIS e Cofins. No entanto, ele ressalta que a redução deveria ser, no mínimo, de R$ 0,20. Ele destacou que até hoje os dados das planilhas utilizadas para aumentar a tarifa não são fornecidos de forma clara. “Não há transparência na planilha de custo. Estamos batendo nisso há muito tempo. A parte que se relaciona com tributos e contribuições e uma caixa fechada que não é disponibilizada. As empresa deveriam informar isso à CMM, mas não o fazem. O único dado que disponibilizam é o da bilhetagem”, disse.

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