Domingo, 08 de Dezembro de 2019
Diferença transportes

Os contrastes entre os ônibus convencionais e os que fazem transporte interestadual no Amazonas

Enquanto os que vão para outros Estados têm poltrona reclinável, os que circulam por Manaus cobram caro pelo que não oferecem



1.png Nos ônibus interestaduais e intermunicipais, passageiros viajam em poltronas reclináveis e com ar-condicionado
26/06/2013 às 07:50

O usuário do transporte coletivo de Manaus, além de pagar a tarifa mais cara do País ainda paga o valor mais alto por um transporte sem qualidade por quilômetro rodado. A população que utiliza o transporte e, muitas vezes, viaja em pé, com o ônibus lotado, e no calor, paga mais caro por quilômetro rodado que o passageiro com destino a Boa Vista, em Roraima, por exemplo. O detalhe é que nos ônibus que vão para fora de Manaus os usuários viajam em poltronas reclináveis, sem enfrentar lotação, além de terem ambiente climatizado com condicionadores de ar e até banheiro. O mesmo acontece em viagens de Manaus para outros municípios do Estado, tais como, Rio Preto da Eva, Manacapuru, Presidente Figueiredo e Itacoatiara.

A viagem de Manaus para Boa Vista custa R$ 119,30, num percurso de 782 quilômetros, sendo que o usuário paga R$ 0,15 centavos por quilômetro. Na comparação com Manaus, que tem a tarifa de



R$ 2,90, o usuário paga R$ 0,29 por um percurso de 10 quilômetros. O custo por quilômetro em Manaus é quase o dobro que a mesma distância para Boa Vista. A diferença está não só no valor mais caro por quilômetro em Manaus, mas no conforto e qualidade que deixam a desejar na comparação com o transporte interestadual e intermunicipal.

Para Itacoatiara, até o Km 262, o usuário paga R$ 37,69, o que corresponde a R$ 0,14 por quilômetro. Da Zona Norte para o Sul de Manaus, em 40 quilômetros, o usuário paga R$ 0,9. Uma viagem para Rio Preto da Eva, até o Km 76, tem o custo de R$ 11,36, o que significa R$ 0,14 por quilômetro.

Na última semana A CRÍTICA mostrou que Manaus é a capital com a tarifa do transporte coletivo mais cara da Brasil porque a população precisa trabalhar 16,7 minutos por dia para pagar o atual valor de R$ 2,90, enquanto no Distrito Federal, em Brasília, que tem a menor tarifa do País, de R$ 1,50, o cidadão consegue custear o valor com 4,9 minutos de trabalho.

Descaso


Para o deputado estadual José Ricardo (PT), a tarifa de Manaus tem um valor alto para o serviço oferecido e não condiz com a qualidade do transporte. Ele é economista e por 23 anos foi consultor econômico e acredita que o custo da tarifa por quilômetro rodado, aliado à má qualidade do transporte, é um descaso com a população. Para ele, o cálculo do valor da tarifa sobre a distância por quilômetro só comprova que a população está refém de um transporte sem qualidade. “A comparação dos valores com as viagens para outro Estado mostra realmente que a população em Manaus paga mais caro por um transporte sem conforto. Para outras localidades o quilômetro rodado ainda é mais barato para o usuário e tem conforto, coisa que a população em Manaus não tem”, disse o deputado.

Governo discute redução

O governador do Amazonas, Omar Aziz, declarou nessa terça-feira(25) que é possível reduzir a tarifa de R$ 2,90 do transporte coletivo na capital. Apesar de não citar números da possível redução ou como ela acontecerá, Omar disse há uma reunião que se reunirá com o prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB) para discuti a redução da passagem.

As declarações foram feitas em Parintins, a 325 quilômetros de Manaus, durante a vistoria do novo bumbódromo onde será realizado o 48º Festival Folclórico da Ilha Tupinambarana, nos próximos dias 28, 29 e 30.

De acordo com o governador, a reunião com o Artur está pré-agendada. No encontro, Omar e Artur discutirão as medidas que podem tornar a redução uma realidade e também devem apontar o novo valor. “Acredito que é possivel sim reduzir o valor da passagem”, disse o governador, disse.

Tarifa deveria ser R$ 2,70

A tarifa do transporte coletivo que o usuário de Manaus deveria pagar atualmente é de R$ 2,70. O valor, segundo o deputado José Ricardo, corresponde às medidas de desoneração adotadas pelo Governo Federal que permitem os municípios uma redução de R$ 0,20 nas tarifas de ônibus, além dos R$ 0,05 que são cobrados a mais no transporte público em Manaus. Os

R$ 0,05 deveriam ser usados na melhoria e modernização do sistema de  transporte que inclui uma licitação de R$ 90 milhões para a implantação do Sistema Inteligente de Gestão Integrada do Transporte (Sigit), que não foram feitos.

No cálculo para a tarifa de R$ 2,70 também está incluída, a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que zerou os impostos para os combustíveis. A diminuição do Cide fez com o preço do óleo diesel utilizado pelos ônibus se tornasse um item a menos na planilha de custos para elevar ou manter alta a tarifa do transporte coletivo.

José Ricardo explicou que, a exemplo de outras capitais, a Prefeitura de Manaus reduziu a tarifa de R$ 3 para 2,90, se embasando na redução do PIS e Cofins. No entanto, ele ressalta que a redução deveria ser, no mínimo, de R$ 0,20. Ele destacou que até hoje os dados das planilhas utilizadas para aumentar a tarifa não são fornecidos de forma clara. “Não há transparência na planilha de custo. Estamos batendo nisso há muito tempo. A parte que se relaciona com tributos e contribuições e uma caixa fechada que não é disponibilizada. As empresa deveriam informar isso à CMM, mas não o fazem. O único dado que disponibilizam é o da bilhetagem”, disse.


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