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Manaus
Motolância

Condutores de Motolância do Samu falam sobre os desafios da profissão

Eles são responsáveis por realizar o atendimento de primeiros socorros até a chegada da ambulância 16/10/2016 às 05:00 - Atualizado em 16/10/2016 às 13:19
Silane Souza Manaus (AM)

Elas são utilizadas como solução para a locomoção e atendimento rápido às ocorrências clínicas e traumáticas a fim de reduzir o tempo de resposta, pois seus condutores realizam o atendimento de primeiros socorros até a chegada da ambulância. Mas até eles chegarem ao local onde a vítima estar há uma série de dificuldades justamente pelo desconhecimento da população. Estamos falando das Motolâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Trata-se das motocicletas utilizadas no socorro preliminar das vítimas de acidentes e problemas agudos de saúde. Os condutores das Motolâncias relatam que encontram muitas dificuldades nas ocorrências, visto que uma grande parcela da população não sabe que o Samu atua com motos. Conforme eles, algumas vezes, o solicitante ver as motocicletas passando e não acena pensando que é a polícia: não entende que chamou uma ambulância e chegou uma moto.

Também há muitos desafios com relação ao trânsito. “Quando a gente vai atender uma ocorrência, normalmente, sempre tem condutores de motocicleta e de carro que ver o primeiro Motolância, também conhecido como MT, passar e tenta pegar o vácuo. Há ainda motoqueiros que querem apostar corrida. Isso é muito perigoso porque pode causar um acidente tanto com a equipe de MTs quanto com terceiros”, pontua o MT Dilvaney Lopes de Almeida, 38.

As Motolâncias são consideradas fundamentais para o sucesso no socorro aos acidentados, visto que são mais ágeis. “Quando uma ambulância é acionada, uma Motolância a acompanha. Só que a ambulância mesmo com prioridade enfrenta o tráfego pesado de veículos, enquanto as motocicletas conseguem escapar de congestionamentos. Os MTs conseguem chegar primeiro e adiantam grande parte do atendimento de urgência”, conta Almeida.

Os condutores de Motolância são técnicos de enfermagem e foram aprovados em concurso público para atuar na função. Além disso, vivem passando por constante capacitação. “Nossa atuação não se limita a uma área. Exploramos todos os nossos conhecimentos em urgência e emergência. Atendemos urgência pediatra, obstétrica, traumas, acidentes, entre muitas outras. É por isso que precisamos nos atualizar cada vez mais”, disse o MT José Antônio  Mendes, 37.

Como identificar uma Motolância do Samu

O MT Dilvaney Lopes de Almeida explica como reconhecer uma Motolância do Samu. Conforme ele, a motocicleta é branca e alaranjada e os condutores usam uniforme na cor azul. As motos trafegam com sinal sonoro e as luzes intermitentes ligados, que indicam que estão atendendo uma ocorrência de urgência e uma ambulância vem logo atrás. Além disso, os MTs andam em dupla (um carrega material para atendimentos relacionado a vias áreas e o outro a traumas), e com uma mochila verde presa a moto.

Saiba mais

Em um atendimento de emergência cada minuto sem socorro acarreta complicações ao estado de saúde do paciente. A chegada rápida do Samu é fundamental para salvar vidas. Os Motolâncias da instituição estabilizam a vítima e aguardam a ambulância chegar para realizar o transporte até a unidade hospitalar. O serviço é sempre feito por duplas e segue o padrão nacional de atendimento, estabelecido pelo Ministério da Saúde para o Samu em todo o Brasil. As Motolâncias são todas equipadas. Muito do que tem dentro da ambulância tem na moto como, por exemplo, oxigênio e colar cervical. Ao todo, há 42 MTs atuando nas bases do Samu nas Zonas Sul, Norte, Leste, Oeste, Centro-Sul e Centro-Oeste. Eles trabalham de 7h às 19h.

Serviço é muito importante

A médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Alessandra Said, conta que o serviço de Motolância é muito importante. “Eles saem junto com a ambulância, mas 90% das vezes a ambulância nunca chega ao mesmo tempo em que eles no local da ocorrência. Os MTs existem para que deem o primeiro atendimento o mais rápido possível para não perdermos o tempo ouro do atendimento”, afirma.

Alessandra trabalha na base do Samu instalada próxima a Bola da Suframa, na Zona Sul, onde os condutores de Motolância Dilvaney Lopes de Almeida e José Antônio  Mendes atuam desde 2012. Ela relata que no início da implantação do programa houve muitas dificuldades. “No começo foi complicado porque as pessoas achavam que as Motolância eram a polícia. Teve caso de MTs serem recebidos com arma na mão quando foram fazer atendimento em área vermelha”, relata.

Conforme a médica, hoje, o desafio do Samu é manter o serviço, visto que o Ministério da Saúde, que doou cinco Motolâncias para a implementação do programa em Manaus, não envia mais recursos para a sua manutenção. “Era para termos 29 Motolâncias, mas cinco estão sucateadas. Temos 24 funcionando porque a prefeitura comprou 10 motocicletas e a empresa Moto Honda doou outras 14 numa parceria público-privada”, destaca.

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