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Manaus
Saúde Pública

Pacientes com câncer que sofrem fraturas esperam 21 dias por procedimento na Fcecon

E não é só isso. Faltam de medicamentos e demais insumos hospitalares, segundo familiares, que vivem o sofrimento de ter um ente querido internado em situação precária e sem poder fazer nada 24/09/2016 às 05:00
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Pacientes sofrem com espera na FCecon. Foto: Divulgação
Silane Souza Manaus

Pacientes de hospitais e pronto-socorros de Manaus que precisam fazer cirurgia para reconstrução de membros fraturados estão impedidos de fazer os procedimentos porque não há materiais cirúrgicos nas unidades de saúde do Estado. E não é só isso. Faltam de medicamentos e demais insumos hospitalares, segundo familiares, que vivem o sofrimento de ter um ente querido internado em situação precária e sem poder fazer nada.

A aposentada Bertena Gil Cabral, 70, está internada na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), há 21 dias à espera de uma cirurgia ortopédica. De acordo com a filha dela, Patrícia Cabral, 43, a aposentada sofreu uma queda e fraturou um braço e uma perna. Por causa do tratamento contra o câncer que faz na FCecon, Bertena só pode ser operada na unidade, mas os médicos dizem que não há materiais para a cirurgia.

“Os médicos não dão nem previsão de quando ela passará pelo procedimento cirúrgico para colocação de uma haste na perna. A única coisa que eles falam é que a fundação aguarda autorização para a compra do material. Além da minha mãe, pelo menos outras seis pessoas passam pela mesma situação”, relatou Patrícia, destacando o sentimento de indignação da família. “A gente espera ser atendido com responsabilidade, é para isso que pagamos impostos, mas não é o que acontece”.

A autônoma Luíza Ferreira Lima, 47, é outra paciente a espera de uma cirurgia ortopédica na FCecom. Há 12 dias, ela caiu e quebrou a perna. Desde então, ela segue internada na unidade. “Há 12 dias estou jogada aqui na cama. Os médicos dizem que aguardam o material chegar, mas deve estar vindo de jabuti. Minha perna está ficando verde, não é mais roxa, e quanto mais tempo passa o problema pode agravar. Se tiver que cortar a perna? Só Deus...”.

No Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, há quase uma semana, a dona de casa Lindalva da Silva Sanches, 64, aguarda transferência para a Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ). Ela precisar fazer a cirurgia de prótese no quadril, mas não tem leito na unidade. “Os médicos dizem que no Platão esse procedimento não é feito. Mas se fosse, não havia previsão para fazê-lo porque tem uma senhora que há três dias é preparada para fazer operação e na hora falta algum material. Está faltando tudo lá, nem laxante para fazer lavagem tem”, relatou Cleia Sanches, 37, filha de Lindalva.

Pacientes estão internados em macas no corredor por falta de leito no do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio. A dona de casa Cândida Ruth de Matos Pinto, 52, é uma delas. Cândida sofreu um aneurisma cerebral e há 15 dias está alojada no corredor do João Lúcio. De acordo com familiares, o hospital não medicamentos, os pacientes tem que comprar.

Direção promete atendimento
A direção do João Lúcio informou que a paciente Cândida Ruth está recebendo os cuidados necessários e realizando exames, como o de angiografia, através do qual foi possível fechar o diagnóstico de aneurisma. A paciente está sendo avaliada e deverá ser indicado procedimento cirúrgico, que deverá ser realizado no próprio pronto-socorro.

Susam se justifica
A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) afirmou que as pacientes internadas na FCecon estão recebendo a atenção e cuidados necessários e precisaram realizar exames específicos para avaliação, por parte da equipe médica, antes da definição pela realização do procedimento cirúrgico.  A direção da unidade  informou que está providenciando a compra do material e a previsão é que na próxima semana as pacientes passem pelo procedimento cirúrgico. 

Sobre a  paciente do Platão Araújo, onde há cota de 20 cirurgias semanais, a Susam informou que ela está inserida no Sistema de Regulação (Sisreg), aguardando liberação de leito para ser transferida para o Hospital Adriano Jorge, unidade de referência  na área de ortopedia. A Susam ressaltou que a demanda por cirurgias ortopédicas é grande e que há somente um profissional na unidade habilitado para fazer os procedimentos cirúrgicos de implantação de prótese de quadril.

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