Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
DESCASO

Pacientes de UBS no Santa Etelvina enfrentam 'maratona' por atendimento

Expostos ao perigo durante a madrugada, muitos moradores da área ainda enfrentam a comercialização de senhas por pessoas que pegam lugar na fila sem necessidade



zCID051001_p01.jpg (Foto: Winnetou Almeida)
09/03/2018 às 18:55

Mesmo com o atendimento em horário estendido, pacientes da Unidade Básica de Saúde (UBS) Major  Sávio Belota, localizada no bairro Santa Etelvina, na Zona Norte, relatam que enfrentam dificuldades diariamente para acessar os serviços oferecidos na rede municipal de saúde. Além do tempo de espera, eles reclamam da exposição à marginalidade e a venda de vagas nas filas, que se formam desde a madrugada. Geralmente as fichas são distribuídas apenas  às 8h. 

“Semana passada cheguei às 3h para garantir uma ficha para minha mulher, pois são só 15. Eu peguei a última ficha. Mas tem gente que chega antes de meia noite. É um problema sério e  a gente fica praticamente abandonado no meio da rua correndo risco de ser assaltado”, disse o motorista Lupercino Serrão, 40. 

Na manhã de ontem, Lupercino voltou à UBS e esperou cerca de 30 minutos na fila para pegar dois medicamentos, mas no mês passado o motorista passou mais de uma hora esperando para ser atendido. 

“Eu acho um absurdo, sabe? É só entregar o remédio. Não sei quais são os motivos reais dessa demora toda. É falta de atendente? É fácil de resolver. Basta colocar mais pessoas para atender”, disse ele, que duas vezes por mês vai até a unidade receber os medicamentos controlados da esposa e outras duas para pegar ficha e acompanhá-la nas consultas. 

 Fichas “vendidas”

Não bastasse a falta de segurança durante a madrugada, os pacientes que buscam a unidade para marcar consultas e exames contaram que também temem a ação de um grupo de homens que  “comercializam” vagas na fila. 

Eles chegam antes de meia noite, pegam as fichas no início da manhã e às vendem logo após receberem. Os valores variam de R$ 5 a R$ 20. Quando questionados pelos moradores, esses homens ameaçam os pacientes nas filas.

“São  pessoas que ficam bebendo nos bares aqui próximo da UBS. Eles chegam cedinho, muitas vezes embriagados, e vendem as fichas só para comprar mais bebidas e eles ameaçam qualquer um que for tomar satisfação”, disse o auxiliar de escritório Luciano Freitas, 22. 

Ainda segundo os usuários, a situação é conhecida pela administração da unidade de saúde, mas nenhuma atitude contra essa situação foi tomada até o momento.  

Providências

 A CRÍTICA entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa)  para questionar sobre as reclamações dos usuários e moradores do bairro e, em nota, a pasta informou que “o quantitativo de pessoas agendadas pode variar entre 150 e 250 pessoas por manhã, sem contar os atendimentos de demanda espontânea (em torno de 50% do total) que realizamos todos os dias”. 
Sobre a reclamação da falta de abrigo para os pacientes e a suposta venda de fichas nas filas, a Semsa se limitou a informar que “está providenciando a construção de cobertura para a frente da unidade”. 

Ainda segundo a secretaria, a Sávio Belota  é uma das Unidades Básicas de Saúde de horário ampliado do Distrito Norte localizada em área de vazio assistencial e que recebe usuários do Santa Etelvina e de outras zonas da cidade. Além de consultas médicas, a unidade oferece atendimentos  de enfermagem e saúde bucal,  ultrassonografia e raios-X. 

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