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Pacientes grávidas lamentam a extinção da maternidade do Alvorada, em Manaus

Desde que o governador José Melo (Pros) anunciou uma reforma no setor de saúde, na última sexta-feira (20), pacientes, médicos, enfermeiros e comunidades inteiras se manifestaram contra o reordenamento 25/05/2016 às 16:30 - Atualizado em 25/05/2016 às 16:31
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Cristina, 19, moradora do Dom Pedro, espera a chegada do segundo filho e parto estava marcado para 23 de junho (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Até esta terça-feira (24), a estudante Ana Cristina Lopes, 19, acreditava que iria dar à luz ao segundo filho na Maternidade do Alvorada, na Zona Centro-Oeste, onde teve o primeiro bebê e faz o acompanhamento desta segunda gestação. “Fui pega de surpresa. Estou sabendo agora que a maternidade não vai mais funcionar a partir do próximo mês, e estou com meu parto marcado para o dia 23 de junho. Não sei o que fazer”, desabafou.

Cristina mora no bairro Dom Pedro, na mesma zona, e vai andando para a maternidade quando precisa de atendimento. As três irmãs dela também pariram na mesma unidade. “É perto da nossa casa, não precisamos gastar com transporte e além do mais o atendimento é muito bom”, relatou angustiada, pois a partir de agora, será encaminhada para a Maternidade Dona Lindu, na Zona Centro-Sul, unidade que  segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), receberá 62 novos leitos.

Davina Reis Pacheco, moradora do bairro Alvorada, aguardava notícias da sobrinha dela, que estava em trabalho de parto. Três filhas dela também já precisaram dos atendimentos da maternidade. “Todos nós ficamos muito tristes quando soubemos que perderíamos esta unidade, que era uma referência pra gente e facilitava muito a nossa vida. É lamentável, pois muitas pessoas não tem dinheiro para pagar táxi, e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) pode demorar muito para chegar”.

‘Manifestações’

Desde que o governador José Melo (Pros) anunciou uma reforma no setor de saúde, na última sexta-feira (20), pacientes, médicos, enfermeiros e comunidades inteiras se manifestaram contra o reordenamento. Seja por meio de protestos mais recentes, como o que aconteceu na última segunda-feira em frente ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do São Raimundo, ou a manifestação que aconteceu em abril deste ano, quando moradores do bairro Campos Sales, na Zona Oeste, ouviram “boatos” de que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA)  seria fechada. Na ocasião, a Susam desmentiu e negou a informação. Porém, a UPA Campos Sales integra o grupo com mais de 10 unidades que terão as atividades suspensas.  Na próxima quarta-feira,  os moradores farão um novo protesto.  

Ainda na maternidade do Alvorada, a técnica em enfermagem Carla Costa, 29, disse que os funcionários terceirizados da empresa Total Saúde e dos serviços gerais D’Flores não recebem há quase dois meses. “Além de estarmos tristes por conta da situação dos pacientes, também estamos tensos pois não sabemos como vai ficar nossa situação e se iremos receber”, relatou.

Na próxima sexta-feira, funcionários e moradores do bairro Alvorada também programaram uma manifestação contra o encerramento das atividades. Sobre este caso, a Susam informou que a Alvorada atuará como referência no atendimento ginecológico, serviço antes oferecido no Instituto Dona Lindu. Já o instituto atuará somente como maternidade.

Em relação às empresas Total Saúde e D’Flores, a Susam  informou que realiza o pagamento das prestadoras de serviço conforme o cronograma de liberação de recursos e que não há previsão de alteração no quadro de servidores da Alvorada.

Urgência preocupa a Semsa

O Secretário Municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão, comentou sobre as unidades que passarão a funcionar como unidades básicas de saúde e disse que a prefeitura ainda está analisando os impactos do reordenamento do Estado nas unidades municipais.  “No nível da atenção primária, essa mudança vai somar bastante com nossos atendimentos realizados nas unidades básicas de saúde. O que nos preocupa, agora, é a superlotação de urgências e emergências. Pois a própria população tem o hábito, até de forma incorreta, de procurar a urgência antes que a atenção primária”.

Os 12 Centros de Atendimento Integral às Crianças (CAICs) da cidade, bem como aos três Centros de Atendimento à melhor idade (Caimis), a Maternidade Alvorada, Nazira Daou, SPA do São Raimundo, SPA Joventina Dias, entre outros unidades terão as atividades suspensas ou reformuladas.   

Caic da Zona Sul

No Centro de Apoio Integral a Criança (Caic) Alexandro Montoril, na Zona Sul, a estudante Rosiane Carvalho, 23, estava levando o filho de dois meses para ser atendido pela primeira vez. “É preocupante porque as unidades básicas do bairro são precárias, faltam médicos e não tem especialistas”.

A diretora da unidade, Otília Gonçalves, informou que os profissionais também ficaram surpresos com o reordenamento.

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