Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
EM FALTA

Pacientes com lúpus relatam dificuldades para encontrar hidroxicloroquina em farmácias de Manaus

Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) abriu licitação para aquisição do medicamento, mas não apareceram interessados na venda do item



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20/04/2020 às 18:07

Utilizado no tratamento de doenças reumatológicas como artrite reumatóide (AR) e lúpus eritematoso sistêmico (LES), a cloroquina e a hidroxicloroquina estão escassas nas farmácias de Manaus e em falta na Central de Medicamentos do Amazonas (Cema), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

Quem sentiu dificuldade em encontrar o medicamento foi o policial militar José Ivan Veras, 41, diagnosticado há três anos com lúpus eritematoso sistêmico. Ele, um dos pacientes que recebem tratamento no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), conta que é a primeira vez que falta o medicamento na rede pública de saúde.



“O sulfato de hidroxicloroquina está faltando há um mês e meio na Cema. Nesses três anos de tratamento, nunca havia faltado e é ele que mantem o equilíbrio do meu sistema imunológico para que as outras medicações façam o trabalho delas. Esse é um remédio que não pode faltar, a dosagem é 400 miligramas e precisa ser tomado todos os dias”, explicou ele, que associa, conforme a receita médica, outros medicamentos para o lúpus, além da hidroxicloroquina.

Para não ficar sem o remédio, ele optou por comprar em uma farmácia, porém destacou a escassez do medicamento e o alto custo do comprimido.

“Comprei o remédio assim que saí da Cema e ainda tenho para os próximos 15 dias. A hidroxicloroquina está difícil de achar nas farmácias, não é fácil. Nas drogarias que passei, outras pessoas já tinha comprado antes de cinco a oito caixas”, comentou ainda.

“A gente acha que são poucos pacientes, mas quando está lá dentro, no Hospital Getúlio Vargas, que é onde eu me consulto, existe um programa para pessoas com lúpus, então são muitas pessoas que estão desassistidas até por que é caro e nem todos tem condições de comprar”.  

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) afirmou que a Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) não tem medido esforços para a compra do medicamento o mais rápido possível, “porém os fornecedores têm informado que estão com dificuldades para adquirir o produto no mercado”.

E acrescentou que a Cema realizou dispensa de licitação para aquisição de hidroxicloroquina 400 mg, que é utilizada por pacientes do componente especializado da assistência farmacêutica. Porém, afirmou que a dispensa foi deserta (em que não apareceram interessados na venda do item) e irá realizar nova tentativa. Os 50 mil comprimidos enviados pelo Ministério da Saúde na última quinta-feira (16) são de cloroquina 150 mg.

Escassez do medicamento nas farmácias de Manaus

O presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Amazonas (CRF-AM), Jardel Inácio, orienta aos farmacêuticos que a dispensação seja feita com responsabilidade, atendendo as prescrições, de maneira que os pacientes não fiquem sem os tratamentos.

“Caso não haja na venda do varejo, eles podem fazer aquisição das farmácias de manipulação, que também já passam por dificuldades pela escassez de matéria-prima. Mas, no momento, ainda conseguem atender em alguns casos”, informou.

Ele ressaltou que até o momento não foram detectados abuso de preços ou alteração por conta da demanda em relação aos medicamentos. “O que há é uma venda controlada e de maneira restrita, seguindo rigorosamente as regras, para que não haja dispensação sem receita ou excessos”, destacou ainda.

Ele finaliza citando a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que desde março, a cloroquina e a hidroxicloroquina são medicamentos de controle especial, “ou seja, só podem ser comercializados se o paciente apresentar receita branca especial, em duas vias”.

No mês passado, a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) obteve decisão favorável na Justiça do Estado para que farmácias e drogarias do Amazonas exijam e retenham receita médica na venda da hidroxicloroquina e azitromicina.

Os medicamentos estão sendo testados combinados no tratamento do coronavírus em países como França, China, Estados Unidos e Itália, o que gerou uma verdadeira corrida para comprar os fármacos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, como forma de prevenção, mesmo sem nenhuma comprovação científica conclusiva.

A decisão foi concedida no sábado, 21 de março, pela juíza de plantonista Kathleen dos Santos Gomes, com tutela de urgência. O objetivo da ação é evitar a busca desenfreada pelos medicamentos em farmácias e, consequentemente a escassez dos medicamentos em todo o Amazonas. A ação foi assinada pelo defensor público Arlindo Gonçalves, da 1ª Defensoria Pública Especializada na Promoção e Defesa dos Direitos Relacionados à Saúde.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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