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Manaus
FALTA DE ESTRUTURA

Pacientes são vítimas de furtos e sofrem com precariedade no Hospital Platão Araújo

Pacientes relatam do medo em sair dos quartos por conta dos furtos. Eles também comentam que estão há mais de vinte dias esperando procedimentos cirúrgicos 26/05/2017 às 15:44 - Atualizado em 26/05/2017 às 17:17
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A precariedade do hospital pode ser vista em setores diferentes (Fotos: Arquivo Pessoal)
Amanda Guimarães Manaus (AM)

Pacientes do Hospital Pronto Socorro Platão Araújo, localizado no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste de Manaus, reclamam da falta de estrutura, da demora da realização dos procedimentos cirurgicos e dos furtos que acontecem no local.

O motorista Raimundo Souza do Nascimento, 41, que está internado desde 14 de maio na unidade hospitalar, comentou que teve dois celulares furtados na madrugada desta sexta-feira (26), enquanto dormia.

“Meu sobrinho veio para ficar como meu acompanhante ontem. Por volta das 1h da madrugada, caímos no sono, e deixamos o meu celular carregando ao lado do dele. Quando acordamos não estava mais lá. Perguntei para o segurança o que tinha acontecido, mas ele não sabia de nada. Apenas falou que furtos no Platão são normais. Ninguém viu nada”, disse o paciente.

Raimundo sofreu um acidente de moto e precisou ser internado no Platão Araújo. Ele fraturou um dos tornozelos e relata a ‘agonia’ na espera da realização de um procedimento cirúrgico. 

“Estou esperando esse procedimento cirúrgico há mais de dez dias, mas até agora só me falam para aguardar. Eu quero ir para casa, porque a situação aqui está terrível. Não saímos nem do quarto com medo de sermos furtados. Além da falta de estrutura que cada vez piora”, afirmou o motorista.

Outro paciente do Platão Araújo, o técnico em telecomunicações Luiz Paulo Pinto de Fonseca, 39, relatou que por duas vezes enfermeiros já o levaram para a sala de cirurgia, mas por falta de material o procedimento foi cancelado.

“Estou há 24 dias internado. Os enfermeiros me levaram duas vezes para a sala de cirurgia, mas horas depois da espera me falaram que os procedimentos tinham sido cancelados por falta de material. O Platão está um Deus nos acuda”, afirmou o técnico.

Pela falta de estrutura da unidade hospitalar, Luiz sofreu outro acidente. Ele conta que como não consegue ficar em pé sozinho, durante um banho, se apoiou em uma cadeira não adaptada e caiu no chão.  

 “Sofri um acidente no dia 5 de maio. Quebrei o rótulo do joelho e agora só consigo andar de muletas. Uma dia desse quando fui tomar banho, já que a unidade hospitalar não possui uma cadeira adaptada, precisei me encostar em uma cadeira de plástico. Acabei me machucando ainda mais. A estrutura daqui é terrível”, ressaltou.

Sobre a falta de segurança dentro do hospital, Luiz afirma que conversou com a administração do Platão Araújo, mas nada foi resolvido.

“Diariamente ficamos sabendo dos furtos que acontecem no local. Alguns funcionários falaram que essa situação é normal e nada se resolve. Não sei em qual mundo isso é comum, mas tenho até evitado de sair do quarto para não ser furtado”, destacou o paciente.

Plano

Durante a apresentação do Plano Emergencial na Saúde, há dez dias, o governador David Almeida, informou que o programa incluía ações para melhorar o atendimento da rede estadual de saúde, como a liberação de R$ 9 milhões para os pagamentos de salários atrasados de trabalhadores de empresas terceirizadas que prestam serviços para o setor e a compra, já efetuada, de R$ 52 milhões em medicamentos.

Susam responde

Por meio de nota, a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou que não é rotina do Platão Araujo cancelas cirurgias, mas por se tratar de uma unidade de urgência e emergência é dado prioridade aos pacientes que chegam ao hospital com risco eminente de morte e precisam passar imediatamente pelo procedimento cirúrgico.

Com relação aos procedimentos cirúrgicos da área de ortopedia, o órgão informou que desde a última segunda-feira (22) foi ampliada a oferta desses procedimentos, com realização de cirurgias tanto no período diurno quanto no noturno, inclusive nos fins de semana. Segundo a secretaria, a medida foi tomada dentro do Plano Emergencial de Saúde.

Sobre os furtos dentro da unidade hospitalar, a Susam informou que os pacientes e acompanhantes são orientados de que devem ser responsáveis por seus objetos pessoais e de valor. A secretaria também destacou que existe uma equipe de profissionais da área de segurança responsável por fazer guarda do patrimônio tanto na área externa quanto interna.

Por fim, a Susam completou que possui cadeiras adequadas para que pacientes com dificuldades de locomoção possam tomar banho em segurança e também que os técnicos de enfermagem estão orientados a auxiliar esses pacientes na hora do banho. No entanto, o órgão ressaltou que a unidade tem conhecimento de alguns pacientes que não querem tomar banho no horário estabelecido na rotina da unidade e quando decidem ir ao banheiro também não pedem auxílio da equipe de profissionais.

A reportagem também questionou a Susam sobre a falta de material e falta de estrutura na unidade, mas as perguntas não foram respondidas.

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