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Manaus
TRANSPORTE PÚBLICO

Usuários de ônibus enfrentam precariedade e estrutura ruim de paradas, em Manaus

A atual tarifa do transporte público da capital amazonense (R$3,80) é a terceira mais cara do Brasil 08/06/2017 às 05:00
Show paradas
Euzivaldo Queiroz
Isabelle Valois Manaus (AM)

A atual tarifa do transporte público em Manaus (R$3,80) é a terceira mais cara do Brasil. Mas o serviço ofertado pelas empresas que têm a concessão da prefeitura continua entre os piores, na avaliação de usuários, que apontam, entre os principais problemas do sistema, a demora dos veículos para passar nos pontos, obrigando quem depende do transporte a esperar, às vezes, por horas em paradas sem conforto, sem iluminação, sem segurança e, em boa parte das ruas da cidade, ainda sem abrigos.

Espalhados pelas ruas de  Manaus existem pelo menos três tipos de abrigos, sem contar aqueles construídos pela própria população: de telhas de barro (os mais antigos), de estrutura metálica com placas de vidro (alvo favorito dos vândalos) e os mais recentes, de concreto, que ainda são minoria.

Boa parte dos abrigos de concreto foram implantados em ruas das zonas Norte e Oeste, como é o caso da avenida do Turismo. As paradas ficam em frente a fábricas, algumas em pontos apontados pelos usuários como de pouco fluxo, enquanto em outros, onde há um número maior de pessoas aguardando os coletivos, só existem as placas sinalizando a parada de ônibus. “Parece que não teve planejamento na hora de construir as paradas. Onde mais precisa, eles não fizeram”, criticou o estudante Romulo Souza, 24.

Mal planejados
Outro problema apontado pelos usuários é a falta de planejamento, levando em conta a proteção contra sol e chuva. Bem próximo à barreira, na avenida Torquato Tapajós, há um desses abrigos de concreto, onde a dona de casa Maria Cândida, 43, espera pelo ônibus, diariamente, para ir ao trabalho. Mas, enquanto o ônibus não aparece, ela prefere esperar por trás do abrigo, debaixo das árvores: é mais arejado, explica ela.

 “Esses abrigos de concreto são totalmente desproporcionais para nossa cidade, que é muito quente. Se aqui fora tá quente, lá embaixo do abrigo fica mais quente ainda. E, quando chove, ele também não nos protege da chuva: precisamos subir no banco para não se molhar. Preferia que fossem aqueles abrigos antigos (telhas de barro), pois lá conseguimos nos proteger da chuva e do sol”, comentou a dona de casa.

Sem proteção
Apesar dos problemas, a situação de Maria Cândida ainda está entre as melhores dentre os usuários de ônibus que precisam esperar pelo coletivo ao longo da Torquato Tapajós. Uma das principais avenidas da cidade, boa parte das paradas de ônibus existentes ao longo dela não possuem proteção.  Por conta disso, a população muitas das vezes precisa improvisar para fugir do sol ou da chuva, se escondendo atrás dos postes e construções. 

“Pagamos caro por um serviço precário. Somos expostos ao sol e a chuva e nada é feito para melhorar. Isso é revoltante, falta  comprometimento com a população. Não há investimentos efetivos e, quando constróem, fazem de qualquer jeito, um total descaso com o dinheiro público”, criticou o universitário Gerlan Chagas da Silva, 31.

Entre as mais caras
A tarifa do transporte público de Manaus R$ 3,80 é a terceira maior entre as capitais brasileiras, menor apenas que Belo Horizonte (R$ 4,05) e Curitiba (R$ 4,25). O valor de R$ 3,80 é o mesmo cobrado no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Marcelo Serafim - vereador de Manaus
Hoje Manaus é uma das cidades com os piores índices de transparência de todo o Brasil. Desde que o prefeito Artur Neto assumiu o posto neste segundo mandato, a prefeitura não tem cumprido com as promessas repassadas à população. Entre elas estava a de não aumentar a tarifa de ônibus. Além disso, a prefeitura não tem assumido a responsabilidade de melhorar o sistema do transporte público, tudo está abandonado.

A Câmara Municipal de Manaus tenta fiscalizar, mas passa por dificuldades de conseguir da prefeitura os documentos fiscais de todo serviço. A meu ver, as empresas de ônibus não apresentam melhorias para o sistema e a prefeitura não as cobra. Afirma que foi necessário aumentar a tarifa, mas não apresenta justificativas. Falta transparência”.

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