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Manaus
MORTE BEBÊ

Pais acusam maternidade de negligência após morte de bebê

Grávida foi à unidade três dias seguidos com muitas dores’, mas o parto não foi realizado e a bebê morreu 17/03/2017 às 05:00
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Além de todo o sofrimento com a morte da filha, Cosme alegou que a irmã foi humilhada pela médica que a atendeu. Foto: Márcio Silva
Alik Menezes Manaus

A dona de casa Francivânia Gonçalves, 19, acusa a equipe médica da Maternidade Ana Braga, localizada no bairro São José, na Zona Leste da cidade, de negligência. A jovem teve a triste notícia, na tarde desta quinta-feira (16), de que a gestação da primeira filha, tão esperada, terminou de forma trágica: o bebê morreu dentro do útero, antes do parto.
Segundo a irmã da jovem, Cosme Gonçalves, Francivânia começou sentir as dores do parto na segunda-feira e logo procurou atendimento na maternidade. “Chegamos aqui às 22h e ela já estava sentindo muitas dores e estava com sangramento”, lembrou Cosme.

Após avaliação médica, mesmo dizendo que estava sentindo dores insuportáveis e reclamando do sangramento, Francivânia foi orientada a voltar para casa porque, segundo os médicos, “ainda não estava na hora”. “Desde o primeiro atendimento eles foram grosseiros com a gente. Porque somos humildes acham que podem nos humilhar. Mas seguimos a orientação e voltamos para casa”, contou Cosme. 

Na terça-feira, por volta das 8h, Francivânia voltou à maternidade acompanhada do marido e da irmã, Cosme. “Ela continuava sentindo muitas dores, mas os médicos sustentaram que ainda não estava na hora”, disse. 

Cosme contou que ela e o marido de Francivânia questionaram os médicos e enfermeiros pela falta de atenção e alertaram sobre a situação de Francivânia e do bebê, mas foram ignorados pela equipe da maternidade. “Eles falaram que sabiam o que estavam fazendo, que não tinha leito para ficar em observação e que era para voltar para casa e aguardar as dores ficarem mais fortes”, contou. 

Desesperados, na quarta-feira os familiares voltaram a levar Francivânia para a  maternidade, mas novamente foram informados que as dores que a grávida estava sentindo ainda estavam dentro da normalidade e, após exame de toque, informaram que a jovem ainda não tinha dilatação suficiente para parir. “Uma humilhação muito grande. Ela estava quase parindo e eles ignoravam. Foi criminosa a forma como ela foi tratada, um descaso, um desrespeito”, disse Cosme.

Última ida
Às 14h de ontem, a grávida contou, desesperada, aos familiares, que o bebê não estava mais se mexendo. Mas só às 15h foi solicitado pela equipe médica um exame de ultrassom. “Minha sobrinha já estava morta, culpa deles que não deram o atendimento nas primeiras vezes que chagamos aqui”, desabafou Cosme. 

Além de todo o sofrimento com a morte da filha, Cosme alegou que a irmã foi humilhada pela médica que a atendeu, identificada apenas como “Amparo”. “Essa Amparo não me chamou e disse que tinha uma notícia e que não era nada boa. Ela falou: ‘tua sobrinha morreu’ e me mandou sair da sala como se nada tivesse acontecido”. 

Maternidade deve abir sindicância
O diretor da Maternidade Ana Braga, Antenor Filho, informou que, após ser notificado do caso, abriu uma sindicância para apurar se houve negligência.  Segundo Filho, a investigação deve durar, em média, 30 dias. Toda a equipe que atendeu a paciente durante esses dias será investigada. “Demanda tempo porque nós vamos analisar e investigar com cuidado cada pessoa envolvida nesse atendimento”, disse.

O diretor da unidade informou também que o caso será levado ao Conselho Regional de Medicina (CRM), à cooperativa que os médicos e enfermeira integram e à Secretaria Estado de Saúde do Amazonas (Susam). 

Filho informou que, se  comprovada negligência, os profissionais serão punidos.

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