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Pais optam por parto domiciliar assistido e enfrentam dificuldades para fazer exames

Pais de primeira viagem, Irene e Elgen Masullo conceberam o primeiro filho em casa, assistido por um enfermeiro obstetra, enfermeiras e duas doulas 30/03/2015 às 08:31
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Irene Masullo deu à luz ao pequeno João Benício por volta das 5h da última quarta-feira. Ela foi acompanhada por um médico obstetra, duas doulas e uma enfermeira. O marido, Elgen Masullo, foi quem cortou o cordão umbilical do primeiro filho
luana carvalho ---

O nascimento do pequeno João Benício, há quatro dias, foi perfeito, conforme relatos do pai da criança, o arquiteto Elgen Masullo, 28. Este foi o primeiro parto domiciliar assistido por um enfermeiro obstetra/obstetriz, acadêmicas de enfermagem e duas doulas do Programa de Preparação para o Parto e Nascimento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em 2015.  “É nosso primeiro filho e foi uma experiência incrível, nunca imaginei que pudesse passar por tudo isso na minha vida”.

Em meio à experiência fantástica de serem pais pela primeira vez, o casal Irene e Elgen Masullo tiveram dificuldades e passaram por constrangimentos ao levarem o filho para fazer os exames do pezinho, orelhinha e coraçãozinho. “Fomos ao Instituto da Mulher duas vezes e lá nos foi informado, com rispidez, que eles não poderiam fazer os exames em nosso filho porque ele não tinha nascido naquela maternidade”.

O casal também passou por outras maternidades, mas as respostas também foram negativas. “Liguei para a Maternidade do Alvorada  e ao invés de solucionarem o problema, começaram a perguntar por que minha esposa tinha tido bebê em casa e como tínhamos conseguido registrar a criança, como se estivéssemos fazendo algo ilegal”, disse Masullo.

A equipe de A CRÍTICA telefonou para as maternidades Ana Braga, na Zona Leste, e Balbina Mestrinho, na Zona Sul. Na maternidade Ana Braga foi informado que os exames não poderiam ser feitos em casos de parto domiciliar.

Já a atendente da Maternidade Balbina Mestrinho disse que o hospital só faria o teste do pezinho. Os outros  exames “teriam que ser feitos de forma particular”, uma vez que a maternidade não está realizando os testes da orelhinha e coraçãozinho.

Depois da peregrinação, o casal conseguiu ser atendido na Maternidade Moura Tapajós, na avenida Brasil, Compensa, Zona Oeste. “O atendimento foi maravilhoso”, comentou.

“Pouco comum”

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que “os partos domiciliares assistidos tornaram-se pouco comuns e a situação relatada na reportagem é atípica”. Segundo a secretaria, as crianças nascidas em domicílio podem ser levadas à Unidade Básica de Saúde (UBS) ou ao Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC) do Sistema Único de Saúde (SUS), mais próximos de sua residência, para marcar a primeira consulta pediátrica do recém-nascido e solicitar exames.

João Benício veio ao mundo

A mãe do bebê, a arquiteta Irene Masullo, passou aproximadamente 12 horas em procedimento de parto e de acordo com seu esposo, Elgen Masullo. “Apesar de sentir muita dor, minha esposa não desistiu”, contou Masullo.

O parto aconteceu na residência do casal. Irene realizou 15 consultas no Programa de Preparação para o Parto e Nascimento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

“Quando ela começou a sentir as primeiras contrações, a equipe foi para minha casa e preparou tudo. Nos acompanharam de 14h de terça-feira até às 8h do dia seguinte”. João veio ao mundo às 5h de quarta-feira.

“O parto foi tranquilo e ela estava super segura. As mães passam por momentos mais críticos de dor, mas estamos ali para ajudá-las e dar apoio emocional”, relatou a doula e estudante de enfermagem, Alice Pereira.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) recomendam que a mulher escolha o lugar onde se sente mais segura para parir e reconhecem que, quando feitos em casa e assistido por profissionais habilitados, há benefícios consideráveis para a gestante.

Parto humanizado

O parto normal é preconizado pelo Ministério da Saúde. De 26.657 crianças que nasceram nas maternidades estaduais em 2014, 15.882 foram partos normais e 10.835 cesáreas.  A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que o conceito está sendo implementado em todas as maternidades  da rede pública.

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