Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
NÃO AGRADOU

Pais de alunos protestam e querem gestor do CMPM 1 no Tiradentes

'Eu não concordo que meu filho vá para um regime que não seja este que eu matriculei. Não tenho nada contra o Tiradentes, mas já comprei a lista de material escolar que a gestão do CMPM pede', explica Julieta Amorim, mãe de um estudante do CMPM 1



WhatsApp_Image_2020-01-14_at_16.20.01__2__0B968CD2-23EF-48A7-A2E6-D35CD1DDDC0D.jpeg Foto: Glenda / A Crítica
14/01/2020 às 17:47

Um protesto organizado por pais e estudantes do Colégio Militar da Polícia Militar do Amazonas 1 (CMPM) bloqueou uma faixa na Avenida Codajás, bairro Petrópolis, Zona Centro Sul de Manaus, na tarde desta terça-feira (14). O grupo alega não ter sido informado sobre a transferência de alunos do CMPM para a Escola Estadual Tiradentes, que passa a funcionar em regime militar a partir de fevereiro.

“O desmembramento não é bem vindo por nós, pais”, conta Cristiane Silva, mãe de uma estudante que cursa o quinto ano do Ensino Fundamental no colégio, e que foi uma das selecionadas para estudar no novo espaço. “Eu fiz a matrícula neste colégio aqui, não no Tiradentes. É um absurdo que estejam fazendo isso”, diz.



A transferência de alunos que estudavam em um anexo do CMPM, situado a poucos metros da unidade principal, na avenida Codajás, foi determinada pela Secretaria de Educação e Desporto (Seduc) ainda em dezembro do último ano e desagradou boa parte dos pais que já haviam realizado a matrícula dos filhos na unidade.

“Eu não concordo que meu filho vá para um regime que não seja este que eu matriculei. Não tenho nada contra a escola Tiradentes, mas já comprei a lista de material escolar que a gestão do CMPM pediu”, pondera Julieta Amorim, mãe de um aluno que irá cursar o sexto ano do ensino fundamental no Tiradentes.


Escola Estadual Tiradentes está no centro de uma polêmica envolvendo matrículas de alunos. Foto: Divulgação

Por meio de nota, a Seduc informou que a necessidade de reordenamento da Escola Tiradentes foi comunicada à comunidade em reunião realizada no dia 23 de dezembro de 2019. "Na ocasião foram explicadas as possibilidades e ajustes das necessidades. A mudança já era estudada pela secretaria, mas foi acelerada devido a necessidade de atender a demanda da escola que está sem ter para onde ir (o anexo do CMPM 1) e assim foi alocada no prédio a 450 metros", disse a nota.

De acordo com pais ouvidos pela reportagem, o valor da lista de material didático e escolar exigido pela direção do colégio militar ultrapassa R$ 1.620, e que, caso se confirme a transferência dos alunos para o Tiradentes, os livros não poderiam ser usados, já que os estudantes pertenceriam a outra unidade de ensino, sob comando da Seduc-AM, o Tiradentes. “O gestor do CMPM é muito bom, faz um trabalho ótimo com os pais. Nós ajudamos a criar o modelo educacional deste colégio, se meu filho for pra outro todo nosso esforço será jogado fora”, explica Fabíola Gonçalves.

Segundo a Seduc, "fardamento e demais itens seguem, no ano de 2020, exatamente como era antes da mudança de local". Ainda segundo a secretaria, a gestão da escola do CMPM já tinha conhecimento da mudança de local e também era responsável por comunicar o deslocamento. "A mudança ocorre devido ao reordenamento necessário para o uso de espaço público. Entretanto, a alteração de local não influencia na qualidade de ensino ou no regime educacional, que segue sendo militar".

O redirecionamento de matrículas efetuadas no CMPM para o cadastro de “reserva de vagas” é outro ponto levantado pelos manifestantes. “Quando no sistema da Seduc-AM vou confirmar a matrícula do meu filho no CMPM, surge uma mensagem para que eu o matricule no Tiradentes, mas eu já tinha matriculado ele no CMPM, e não no Tiradentes”, alega Peterson Costa, que é pai de um estudante do ensino fundamental.


Conforme a Seduc, reordenamento da Escola Tiradentes já havia sido comunicado em dezembro de 2019. Foto: Chico Batata/TJ-AM

Em nota, a Seduc informou que a rematrícula dos alunos será feita automaticamente e possíveis problemas com matrículas podem ser verificados na escola Tiradentes, onde uma equipe da Coordenação Distrital poderá sanar dúvidas de pais e responsáveis.

"A Secretaria garante que nenhum aluno envolvido nas duas escolas ficará sem vaga", finalizou a nota da secretaria. 

A reportagem de A CRÍTICA tentou contato com o gestor do CMPM, Coronel Cesar Andrade, mas foi informada que ele não concede entrevistas.

Uma nova manifestação foi convocada pelos pais para a manhã desta quarta-feira (14).

Entenda

A mudança de regime de ensino na Escola Tiradentes ocorre após o Governo do Amazonas, por meio da Seduc-AM, decidir que deixaria de pagar o aluguel de um prédio utilizado por estudantes do Colégio Militar da Polícia Militar 1, e que a transferência dos estudantes seria para a unidade de ensino Tiradentes, situada no bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus.

Após uma série de protestos liderada por pais e estudantes, a Justiça determinou que os estudantes com matrícula no Tiradentes poderiam permanecer no local, e, além disso, determinou a abertura de vagas em pelo menos cinco outras escolas na área, caso o aluno opte por permanecer no modelo de ensino tradicional, que ocorre na maioria das escolas do Estado.

Repórter

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