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Manaus
DIA DOS PAIS

Pais para toda obra: paizões falam da rotina e da dedicação em cuidar dos filhos

Desafios, aprendizado e companheirismo marcam a trajetória de quem está presente na vida dos herdeiros 12/08/2018 às 07:35
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O jornalista Arnoldo Santos e a filha, a estudante Júlia, de 17 anos: companheirismo e responsabilidade no dia a dia (Fotos: Arquivo pessoal)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Paizão, pai 24 horas, pai pra toda obra, presente e dedicado. São várias as definições para aqueles homens que escolheram estar ao lado dos filhos até que os herdeiros decidam seguir caminhos próprios. Dar proridade ainda maior aos filhos, em caso de rompimentos de relacionamentos conjugais, requer responsabilidade e discernimento.

Muitos vão além e não pensam duas vezes para se dedicarem integralmente aos filhos. É o caso do jornalista e consultor em Marketing Executivo, Agnaldo Oliveira Junior, 42, que é pai de dois filhos com guarda compartilhada: Luís Guilherme Oliveira, 18, acadêmico de Administração e de Pedro Luís Oliveira, 6. Pelo menos três dias e meio da semana ele fica com os herdeiros, inclusive os finais de semana, desde que conseguiu a guarda compartilhada passou a otimizar, em paralelo a eles, as atividades do trio, o que os fez ficar mais próximos ainda, diz Agnaldo, que é pós-graduado em gestão de empresas internacionais pelo Instituto de Ciências do Trabalho de Lisboa.

Quando estão juntos, pai e os filhos moram no bairro de Flores, na Zona Centro-Sul, em um conjunto residencial. Lá, Agnaldo aprendeu até a cozinhar em prol dos filhos. “Quando é a minha guarda e dormem comigo, sou eu quem faz o café e o jantar deles. Aprendi a fazer hambúrgueres e outros alimentos para atendê-los. Não deixa que nada que é competência minha, tanto do ponto de vista afetivo quando de responsabilidade a isso mesmo, seja transferido a outra pessoa. Tudo que eu faço pra eles, para mim, é um momento especial. Vamos para restaurantes, pedalamos juntos, montamos brinquedos como Lego, e, juntos, temos nossas responsabilidades para manter o apartamento limpinho. As pessoas mais próximas sabem o quanto sou dedicado a eles”, conta Agnaldo Oliveira.

A função “pai sempre presente” começa às 5h, quando pai e filhos acordam. Após Agnaldo fazer o café, todos tomam à mesa e, às 6h, é a hora de deixar Luís na faculdade. Depois, Agnaldo leva Pedro para a escola. Ao meio-dia é a hora para buscar ambos - Luís, quando não retorna de carona, vem com o pai. Pedro faz judô às terças e quintas à noite e futebol às segundas e quartas à noite (já sob a guarda da mãe). E natação às terças e quintas depois da escola. À noite, por vezes ele e os filhos jantam em casa ou saem para uma pizzaria. “Também nas horas más eu estou presente, levando-os ao médico, dando remédios, e avós deles vão junto, escolhemos as coisas juntos”, ressalta.

A responsabilidade com os filhos, segundo Agnaldo, o fez abrir mãos de relacionamentos amorosos. “Meus relacionamrntros não deram certo por conta do meu estilo de vida de pai. As pessoas me cobram mais tempo, mas eu acabo não fazendo o que me cobram. Meus relacionamerntos são muito rápidos porque tenho muita responsabilidade com meus filhos. Uma hora eles vão se casar, sair de casa, e ficará o sentimento de dever cumprido”, destaca.

Mas, ele pensa em ser pai novamente? “Nesse momento atual da vida, de muitas demandas e de muitas necessidades, não penso. Mas isso é algo que pode acontecer, de encontrar alguém muito legal e decidir ter um outro filho”, diz o filho de  Agnaldo Oliveira, 69, e Marivalma Passos, a Dona Valma, 68.

Desafio

Agnaldo fala que seu maior desafio como pai, paralelo à preocupação com a violência, é dar a eles a melhor educação possível, estar com eles, fazê-los entender “o quanto eles podem amadurecer de forma a se protegerem”. “O Luís está tirando a carteira de motorista, e falo para ele ter cuidado, orientando-o. O maior desafio é educá-los diante de tanta facilidade de informação, para separar o jôio do trigo”, comenta ele.

Ele deixa um conselho a outros pais: “Que cheguem mais a seus filhos, que disponham de de tempo, de convívio, que dêem apoio paternal para formar caráter e, principalmemte, fomentar a amizade entre pai e filho, que são os melhores amigos pra sempre”.

Redes sociais

 Agnaldo Oliveira conta que por muito tempo controlou as mídias sociais do filho mais velho Luís, na base de muita conversa também, orientando-o para filtrar as informações que ele recebia. Hoje, adulto, ele não precisa mais da orientação do pai. “Já o Pedro ainda não tem redes sociais, mas vou estar sempre do lado”, garante o consultor.

Momentos curiosos e responsabilidade

O jornalista Arnoldo Araújo dos Santos, 48, é pai da estudante Júlia Santos, 17, fruto de um relacionamento que é baseado em uma “superboa e supertranquila convivência”. A separação ocorreu quando Júlia tinha 3 anos de idade. O nível de companheirismo de ambos é tão evidente que ele é conhecido como um dos maiores “paizões” do jornalismo amazonense.

 “Maior desafio é formar uma cidadã com caráter, honestidade, humildade e sentido de humanidade. Que use a inteligência para o bem do próximo e a coletividade. E use sua profissão como serviço à sociedade”, disse Arnoldo.

E os desafios das redes sociais? “Vigiar os filhos em qualquer tempo acho que sempre será desafio. Logo, seja amigo e companheiro. Não precisa ser cúmplice, porque amigo de verdade também chama a atenção quando se faz algo errado. Parafraseando o mestre Içami Tiba, ‘quem ama educa’”, relata.

Mas, há diferença em ser pai e criar uma menina? Em termos relativos, sim, diz ele. “Tive de ficar muitas vezes esperando Júlia na porta dos banheiros femininos de shoppings, por exemplo. Fora isso, tentei sempre mostrar que ela pode chegar aonde quiser como mulher. Já tivemos uma presidenta da república, uma presidenta do STF e sempre tentei fazer com que ela crescesse com orgulho de ser mulher, senhora de suas atitudes”, orienta o jornalista.

Pouco tempo depois que se separou, ele tentou sair com uma pessoa que disse que se fosse namorar com ele não sabia se iria aceitar esse convívio de estar sempre acompanhado da filha. “Quando ela falou isso, larguei na hora. Passei uns 5 anos sem namorada. Só bem depois foi que comecei a namorar com uma pessoa que aceitava esse meu ‘apêndice’ chamado filha. E nunca pensei em escolher namorada e filha. A resposta sempre foi: filha”.

Para ele, a data é para os pais pensarem e refletirem sobre as suas atitudes. “É um momento para lembrar que ser pai é uma realização como ser humano. É lembrar que existe um amor no nível incondicional, indiscutível e inalienável. Nada o compra nem o substitui. Doar uma vida pela outra. Isso é ser pai. É nunca mais dormir até tarde, mesmo que ela já seja relativamente independente”, explica Arnoldo Santos.

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