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Manaus
Ciclovias

Para especialista, manauara não sente aquecimento global e por isso não cobra

Para Laura Ceneviva, o fato do manauara viver em um “bolsão verde” e ainda ter a floresta “perto de casa” dificulta a compreensão sobre a importância da bicicleta como solução para a mobilidade urbana 26/08/2016 às 11:50 - Atualizado em 26/08/2016 às 11:51
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Segundo Laura Ceneviva, por ainda não sofrerem os efeitos mais drásticos da poluição atmosférica e do aquecimento global, os moradores de Manaus não criaram a “cultura” de cobrar investimentos nessa área dos governantes
Isabelle Valois Manaus (AM)

Para a secretária-executiva do Comitê Municipal de Mudança do Clima de São Paulo (SP), Laura Ceneviva, o fato do manauara viver em um “bolsão verde” e ainda ter a floresta “perto de casa” dificulta a compreensão sobre a importância da bicicleta como solução para a mobilidade urbana e, principalmente, para reduzir a emissão de CO2 na atmosfera. Segundo ela, por ainda não sofrerem os efeitos mais drásticos da poluição atmosférica e do aquecimento global, os moradores de Manaus não criaram a “cultura” de cobrar investimentos nessa área dos governantes.

Ceneviva é uma das principais figuras ligadas à mobilidade não motorizada em SP e foi uma das primeiras a palestrar no 5º Fórum de Bicicletas Manaus, que termina na noite de hoje. Durante o discurso, Ceneviva afirmou que é “necessário o mundo acordar para as mudanças climáticas e buscar solução para diminuir a emissão de dióxido de carbono (CO2)”, principal gás ligado ao efeito estufa - aquecimento da terra. “A forma mais simples e barata é não utilizar os meios que colaboram com a emissão do gás e nós podemos colaborar só mudando nossos hábitos. Mas para isso precisamos do apoio e incentivo do poder público”, disse.

Desde que foi criado o Grupo Executivo da Prefeitura de São Paulo para Melhoramentos Cicloviários (Pró-Ciclista), em 2006, Laura busca soluções para que a capital paulista colabore com a diminuição do efeito estufa e a prefeitura invista nos modais esquecidos, no caso: a bicicleta. Para isso, Ceneviva realizou, juntamente com secretarias da prefeitura e empresas que congregavam o Pró-Ciclista, um estudo com detalhes dos modais utilizados pela população de São Paulo.

“Fomos a campo e o resultado foi incrível. Havia mais pessoas realizando os trajetos do dia com a bicicleta do que com táxi. Em primeiro ficou a caminhada, pois mesmo quando a pessoa vai de ônibus, ela caminha por um trecho para chegar até o destino ou na linha do metrô para seguir a rotina”, explicou Ceneviva

Benefícios

Além disso, as pesquisas apontaram que os ciclistas eram os que menos ocasionavam acidentes, logo uma porcentagem mínima dava entrada nos hospitais e também poucos morriam em decorrência de acidente de trânsito. “Com esses dados foi possível afirmar que os ciclistas não sobrecarregam o sistema de saúde pública, o obituário é menor, sem esquecer que a bicicleta não polui o ambiente”, reforçou.

Com essa pesquisa, a prefeitura começou a buscar meios de incentivar a população a utilizar a bicicleta. “Precisamos realizar uma comunicação massiva. Por exemplo, se pintar um trecho como faixa liberada em um dia, de um horário das 8h até 17h, é preciso reforçar a informação para que o indivíduo entenda e guarde aquela informação na cabeça e foi assim que começamos em São Paulo. Porém, agora que a prefeitura entendeu a situação, começou a investir na infraestrutura. Antes da ciclovia na avenida Paulista, havia um grande engarrafamento todos os dias na via, e hoje a situação é diferente”, detalhou.

Três bases para um bom fluxo

Para consolidar o uso da bicicleta em Manaus, a prefeitura precisa seguir três grupos de ação: infraestrutura de circulação e estacionamento, gerenciamento do tráfego em condições de segurança e educação no trânsito.

A “dica” é da secretária-executiva do Comitê Municipal de Mudança do Clima de São Paulo (SP), Laura Ceneviva. “Temos duas diretrizes fundamentais: usar a bicicleta para a alimentação do sistema estrutural do transporte coletivo, que é mais barato e menos danoso ao meio ambiente, e nos deslocamentos intrarregionais de até 8 quilômetros. Ao fazer investimentos para bicicletas, necessariamente teremos de fazer investimentos para pedestres. Toda intervenção cicloviária tem que oferecer uma melhoria urbanística”.

Dia dos prefeituráveis

A última noite de atividade do 5º Fórum de Bicicletas Manaus inicia às 19h, no anfiteatro do Parque dos Bilhares, localizado na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul. O terceiro dia incia às 19h, com o painel: Espaço Político com Poder Público, quando os nove canditados à prefeitura de Manaus irão apresentar projetos de mobilidade.

Falta de tempo e meio ambiente

O diretor da ONG Transporte Ativo, Zé Lobo, um dos convidados a participar da 5ª edição do Fórum de Bicicletas Manaus, mostrou pesquisas que apontam que ciclistas de Manaus e de outras cidades brasileiras utilizam a ‘bike’ para economizar tempo na locomoção. Desses ciclistas, 1,5% alegam que também têm a preocupação ambiental.

 

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