Domingo, 29 de Novembro de 2020
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Para juíza, citar a frase 'então morra', de Amazonino, é ofensa

A pedido do candidato do Podemos, propaganda de José Ricardo (PT) que fazia referência à frase dita por Amazonino Mendes em 2011 deve ser tirada do ar



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16/10/2020 às 18:53

A Justiça Eleitoral suspendeu a veiculação da propaganda eleitoral do candidato a prefeito de Manaus José Ricardo (PT) em que o petista cita a frase ‘então morra’ dita por Amazonino Mendes (Podemos), em 2011, durante discussão entre o ex-prefeito e uma moradora de comunidade de área de risco da capital.

A decisão, da juíza coordenadora da propaganda eleitoral Sanã Oliveira, foi proferida na quinta-feira em representação eleitoral ingressada pela Coligação ‘Juntos Podemos Mais’, de Amazonino, alegando que José Ricardo realizou propaganda negativa contra o candidato ao utilizar-se de discurso de frase dita pelo ex-prefeito, contudo fora do contexto original.



Na propaganda, José Ricardo declarou que “não é normal desprezar famílias humildes gritando: Então morra”. No programa, o candidato falava que a pandemia aumentou a crise e o desemprego, pediu a solidariedade dos eleitores e disse que “já é hora de acabar com a indiferença”.

Ao analisar o conteúdo na inserção, a magistrada afirma, “ao menos em um juízo provisório”, é apresentada alusão a fala fora de contexto do Amazonino e torna a informação incompleta e, potencialmente, tendenciosa. “Não se presta a propaganda eleitoral a difundir ofensas ou conceitos dúbios aos opositores e concorrentes de um pleito eleitoral. Por outro lado, face o valor da propaganda e a sua importância, pretende-se, verdadeiramente, à difusão de ideias, ao debate de programas de governo e a apresentação pessoal do candidato”, diz trecho da decisão.

A juíza determinou a retirada da propaganda, a aplicação de multa no valor de R$10 mil a cada descumprimento da decisão e concedeu o prazo de dois dias para o petista apresentar defesa.

Em fevereiro de 2011, o desabamento de um barranco na comunidade Santa Marta, Zona Norte de Manaus, ocasionou a morte de três pessoas soterradas. O igarapé que corta rua da comunidade transbordou, invadiu as casas e  as vítimas foram socorridas pelos vizinhos. No dia seguinte, ao visitar a área, o prefeito à época Amazonino Mendes discutiu com a moradora Laudenice Paiva.

Amazonino disse que as pessoas da comunidade ajudariam a prefeitura “não fazendo casas onde não devem”. Foi quando Laudenice retrucou: “Mas a gente está aqui porque não tem condição de ter uma moradia digna”. E o prefeito respondeu: “Minha filha, então morra, morra”.

A moradora respondeu que, se era assim, “então vamos morrer todos”. O ex-prefeito então perguntou a origem dela e teve como resposta que era do Pará. Foi quando Amazonino encerrou o bate-boca dizendo: “Então pronto, está explicado”. A declaração polêmica de Amazonino teve danos à imagem do político que não concorreu à reeleição no ano seguinte, no pleito de 2012.

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Repórter de A Crítica

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