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Para lucrar, donos de poços artesianos da Zona Oeste faturam vendendo água a quem não tem

Para driblar o problema da falta de água, os moradores do bairro Parque São Pedro compram água de quem possui poço 09/03/2015 às 21:08
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O perigo dos poços também está na forma como a água chega a quem precisa
Lívia Anselmo Manaus (AM)

Para driblar o problema da falta de água, os moradores do bairro Parque São Pedro, Zona Oeste de Manaus, buscam alternativas para ter um abastecimento, no mínimo, regular.

Uma delas é a compra de água de quem possui poços artesianos, o que também não garante abastecimento sem interrupções e pode oferecer riscos à saúde a quem compra. 

Na rua Paraíso, próximo à caixa d’água que deveria abastecer a área, o autônomo Josivaldo Soares, 42, é dono de um poço artesiano que fornece água a um grupo de 30 casas.

O investimento, segundo ele, foi de R$ 10 mil. “Foi a falta de água que fez com que eu preferisse um poço. Acabo vendendo para outras pessoas porque é como muitas pessoas conseguem água”, diz Josivaldo.

Por R$ 50, os moradores abastecem seus reservatórios por 12 horas seguidas diariamente. “Muita gente prefere pagar isso a ficar esperando pela água da rua. É complicado para quem mora aqui ficar esperando e não ter”, justifica Josivaldo. Ele mantém duas pessoas trabalhando no abastecimento das casas. 

Com relação ao impacto ambiental, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) alerta que um poço clandestino pode levar terra e resíduos sanitários que podem comprometer o lençol freático.

O perigo também está na forma como a água chega a quem precisa. A equipe de A CRÍTICA flagrou as mangueiras misturadas à lama, lodo e barro que ficam no asfalto, sem falar que a maioria das mangueiras passa pelo chão. Josivaldo não disse se o poço tem autorização para o fornecimento a terceiros. 

A aposentada Vera Lúcia Soares, 60, é uma das moradoras que se arrisca consumindo água de poço artesiano. Para ela, essa foi a melhor alternativa. “Não tem como fazer de outro jeito. Quem precisa de água que vem da rua chega a ficar sem por uma semana”, lembra.

Mesmo morando ao lado de uma caixa d’água da concessionária  Manaus Ambiental, Vera reclama da falta de água. Para quem vive no local há 11 anos e viu a caixa ser erguida, as mudanças e melhorias já deveriam ter chegado. A presença de mangueiras de poços artesianos se estende por várias ruas do bairro. 

Investigação

A legislação estadual determina que somente empresas certificadas no Ipaam podem perfurar poços tubulares e a Lei Federal 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece as diretrizes para o saneamento básico, proíbe a construção de novos poços tubulares nas áreas que já estejam beneficiadas pela rede de abastecimento de água. O Ipaam alerta que os poços clandestinos podem estar próximos a fontes contaminantes e os riscos vão depender do tipo de poluentes.

Com base em denúncias relacionadas ao problema de abastecimento de água na área, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou um inquérito civil para investigar as ações da concessionária de água no bairro. 

De acordo com o Diário Oficial do órgão, uma servidora foi designada para acompanhar o inquérito e houve a requisição de informações à Manaus Ambiental, com o objetivo de aclarar as irregularidades descritas em denúncia ao MP-AM. 

Em nota, a assessoria de imprensa da Manaus Ambiental informou que o abastecimento no bairro ocorre regularmente por 24h e só interrompido em caso de necessidade por manutenção do sistema. 



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