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Manaus
REALIDADE

Para promotor, falta de estrutura em Borba facilitou linchamento de suspeito

Leonardo Tupinambá alertou para o efetivo insuficiente de policiais no município e garantiu que o MP vai auxiliar na investigação para identificar os responsáveis pelos crimes deste domingo 08/07/2018 às 23:42
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Dante Graça Manaus

Responsável pela atuação do Ministério Publico do Estado (MP-AM) no município de Borba, onde um preso foi linchado e queimado em via pública na noite deste domingo, o promotor Leonardo Tupinambá afirmou que o ocorrido é um reflexo da falta de segurança no município. 

De acordo com ele, a quantidade de policiais no município, tanto civis quanto militares, é insuficiente, e acabou criando um cenário para que a barbárie fosse possível. Sem policiais suficientes, a população se sentiu livre para agir sem temer qualquer represália. “Aconteceu em Borba mas poderia ter ocorrido em qualquer um dos municípios do interior, pois há um número muito reduzido de policiais”, afirmou ele, ressaltando que em Borba não há sequer um delegado e que não há viaturas para a Polícia Civil.

De acordo com ele, o Ministério Público vai auxiliar nas investigações a serem feitas a partir desta segunda para identificar os culpados pelos diversos crimes ocorridos neste domingo, que vão do homicídio ao dano ao patrimônio público. “A resposta é rápida quando há esse tipo de acontecimento. Vai ser todo mundo identificado, porque há muitos vídeos, mas depois que isso passar a situação não pode ficar da mesma maneira”, alertou. 

Ele criticou ainda a atitude da população, que cometeu um crime com as próprias mãos e não permitiu a apuração completa do caso. “Até onde se sabe ele era suspeito do crime, mas agora não teremos bem como saber se ele de fato era culpado ou não”.

Para o promotor, a situação poderia ter sido ainda pior se o suspeito estivesse preso na delegacia do município, visto que, segundo ele, os presos ficam sem vigilância alguma à noite. “Falei com a escrivã do município e ela disse que foram procurar o rapaz primeiro na delegacia. Se ele estivesse lá pode ser que tivéssemos ainda mais mortes, já que os presos não ficam vigiados por falta de pessoal”. 

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