Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
ESTAÇÃO

Parada de ônibus de R$ 200 mil da Ponta Negra frustra expectativa de usuários

Construída em porcelanato, aço inox escovado, madeira e pedra portuguesa, entre outros materiais mais sofisticados, a estação não agradou a maioria dos usuários ouvidos pela reportagem



1510855_C17EF21B-6055-45E9-A9F8-5DD761CB1908.JPG Preço da parada de ônibus causou revolta da população e fez o prefeito Artur Neto visitar o local e dar explicações. Foto: Junio Matos/freelancer
30/08/2019 às 11:35

Uma semana após a inauguração de uma parada de ônibus de R$ 207 mil pela Prefeitura de Manaus no complexo turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste da capital, o sentimento do usuário do transporte coletivo ainda é de frustração.

Tudo o que foi prometido pela prefeitura ainda está funcionando corretamente, o som ambiente (que só toca músicas quando há mais de três pessoas esperando ônibus), o wi-fi, o porcelanato e o aço inox escovado seguem sem vandalismo. Mesmo assim, na visão de alguns, pelo custo elevado, a “Estação I” oferece aos passageiros menos recursos e conforto do que poderia ter.



Para a cozinheira Liliane Carvalho, a parada de ônibus só é maior e tem alguns recursos a mais se comparada aos outros pontos espalhados pelo complexo turístico da Ponta Negra, contudo, segundo ela, segue deixando o usuário vulnerável às chuvas. “Se de repente cair uma chuva com vento molha todo mundo nessa parada. Pelo custo, poderia ser mais fechada e, até mesmo, climatizada”, apontou.

O caminhoneiro Marcelo Rodrigues, que é natural de Curitiba e vive em Manaus há três anos, disse que, pelo valor da obra, os manauaras poderiam ter um ponto de ônibus nos moldes das famosas estações de coletivos em forma de cubo da capital paranaense. “Esse ponto de ônibus poderia ser fechado e ter ar-condicionado também. O povo merece algo melhor, sabe. Essa parada é simples demais pra ter custando dinheiro do contribuinte”, criticou.

O estudante Vitor Auzinel, que por acaso morou alguns anos em Curitiba, fez a mesma comparação. “Eu acho que poderia ser coberto, climatizado. É uma área turística, né? Na Ponta Negra circula bastante gente, e essa estação poderia oferecer mais conforto ao usuário protegendo do calor e das chuvas”, observou.

O aposentado Ivan Matias pelo menos se mostrou satisfeito com o ponto de ônibus. “Eu achei ótimo. Estão reclamando muito dos gastos, mas se for pra gastar bastante dinheiro, que seja em algo pro benefício do povo. Assim penso”, disse.

Dois mil pontos

Atualmente existem 2.532 pontos de ônibus em Manaus, entre paradas, plataformas centrais, pontos com placas e terminais de bairros e integração de acordo com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

Padrão do complexo turístico

O vice-presidente do Implurb, Telamon Firmino Neto, explicou durante visita à obra da parada, na semana passada, que a estrutura está sendo construída em uma área nobre da cidade e que os materiais utilizados são diferentes dos de um abrigo convencional, que em média custam R$ 44 mil.

Firmino Neto também lembrou que, desde 2012, já existem outras paradas de ônibus nos mesmos moldes dessa que está em construída no Complexo Ponta Negra, como forma de padronizar a estrutura do local. “É importante frisar que a Ponta Negra tem um parque construído visando a população e os turistas. É um projeto padrão que já está em andamento desde 2012”, comentou.

‘Diferentona’

Na semana passada, A CRÍTICA mostrou que, construída com porcelanato, aço inox escovado, madeira e pedra portuguesa, entre outros materiais mais sofisticados, a estação erguida no calçadão da praia mais popular da cidade está distante da realidade de outras paradas de Manaus.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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