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Manaus
LGBT

Parada do Orgulho LGBT deve percorrer as principais ruas de Manaus neste domingo

Evento que marca a luta da população LGBT por direitos e atenção retoma tradição de “desfilar” pela capital 02/11/2016 às 05:00 - Atualizado em 02/11/2016 às 12:48
Show gays
Ao contrário de anos anteriores, quando foi realizada no Centro de Eventos, a Parada Gay deste ano será nas ruas da capital (Foto: Arquivo/A Crítica)
Isabelle Valois Manaus (AM)

A 16ª Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) em Manaus vai retomar a tradição da caminhada pelas ruas da capital. Desta vez, a Parada LGBT Manaus 2016 abordará o tema “Democracia, cidadania e respeito, todos têm direito”. O evento deve iniciar às 15h deste domingo (6), com concentração ao lado da praça do Heliodoro Balbi (Praça da Polícia), na rua José Paranaguá, Centro, para seguir o trajeto.

De acordo com a presidente da Associação de Apoio à Parada do Orgulho (LGBT), Bruna La Close, a organização decidiu retornar a parada com a caminhada pelas ruas de Manaus “para mostrar à sociedade que a comunidade LGBT existe” e luta por direitos e espaço. “Queremos que a sociedade entenda que estamos em busca de nossas lutas. Não é baderna e nem diversão, somos uma comunidade em busca de nossos direitos e ideais, por isso neste ano saímos do centro de convivência para retornarmos às ruas”, explicou. 

Conquistar o espaço na política e fortalecer as políticas públicas para a comunidade LGBT  na educação, saúde e segurança, continua a ser prioridade na luta deles. De acordo com La Close, até então pouco se tem feito nestes segmentos para este público. “Não temos um tratamento de saúde diferenciado, nas escolas nos damos com professores, coordenadores e até outros alunos com preconceito sobre nossa orientação sexual e nossa escolha pessoal e os índices de assassinatos de homossexuais continuam a aumentar no nosso Estado. Por isso, há essa necessidade de lutarmos por nossos direitos”, completou.

Violência

La Close informou que, até outubro deste ano, foram registrados um total de 23 homossexuais assassinados no Amazonas. No ano passado foram 21 vítimas. “Mesmo com a aproximação do final de 2016, estamos com duas vítimas a mais que o ano anterior. Tivemos crimes brutais e nada é feito. Não sabemos se quem cometeu o assassinato foi preso, se seguiu a júri popular, isso demonstra como estamos discriminados e como essa parcela da população ainda é tratada como pessoas que vivem à margem da sociedade”, disse.

Para La Close, essas situações deixam a marca de crueldade e até mesmo de homofobia perante a comunidade LGBT. “Vivemos discriminados e precisamos reverter essa situação. Também temos direito a sermos tratados com dignidade”, comentou.

Omissão na Câmara de Vereadores

A falta de propostas voltadas à população LGBT entre os candidatos eleitos na última eleição é outra preocupação da presidente da Associação de Apoio à Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), Bruna La Close. “Passamos mais uma vez por um período eleitoral e, ao analisar as propostas, tivemos um único candidato a vereador que destinou algo específico à comunidade LGBT. O resto sequer mencionou nosso público. Isso nos mostra que precisamos fortalecer a comunidade e nos firmarmos socialmente, pois precisamos de políticas públicas a nosso favor”, disse.

Outra preocupação é o  projeto de lei que proíbe a discussão de gênero nas escolas. “Isso, mais uma vez, reforça a criminalização e um cenário com mais LGBTs fora das escolas, sem ter dignidade como todos têm direito. Precisamos mudar esta ideia”, comentou.

Outras temáticas

Reivindicações tratamento igualitário, melhorias no atendimento a saúde, acesso à educação, políticas publicas afirmativas para a população LGBT, combate à intolerância religiosa, ao racismo, à violência contra as mulheres e ao tráfico de pessoas e exploração sexual também são temas abordados na caminhada.

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