Publicidade
Manaus
Manaus

Paralisação dos petroleiros pode causar falta de gás e gasolina nos postos em Manaus

Segundo o Sindpetro dentro de três dias, a população deve sentir as consequências, principalmente na distribuição de gás 04/11/2015 às 09:43
Show 1
Distribuidores de combustíveis já pensam em alternativas para evitar desabastecimento de gasolina nos postos, caso a greve se estenda por muito tempo
Saadya Jezine ---

A greve dos Petroleiros deve causar desabastecimento de gás e de gasolina em Manaus nos próximos dias. A informação é do presidente do Sindicato dos Petroleiros (Sindpetro do PA, AM, MA, AP) Silvio Claudio. Segundo o sindicalista, a base de Urucu, no município de Coari (a 363 quilômetros de Manaus), que operava com apenas 25% da produção, encerrará suas atividades hoje e, dentro de três dias, a população deve sentir as consequências, principalmente na distribuição de gás.

Isso pode causar problemas no fornecimento de energia em Manaus. “Isso porque a maioria das usinas termelétricas operam com essa fonte”, destaca Silvio Claudio. Problemas no abastecimento de gasolina será sentido pelo consumidor um pouco mais tarde, variando de acordo com a reserva dos distribuidores.

Na segunda-feira (2), os funcionários que estavam em greve na base de Urucu informaram a direção da Petrobras que estavam entregando a unidade, que a maior produtora de gás natural em terra firme no País.

Para Luiz Felipe de Moura Pinto, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Amazonas (Sindcam-AM), a situação ainda não foi sentida nos postos porque os comerciantes estão “na ponta da cadeia. “Dependemos de informações vindo das refinarias, dos distribuidores”, disse. O empresário afirmou que tem conhecimento da greve e de sua extensão, mas até o momento, nenhuma informação formal foi passada ao sindicato.

Opção é importar

Representantes de empresas de distribuição de combustíveis informaram em nota que a situação do abastecimento, por enquanto, está normal, mas não descartam a possibilidade de desabastecimento nos próximos dias e já trabalham a hipótese de importar combustíveis . “Trabalhamos com uma reserva, que geralmente não é muito alta, mas conseguimos cobrir por cinco dias, aproximadamente, a população, se caso algo der errado. Se percebermos que há alguma situação mais complexa, a equipe trabalha para que essa reserva seja maior”, explicou um dos representantes que preferiu não se identificar.

Segundo ele, a situação pode ficar um pouco mais complexa porque ainda não foram informados pela Petrobras sobre a situação atual.

“Não há como tomar qualquer atitude se não sabemos a realidade dos fatos. Ficamos sabendo da greve quando os funcionários da empresa fecharam a rua onde se encontram as distribuidoras. Podemos afirmar que os agravantes da situação são a falta de informação que estamos tendo por parte da Petrobras e mais a situação da greve, que é sempre imprevisível”, afirma. O gerente informou que medidas devem ser tomadas para evitar que a falte combustível para a população. Entre as medidas está o aumento da reserva e a importação de gasolina de países como Estados Unidos e Venezuela.

Fornecimento está normal, diz Cigás

Sobre os eventuais impactos da greve e o risco de desabastecimento em Manaus, a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), afirmou, por meio de nota, que, atualmente, o abastecimento de gás está ocorrendo normalmente, sem nenhuma interferência.

Quando questionada sobre a situação dos grevistas e a falta de mão de obra nas bases de exploração de gás e petróleo da Petrobras - estatal fornecedora da Cigás -, a empresa informou que “aguarda ser notificada pela Petrobras para dimensionar qualquer eventual impacto na distribuição e comercialização de gás natural no Amazonas”.

Atualmente, a Cigás é uma empresa mista que atende 66 empresas - 50 delas consumidoras da fonte. A Petrobrás é a fornecedora da empresa. Os setores de termoelétricas, industriais, veicular e comercial são as que a Cigás atualmente atende, com o volume de 3,9 milhões de metros cúbicos fornecidos por dia.

A maior consequência estaria no abastecimento das termoelétricas, que “sem essa fonte de energia, seriam obrigadas a parar o funcionamento e fechar as portas”, destacou Silvio Claudio, presidente da Sindipetro.

Blog: Silvio Claudio, Presidente do Sindicato dos Petroleiros

“Tivemos duas circunstâncias que agravaram a legitimidade da luta e a permanência dos grevistas que estavam em Urucu. A Petrobras ameaçou com segurança armada os servidores. Prometendo, ainda, uma intervenção da guarda civil”, explicou Silvio Claudio sobre o abandono dos funcionários que atuavam na base localizada no município de Coari. Segundo ele, o sindicato vai denunciar o fato ao Ministério Público (MP), junto com outra ação relatando suposto vazamento de gás ocorrido na segunda-feira (2). “O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também receberão o documento”, destacou o presidente do Sindpetro. A Equipe do Jornal A CRÍTICA buscou informações com a assessoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Petrobras sobre as denúncias do sindicato. A ANP informou que “No momento, não há risco de desabastecimento. Caso haja, a agência tomará as medidas cabíveis”. Até o fechamento da edição, a assessoria da Petrobras não havia se manifestado sobre os questionamentos.

Publicidade
Publicidade