Publicidade
Manaus
Manaus

Paralisado, paciente aguarda cirurgia há quase três meses em hospital público de Manaus

José Tiago, 53, está internado no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, aguardando por uma cirurgia devido a falta de materiais hospitalares 10/03/2015 às 12:42
Show 1
Autônomo José Tiago da Silva, 53, sofreu uma hemorragia cerebral e aguarda há quase três meses por cirurgia’
Oswaldo neto Manaus (AM)

Há quase três meses, José Tiago da Silva, 53, aguarda no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio uma cirurgia de clipagem de aneurisma, e com isso o desespero da filha, Elizandra Chagas da Silva, 30, vem aumentando devido a falta de materiais para realizar o procedimento na unidade de saúde. Segundo ela, não há equipamentos para atender a demanda. “Não tenho mais a quem recorrer”, desabafa.

De acordo com Elizandra, José Tiago está internado na unidade da Zona Leste desde o dia 15 de janeiro após sofrer uma hemorragia cerebral. Depois de realizar uma angiografia, o paciente foi informado que a gravidade do problema era alta. Desde lá, Elizandra conta que o pai não passou por qualquer cirurgia e corre risco de morte. “Ele fala mas ficou com o lado esquerdo paralisado. Está falando com dificuldade e uma cirurgia em um hospital particular custa quase R$ 100 mil. Nós não temos esse dinheiro”, disse.

O hospital, segundo Elizandra, não deu nenhum prazo para que a cirurgia viesse a ocorrer. Segundo ela, o setor de neurologia do João Lúcio informou que o procedimento não poderia ser feito por conta da “falta de materiais”. Em um ato de desespero, ela diz que já tentou pagar pela intervenção cirúrgica. “Nós já quisemos pagar esses materiais. Eles dizem que é injusto eu e minha família pagar se é obrigação do Estado cumprir esse papel”, revelou. Ainda segundo ela, o hospital não permitiu a tranferência de José para outro hospital. “Queríamos mudar ele pro HUGV, que é referência, mas o pessoal de lá diz que lá também não tem esses materiais”, contou.

Rifas e bingos

Elizandra revela que não vem medindo esforços para transferir seu pai de unidade e assim conseguir uma cirurgia de clipagem de aneurisma. Para pagar o transporte da família até o hospital, por exemplo, assim como os objetos usados por José como fraldas e produtos de higiene, Elizandra e sua família vem organizando rifas e bingos com o objetivo de “pagar um serviço de deveria ser do Estado”. “Um pacote de fralda geriátrica é R$ 35. Ontem mesmo tivemos que comprar Diazepam pra ele porque o hospital não tinha o remédio lá. Quem não tinha dinheiro ficava vendo os seus parentes morrerem de dor e não fazer nada”.

Nas imagens de José divulgadas pela filha ao A CRÍTICA, o autônomo está visivelmente mais magro pela mudança na alimentação, e com o lado esquerdo do rosto paralisado devido às fortes sequelas. Ao ser questionada sobre o estado psicológico do seu pai, Elizandra diz que José chora constantemente com saudades da neta e sente saudades de casa.

“É desesperador, desrespeitoso por parte dos nossos governantes. Me sinto impotente. É como se eu estivesse em queda livre. Ele já pediu pra eu enviar carta pra programas de TV de tão desesperado. Só estou lutando por ele”, completa.

Falta de materiais não procede, diz Susam

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) disse por meio de nota que a informação de que o paciente teria deixado de fazer a cirurgia pela falta de materiais é improcedente. A direção informou que após ser internado, o paciente foi submetido a uma angiografia comum, que foi inconclusiva sobre a gravidade do seu quadro. Por conta disto teria realizado, na Fundação Hospital Francisca Mendes, uma angiografia 3D. O resultado teria apontado que o paciente não podia ser submetido apenas a uma embolização – o que ocorreria no próprio Francisca Mendes – sendo a conduta indicada uma clipagem de aneurisma. Daí a necessidade de transferência do paciente para o Hospital Getúlio Vargas (HUGV). A Susam ainda informou que o paciente é o próximo da agenda desta cirurgia no HUGV.

Em conrapartida, o HUGV informou que o paciente não consta na lista de agendamento para cirurgias. O hospital informa, ainda, que possui materiais para realização de clipagem de aneurisma, rebatendo a afirmação sobre a falta de materiais, e que duas cirurgias do tipo foram feitas na semana passada.

Publicidade
Publicidade