Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
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Paratleta do AM tem treinador como herói: 'É como se fosse meu anjo da guarda', diz

Nadador Everaldo Mesquita, 43, que dominou piscinas locais de 1995 a 2004, agradece empenho do professor Joaquim Filho, um dos maiores nomes do esporte no Amazonas



paratleta.jpg Everaldo teve em Joaquim mais do que um treinador: eles se tornaram grandes amigos e admiradores um do outro (Foto: Winnetou Almeida)
01/01/2018 às 15:32

Algumas pessoas consideradas “anjos da guarda” são mãos, braços e pernas de milhares de pessoas. Outras, como o professor de educação física Joaquim Manuel Pinheiro Filho, 58, referência na formação de paratletas do Amazonas há décadas, são os olhos. Foi o profissional quem orientou, formou e guiou literalmente os passos de Everaldo de Oliveira Mesquita, 43, o maior nadador paradesportivo do Estado e que de 1995 a 2004 dominou as piscinas locais.

O paratleta, que sempre gostou da natação, nasceu no Município de Caapiranga, onde vivia com a família em um flutuante. Em 1989, aos 15 anos de idade ele veio para Manaus estudar, sempre de olho em nadar e competir, mas ter as técnicas necessárias. Em 1993, ele ouviu falar do professor Joaquim, mas não tinha contato, e nas vezes que o procurou, não o encontrou. Até que, em meados de agosto de 1995, finalmente conheceu o mestre.

“Falei com ele queria começar a nadar, e me falou pra ir na Vila Olímpica fazer um teste e que em outubro haveria competição. No dia do teste o Joaquim falou que eu havia me saído bem, mas que precisava melhorar muita coisa. Ele me passou as técnicas e em outubro eu viajei para disputar o Campeonato Norte-Nordeste em João Pessoa, onde conquistei duas medalhas de ouro nos 50 e 100 metros, e fui convocado para o meu primeiro Brasileiro no mês seguinte. E daí pra frente foram várias convocações de 1995 a 2003 para integrar brasileiros e integrar a seleção brasileira, e deu tudo certo”, relembra ele, que disputou Pan-Americanos na Argentina, México e Estados Unidos, e Mundial no Canadá.

“O professor Joaquim é como se fosse o meu anjo da guarda. Uma pessoa que me deu a oportunidade de viver grandes alegrias na minha vida. De conhecer o esporte, de conhecer a emoção do que é representar o seu município, Estado e País. Foram momentos maravilhosos que eu vivi, subindo ao pódio. Isso tudo está guardado”, diz Everaldo, que é grato ao “anjo-treinador”. “Se não fosse o Joaquim eu não teria desenvolvido essa parte esportiva, ganho tudo o que eu ganhei e nem me desenvolvido como pessoa. Aprendi muito com ele esse lado humano, de se dedicar e fazer o bem e querer ajudar as pessoas”, disse o ex-nadador.

Herói para todos

De acordo com Everaldo, Joaquim foi importante não só na vida dele, mas para o esporte paraolímpico do Amazonas e do Brasil. “Ele deu uma contribuição enorme. É o momento de abrirmos o coração mesmo, pois às vezes a pessoa morre e só depois é lembrada. E talvez eu não tivesse tido a oportunidade de expressar a grande gratidão que eu tenho pelo trabalho do professor Joaquim. O esporte não é só a medalha, a competição: ele ensina a gente pra vida. Ele não era apenas o técnico, mas o parceiro, que se preocupava com o teu dia a dia, com os problemas familiares. Às vezes discutíamos, mas em oito anos de convivência praticamente diária nós nunca ficamos de mal um com o outro”.

Pai e amigo

De acordo com Everaldo, no dia a dia Joaquim Manuel Pinheiro Filho era rígido como um pai e companheiro como um amigo. “É um profissional que se dedica 101% no que faz, que procura corrigir o atleta dele, nos mínimos detalhes, que exige pra caramba nos treinamentos, é bastante rígido mesmo e os resultados aparecem. Isso não tem como contestar e dizer que a metodologia dele está errada porque, se tivesse, não teria feito tantos campeões até hoje. É uma pessoa que tem reconhecimento em todo o Brasil no esporte paraolímpico. Todos conhecem o Joaquim”, afirma o ex-nadador campeão.

Emoção por contribuir para a formação

O amazonense Joaquim Filho nasceu em Itacoatiara (a 110 quilômetros de Manaus), é formado em fisioterapia e educação física e pós-graduado em Educação Especial, veio para Manaus com 2 anos e meio e é casado. As palavras de Everaldo Mesquita emocionaram o treinador. “O atleta tem uma vida rápida, mas o cidadão continua. E todos os atletas que eu formei são cidadãos”, destaca o professor.

Ele trabalha com pessoas com deficiência há 34 anos e tem sete convocações para competições internacionais. São mais de 100 paratletas e seu conhecimento ajudou a esses mesmos competidores a conquistar quase 700 medalhas em eventos nacionais e internacionais.

Joaquim Filho trabalha há 23 anos na Vila Olímpica com o esporte de alto rendimento para pessoas com deficiência e há 2 anos está aposentado das suas funções em tempo integral - ele segue ministrando as noções esportivas no mesmo local à tarde, mas, pela manhã, mesmo com todo seu potencial, ainda não conseguiu voltar a ser contratado. “Só tenho uma cadeira à tarde, mas nem todos os meus alunos estudam de manhã. Não consigo treiná-los pela manhã porque não consigo emprego. Preciso conseguir um outro emprego”, explicou o treinador.

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