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INSTITUIÇÃO

‘Parceria vai ser palavra-chave na nossa gestão’, diz novo reitor da Ufam

Novo reitor da Ufam fala do planejamento que pretende desenvolver a partir da próxima terça-feira, quando tomará posse, com o objetivo de fortalecer a instituição 02/07/2017 às 09:45 - Atualizado em 02/07/2017 às 09:46
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Sylvio Puga assume o comando da instituição na próxima terça-feira (4) (Foto: Márcio Silva)
Geizyara Brandão Manaus

Após disputar por três o cargo de reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sylvio Puga assume o comando da instituição na próxima terça-feira (4), juntamente com o vice, Jacob Cohen, com planos tanto para a sede em Manaus como para as unidades do interior. A gestão, de acordo com Puga, será baseada em mudanças e parcerias. A mudança refere-se à maneira como a universidade será gerida, e a parceria será trabalhar em conjunto para o objetivo principal, que é contribuir para a melhoria da sociedade.

Qual será a base da sua gestão na Ufam?

A partir desse conceito, nós queremos, por exemplo, (mudança)  no âmbito do nosso índice de graduação. O MEC (Ministério da Educação) tem o índice geral dos cursos, atualmente, a nota da Ufam é três. Nós vamos trabalhar fortemente para que, ao final da nossa gestão, o nosso índice seja nota cinco, que é a nota máxima. No âmbito da pós-graduação, temos 30 programas de mestrado. Nós vamos trabalhar arduamente para que nós tenhamos mais mestrados e mais doutorados. Seria  o ideal falar em dobrar, mas a gente sabe que isso é difícil. Mas nós vamos, pelo menos, tentar crescer nos próximos quatro anos o máximo que nós pudermos. Então vamos trabalhar para o crescimento da consolidação, fortalecimento e crescimento da pesquisa e da pós-graduação na universidade.

E quais as outras prioridades?

Eu e o doutor Jacob Cohen, que é o nosso vice-reitor, estamos muito animados com esse novo desafio. Estamos conscientes das responsabilidades que nos esperam. A saúde será uma área que nós vamos trabalhar muito para que o nosso HUGV, nosso hospital universitário, tenha a segunda torre concluída para o melhor atendimento à comunidade. E (temos) também o hospital universitário Francisca Mendes. O nosso sistema de saúde envolve o HUGV e o hospital universitário, que é uma parceria do Estado com a Ufam, que nós também queremos fortalecer.

Quais as ações a partir da recente divisão do antigo Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL)?

O ICHL ficou com três faculdades, ele se tornou o ICHS e as faculdades que foram criadas foram a de Letras, de Artes e a de Comunicação. Eu vejo isso como algo extremamente positivo para a instituição, isso significa que a universidade está crescendo e precisa que nesse crescimento haja outras estruturas, outras modelagens acadêmicas para acompanhar esse crescimento. Nós entendemos que essa decisão, que foi uma decisão do conselho universitário, foi acertada e nós vamos trabalhar para que essas novas faculdades sejam fortalecidas. No caso da Faculdade de Comunicação, a conclusão da obra que já está em curso; no caso da Faculdade de Letras, a construção de um prédio próprio; e no caso da Faculdade de Artes, eles já tem um prédio próprio, nós vamos precisar fazer adequações.

Quais as principais dificuldades que precisam ser superadas?

Verificamos que nós precisamos fazer uma gestão compartilhada com a comunidade. O que é uma gestão compartilhada? É o reitor, o vice-reitor e a administração superior antecipando os problemas. E como é que a gente antecipa os problemas? Dialogando permanentemente com as nossas unidades acadêmicas. Então, nós faremos uma gestão na ponta, ligada às unidades acadêmicas, dialogando com os alunos, com os coordenadores de curso, com os chefes de departamento. A nossa estratégia é que o problema chegue à reitoria. Nós vamos trabalhar para que o problema, quando existir, já seja resolvido onde se origina. Para isso, o reitor e o vice-reitor farão uma gestão compartilhada com a comunidade, permanentemente trabalhando nessas unidades e nos órgãos suplementares.

Como a educação superior no Brasil e no Amazonas tem se desenvolvido e quais são os passos para que possa avançar ainda mais?

A Universidade Federal do Amazonas, por ser a mais antiga, tem uma responsabilidade histórica, inclusive, com a formação de quadros no Estado do Amazonas e também para o Brasil, porque muitos dos nossos egressos já atuam em várias partes do Brasil. O que nós percebemos durante a campanha, principalmente no interior, é que há um sentimento muito forte, para que novas universidades federais sejam criadas e isso é também um pleito nosso junto ao MEC, que é uma demanda das nossas unidades do interior.

E o Processo de Seleção Continuada (PSC), vai continuar?

É um modelo muito interessante de seleção dos nossos alunos e eu desconheço qualquer proposta no sentido de que ele acabe. Nunca discutimos isso. Agora, propostas que venham melhorar, aprimorar, a universidade sempre estará com as portas abertas.

Quais os reflexos que a crise econômica e política têm sobre a universidade?

Buscar recursos faz parte de uma agenda permanente dos dirigentes da universidade, independente se o momento econômico é de crescimento ou é um momento de recessão. Então nós vamos buscar recursos para a universidade, seja no orçamento federal que é um dever nosso, não somente o MEC, além do MEC, nós temos vários ministérios que têm transversalidade com a universidade. Mas nós também vamos buscar parcerias fora do País, porque nós temos a marca Amazônia como referência, que é uma referência mundial e há, sim, muita intenção de fazermos parcerias para buscar recursos para a universidade, entendendo que nós estamos na Amazônia, formamos quadro para a região e é uma região que é estratégica para o planeta sob diversos pontos de vista.

 O orçamento da Ufam vem caindo nos últimos anos. A busca de parcerias seria uma forma de continuar sustentando a universidade?

No ponto de vista da busca de recursos, eu penso que isso é uma obrigação. Então, isso nós vamos continuar fazendo para viabilizar o fomento à pesquisa, bolsas para nossas ações de extensão e pesquisa também, viabilizar as mais diversas ações que a universidade possui e ela precisa permanentemente de recursos.

Na sua gestão, o número de bolsas para pesquisa científica aumentará?

Nós pretendemos não somente aumentar a quantidade de bolsas, mas também o valor das bolsas. Mas nesse momento, nós estamos empreendendo estudos nesse sentido. Seja bolsa de pesquisa, de extensão, de monitoria.

A Ufam pode gerar receita própria? De que forma?

Ela pode gerar. Como que se gera uma receita? Nós podemos trabalhar em parcerias e isso é comum na universidade e tem parceiros que colocam recursos sob a forma de bolsa, bolsa de pesquisa ou qualquer outra forma. É uma forma de ingresso de recurso, mas vinculado a projetos.

Ultimamente tem se noticiado casos de maus tratos a animais na Ufam,  como o senhor pretende resolver isso?

Nós vamos, assim que assumirmos, nos reunir com a comissão que faz parte a OAB, comissão de direitos dos animais, alunos nossos, ONGs ligadas ao tema. Nós vamos chamar para uma conversa, onde nós vamos colocar claramente que nós defendemos essa causa e nós vamos adotar medidas concretas para que esse tipo de situação não venha se repetir dentro do nosso campus. Nós vamos fazer uma pauta onde medidas concretas serão adotadas, discutindo com eles. Nós não iremos impor nada, nós vamos conversar para elaborar essa pauta.

E como está a questão da segurança no Campus? Como o senhor deseja melhorar essa área?

Nós vamos trabalhar para que o nosso setor de segurança seja, no futuro, um setor autônomo ligado ao gabinete do reitor, isto é, que ele passe a ter outra formatação e o tema segurança seja realmente um tema onde vamos investir na melhor formação dos nossos seguranças. Nós temos seguranças da própria universidade, concursados. Nós vamos investir na capacitação, com cursos próprios da área e trabalhar na questão de ampliar as câmeras de segurança e fazer as parcerias adequadas para que o campus seja um local onde as pessoas venham trabalhar, estudar e elas se sintam seguras.

Quanto às linhas de ônibus, o senhor acha suficientes para o número de alunos?

Nós já tivemos uma reunião com a SMTU há uns dois meses, foi uma reunião ainda preliminar, mas tão logo nós assumamos, vamos trabalhar essa questão de forma bem objetiva com a Prefeitura. Novas linhas e novos ônibus.

O que o senhor acha de manifestações de cunho político na Ufam?

São naturais, aqui é um local de efervescência política. Eu nunca vi manifestações com uma ótica diferenciada, sempre entendi que faz parte do nosso ambiente universitário.

Como o senhor avalia a gestão do prefeito?

Nós estamos tendo uma crise econômica, então todos os prefeitos têm enfrentado dificuldades por conta de uma crise, assim como meus colegas reitores e o governador do Estado. A conjuntura define muitas coisas, todos têm enfrentado dificuldade em função da crise.

Quais são os planos em relação ao interior do Amazonas?

Nós temos cinco unidades: Benjamin Constant; Coari; Humaitá; Itacoatiara e Parintins. A ideia é nós fortalecermos a sua consolidação. Nós temos um terreno em São Gabriel que faz parte da Ufam e nós vamos buscar recursos para construir um campus lá. O terreno era da Prefeitura e foi doado para a universidade, foi incorporado ao patrimônio da União. Nós já estamos em todo o Estado (por meio do programa Parfor), mas nós queremos enraizar a nossa atuação. Tudo a gente trabalha em parceria, a Ufam sozinha não vai conseguir e a questão da parceria não é de pessoalidade, mas de instituição. A palavra “parceria” vai ser uma palavra-chave na nossa gestão, porque nós olhamos as instituições.

Perfil
Sylvio Puga 
idade: 46
nome: Sylvio Mário Puga Ferreira
estudos: graduado em Ciências Econômicas pela Ufam, mestre em Economia PUC-SP, doutor e pós-doutor em Economia pela Unicamp.
experiência:  Foi coordenador de curso de 1999 a 2001; atuou como pró-reitor de extensão; chefe do departamento; diretor da faculdade de Estudos sociais e será empossado reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) na terça-feira (04) em Brasília.

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